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História 5 & 6
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Movimentos sociais no Brasil - Período Republicano
Uma perspectiva ampla é necessária para abordar os movimentos sociais brasileiros, de vez que suas características são muito variáveis. Algumas rebeliões ficaram somente da fase conspiratória. Em alguns casos, foi mínimo, quase insignificante, o grau de participação das classes populares. Em outros, não houve razões de ordem política ou econômica para o movimento, que foi impulsionado somente por razões religiosas. Eis os principais movimentos sociais durante a República: Guerra de Canudos Avaliações políticas erradas, pobreza e religiosidade deram início à guerra contra os habitantes do arraial de Canudos, no interior da Bahia, onde viviam, em 1896, cerca de 20 mil pessoas sob o comando do beato Antonio Conselheiro. Mal-entendido sobre a venda de madeiras serviu como estopim. De novembro de 1896 à derrota em outubro de 1897, o arraial resistiu às investidas das tropas federais (quatro expedições militares). A guerra resultou em cerca de 25 mil mortos.
Revolta da Vacina novembro de 1904, Rio de Janeiro. milhares de habitantes tomaram as ruas em violentos conflitos com a polícia, revoltados pelo fato de terem de se submeter à vacinação. forças governistas prenderam quase mil pessoas e deportaram para o Acre metade delas. Revolta da Chibata (ou Revolta dos Marinheiros) de 22 para 23 de novembro de 1910 os marinheiros se revoltaram, exigindo novas relações dentro da Armada (eliminação do castigo da chibata) e reconhecimento de pobres e negros como cidadãos livres e dotados de direitos. apesar de anistiados pelo governo, a 9 de dezembro uma nova sublevação naval ocorreu, agora na ilha das Cobras. governo decretou estado de sítio e reprimiu o levante. Revolta de Juazeiro 1914, em Juazeiro do Norte, interior do estado do Ceará. sob a liderança do padre Cícero Romão Batista e acreditando cumprir uma ordem divina, os sertanejos pegaram em armas para derrubar do poder o novo interventor do estado. o governo cedeu, devolvendo o poder ao grupo político que antes controlava o Ceará. Guerra do Contestado entre 1912 e 1916, na região dos estados do Paraná e Santa Catarina. semelhante a Canudos, conflito envolveu messianismo, pobreza e insensibilidade política. construção da estrada de ferro ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul levou à região alguns dos elementos que provocaram a eclosão da guerra. forças policiais e do exército alcançaram a vitória, deixando milhares de mortos. Cangaço foi um fenômeno ocorrido no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX. O cangaço tem suas origens em questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, seqüestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa: viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo
Escrito por Rafael Sêga às 16h22
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Mapa do Paraná antes do Contestado e Cabeças do Bando de Lampião

Escrito por Rafael Sêga às 10h35
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Economia e sociedade na República Velha

Escrito por Rafael Sêga às 20h50
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Saiba mais sobre Vladimir Putin e Dmitri Medvedev
Saiba mais sobre Vladimir Putin e Dmitri Medvedev Vladimir Vladimirovich Putin nasceu em 7 de outubro de 1952, em Leningrado, atualmente São Petersburgo. Estudou direito na Universidade de São Petersburgo, graduando-se 1975. 
Ex-agente da KGB (serviço secreto soviético durante a Guerra Fria), onde serviu durante 15 anos, Putin atuou seis anos em Dresden, na Alemanha Oriental, até a queda do muro de Berlim, em 1989, quando, no posto de coronel, abandonou a organização. 
Quando Anatoly Sobchak, um ex-professor da universidade, é eleito prefeito de São Petersburgo, Putin começa a atuar politicamente, tornando-se vice-prefeito em 1994. Até que em 1996 decide mudar-se para Moscou. Em julho de 1998, o presidente Boris Ieltsin nomeia Putin como diretor do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, órgão sucessor da KGB. O ex-agente sobe rapidamente na hierarquia, tornando-se secretário do Conselho de Segurança e primeiro-ministro de Ieltsin. Homem-forte do então presidente, Boris Ieltsin inesperadamente anuncia sua renúncia em 31 de dezembro de 1999, nomeando Putin como presidente interino. Prometendo reconstruir o país, Putin ganha as eleições de março de 2000 com cerca de 53% dos votos, reelegendo-se presidente em março de 2004, quando a economia russa crescia a passos largos após a prolongada recessão dos anos 90. Putin trabalhou para diminuir a autonomia das Províncias russas que lutam por separatismo e esteve em uma situação difícil durante a guerra da Tchetchênia, particularmente durante a luta de rebeldes separatistas contra tropas russas nas montanhas. Em 2002, o presidente declarou que a campanha contra os terroristas havia acabado, mas os conflitos continuaram. No final de 2007, não podendo reeleger-se presidente novamente, Putin indicou como sucessor seu o vice-primeiro-ministro Dmitri Medvedev. 
Eleito em meados de 2008, o atual presidente russo nasceu em 14 de setembro de 1965, morando a maior parte da infância e juventude no subúrbio de Leningrado, como a antiga capital São Petersburgo era chamada na época soviética. Advogado e empresário, trabalhou no comitê de relações exteriores do escritório do prefeito de São Petersburgo, onde estabeleceu por longos anos amizade com Putin, que também trabalhava no local. Após ser nomeado primeiro-ministro em agosto de 1999, Putin convida Medvedev para trabalhar em Moscou, nomeando-o chefe da administração do governo em novembro. Quando Boris Ieltsin tornou Putin presidente, no último dia de 1999, Putin nomeia Medvedev como chefe do seu governo. Em junho de 2003, Medvedev é eleito presidente da Gazprom, consolidando o controle Kremlin sobre a gigante do gás russo. Em 2005, Putin consegue promover Medvedev a vice-primeiro-ministro, dando a ele a responsabilidade de realizar quatro projetos nacionais nas áreas de saúde, educação, habitação e agricultura. Não podendo se reeleger novamente, o então presidente arma uma estratégia, anunciando, em 10 de dezembro de 2007, que Medvedev é seu candidato na disputa à sucessão. No dia seguinte, Medvedev divulga à imprensa Putin como seu primeiro-ministro.
Escrito por Rafael Sêga às 20h40
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A desintegração da União Soviética (Parte 2)
O espaço europeu depois da Guerra Fria Em novembro de 1989, sob o fogo de imensas manifestações populares nas maiores cidades do país e a pressão das reformas do líder soviético Gorbachev, o regime comunista da Alemanha Oriental anunciou a abertura da fronteira inter-alemã de Berlim. Essa fronteira, brutalmente materializada no Muro de Berlim, erguido em 1961, representava a principal linha demarcatória entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental. Ela simbolizava a divisão da Alemanha e a bipartição geopolítica do continente. A queda do Muro de Berlim assinalou o encerramento da Guerra Fria. Nos meses anteriores, um movimento irresistível varrera os regimes de partido único do bloco soviético na Europa Oriental. Nos dois anos seguintes, dissolveram-se as estruturas estratégicas e econômicas que cimentavam o espaço geopolítico da Europa Oriental. Paralelamente, desenrolou-se a reunificação alemã, sob a forma do englobamento da RDA pela RFA. Em dezembro de 1991, a própria União Soviética completou a sua decomposição.  De um lado, o fim da Guerra Fria desencadeou o processo de produção de novos Estados na Europa central e oriental. Mas as mudanças foram além das fronteiras políticas. A transição das economias do antigo bloco socialista processou-se em ritmos diferentes, mas em todos os casos a planificação central foi abandonada. Paralelamente, ocorria a expansão da Otan: a sua primeira fase completou-se em 1999, com a adesão de três países da Europa central (Polônia, República Checa e Hungria), e uma segunda fase prevê, no mínimo, a adesão da Romênia e da Eslovênia. Desse modo, o bloco econômico e estratégico ocidental alarga as suas fronteiras na direção do leste, até os limites da CEI.

Polônia Em janeiro de 1990, o Partido Comunista Polonês se autodissolveu. Em dezembro de 1990, Lech Walesa torna-se o primeiro presidente eleito da Polônia. As dificuldades na transição ao capitalismo e a fragmentação política favorecem a oposição, que vence as eleições parlamentares de setembro de 1993. Walesa desenvolve uma política de hostilidade ao primeiro-ministro e ao Parlamento, usando seguidamente o direito de veto presidencial para dificultar suas ações. Em setembro de 1994, as últimas tropas russas abandonam o solo polonês e o primeiro-ministro russo Viktor Chernomyirdin visita a Floresta de Katin, reconhecendo a responsabilidade da ex-URSS no massacre de oficiais poloneses durante a 2ª Guerra Mundial.  Tchecoslováquia (desde 1993 dividiu-se em dois países: República Tcheca e Eslováquia) O domínio soviético chegou ao fim por meio da “Revolução de Veludo”, em 1989, assim chamada pela maneira não-violenta com que se efetuam as mudanças. O movimento começa com as pressões populares que acabam por forçar o governo a libertar da prisão o dramaturgo Václav Havel, líder da oposição democrática. Em seguida, uma série de grandes manifestações de massa, culminando em uma greve geral, provoca a legalização dos partidos de oposição, a queda do ministério, a constituição de um gabinete de maioria não-comunista e, finalmente, a renúncia do presidente Gustav Husak, em novembro de 1989. Havel assume a presidência em caráter provisório, enquanto Dubcek, que também retorna à vida política, passa a dirigir a Assembléia Geral. Em julho de 1990, Havel é confirmado na presidência. No mesmo ano, começa a tomar corpo na Eslováquia a campanha pela separação dos dois países. O movimento separatista torna-se irreversível em 1992. 
Hungria Em março de 1988, realiza-se uma grande marcha pela democracia em Budapeste. Em maio, a cúpula do Partido Comunista (PC) coloca no poder Károly Grósz, um simpatizante de Gorbatchov. A democratização se acelera em 1989, impulsionada por gigantescas manifestações. Em janeiro, o Parlamento pronuncia-se a favor da liberdade partidária. O PC negocia com a oposição e, em outubro, dissolve-se formalmente, reconstituindo-se como Partido Socialista (PSH), para simbolizar a ruptura com o passado. O país abandona o comunismo. As eleições de março e abril de 1990 levam a oposição ao poder, com a vitória do Fórum Democrático. O ex-dissidente Jószef Antall assume o governo como primeiro-ministro. Começam as privatizações. Tem início, também, a retirada das tropas soviéticas, que se completa em junho de 1991.  Bulgária Em 1988, o regime búlgaro admite, pela primeira vez, a participação de candidatos independentes nas eleições. A oposição se organiza rapidamente. As reformas aceleram-se com o fim do monopólio do poder pelos comunistas. Os comunistas mudam o nome de seu partido para Socialista e vencem as eleições legislativas em junho de 1990, graças aos votos das áreas rurais. A oposicionista União das Forças Democráticas (UDF), vitoriosa nas cidades, recusa-se a participar de uma coligação governamental e deflagra uma onda de greves e manifestações. O impasse só é resolvido em dezembro, quando os antigos comunistas, embora majoritários no Parlamento, aceitam a condição de minoria num governo de coalizão sob um primeiro-ministro independente, Dimitar Popov.  Romênia A onda reformista deflagrada pelo líder soviético Mikhail Gorbatchov leva a Romênia a um crescente isolamento internacional. A desastrosa gestão da economia alimenta forte descontentamento popular. Em dezembro de 1989, a Securitate (polícia secreta) abre fogo contra uma passeata em Timichoara, provocando centenas de mortes. Em 21 de dezembro, acreditando ainda ter o poder nas mãos, Ceausescu comete a imprudência de convocar um comício a favor do governo no centro de Bucareste. A manifestação transforma-se em insurreição popular. Ceausescu e a mulher Elena fogem de helicóptero. Ion Iliescu, comunista rompido há anos com Ceausescu, constitui a Frente de Salvação Nacional e assume o controle da situação. Ceausescu e Elena são capturados e executados no Natal de 1989. Iliescu é nomeado presidente e, em maio de 1990, eleito pelo voto popular. No mês seguinte, o governo baixa um pacote econômico que congela preços e salários por seis meses. Diante da pressão de estudantes e trabalhadores, o primeiro-ministro Petre Roman renuncia em setembro de 1991 e os preços dos principais produtos são congelados. Uma nova Constituição, referendada em dezembro de 1991, institui o pluripartidarismo, garante os direitos humanos e estabelece bases para a economia de mercado. No ano seguinte, 6 mil estatais têm 30% de suas ações distribuídas à população. Os efeitos são danosos para os trabalhadores: em 1993, o salário mínimo apresenta uma diminuição de valor real de 40%.  Unificação da Alemanha O dirigente alemão-oriental Erich Honecker, no poder desde 1971, resiste à onda de liberalização no bloco comunista deflagrada em 1985 pelo dirigente soviético Mikhail Gorbatchov. Em 1989, milhares de alemães-orientais passam para a Alemanha Ocidental através da Hungria e da Áustria. Em outubro, manifestações pró-democracia em Leipzig levam o Partido Comunista alemão-oriental a substituir o linha-dura Honecker por Egon Krenz. Em novembro, a queda do Muro de Berlim abre o processo de reunificação: são marcadas as primeiras eleições livres da RDA. Em 1990, a Aliança pela Alemanha, favorável à unificação, vence as eleições; Lothar de Mazière é o primeiro-ministro da Alemanha Oriental. Impulsionada por Kohl, é realizada a unificação monetária em julho de 1990. Em outubro, ocorre a unificação política. O exército alemão-oriental é extinto e o Parlamento unificado ratifica o tratado da União. Kohl torna-se o chanceler na Alemanha unificada. A Alemanha paga um preço alto pela unificação. A desmontagem do parque industrial da parte oriental provoca desemprego maciço, que repercute em todo o país. As altas taxas de juros fixadas pelo Bundesbank (banco central) provocam recessão. Num clima social tenso, os imigrantes sofrem atentados de grupos neonazistas. Em 1993, o Parlamento restringe o direito de asilo político. As garantias sociais, que eram o orgulho da DGB – mais forte central sindical da Europa –, são questionadas em nome da melhoria da competitividade da indústria alemã no cenário mundial. As dificuldades da Alemanha repercutem nos adiamentos sucessivos de medidas de maior homogeneização econômica entre os membros da União Européia, como é o caso da moeda única.  Guerra da Iugoslávia Com o decorrer dos anos seguintes à morte de Tito, o sistema da presidência rotativa mostrou sua inadequação. A isso somou-se o desastre dos comunistas na antiga União Soviética. A soma desses dois fatores (a crise da alternância do poder na Iugoslávia e o esvaziamento do comunismo no Leste europeu) provocou uma série de anúncios unilaterais de independência. Os eslovenos e os croatas não queriam mais ficar subordinados a uma república onde os sérvios, que eles sempre consideram culturalmente inferiores a eles, fossem maioria. O desaparecimento súbito da URSS provocou um vácuo a leste, fazendo com que os estados da Eslovênia e da Croácia desejassem retornar a sua antiga posição pró-ocidental. Significativo disso foi o fato da Alemanha Ocidental ser a primeira a reconhecer a independência da Eslovênia e da Croácia, dando assim o seu aval ao processo de desmontagem da República Socialista Federativa da Iugoslávia. O mesmo pode-se dizer do Vaticano, quando o papa João Paulo II apoiou o separatismo da católica Croácia, dando mais um passo na sua política de desmontagem do comunismo no Leste europeu. Primeiro foi a Eslovênia a declarar-se separada em 1990, em seguida foi a vez da Croácia e, logo depois, pelos muçulmanos, da Bósnia-Herzegovina. Desgostosos com a perda da cidadania iugoslava, os sérvios, liderados pelo presidente Milosevic, entraram em guerra com seus vizinhos, temendo serem desalojados por eles das regiões que ocupavam, algumas delas desde o século XVII, arrastando toda a região para um guerra intermitente. Na Croácia, deu-se o grande êxodo dos sérvios da Krajina e da Eslavônia oriental quando uns 600 mil deles foram expulsos de volta para a República da Sérvia . Mas, na Bósnia, eles conseguiram manter-se no terço restante do território, formando mais tarde a República Sérvio-Bósnio da Srpska. A Europa, horrorizada, viu-se às voltas com as imagens de campos de concentração, de sítios às cidades, de bombardeios de artilharia, de tiros precisos dos franco atiradores, da morte a sangue frio da população civil. Tudo isso a lembrou da Segunda Guerra Mundial. Cresceu então entre os governos que compunham a Otan o desejo de praticar algum tipo de intervenção armada, já que o boicote de venda de armas determinado pela Onu parecia não ter surtido nenhum efeito em diminuir a violência nos Bálcãs. Foi na Bósnia, em 1995, que se deram os primeiros bombardeios da Otan contra os sérvios-bósnios para evitar que eles vencessem a coligação de croatas e muçulmanos apoiados pela Europa Ocidental  OTAN no Leste Europeu O alargamento do bloco ocidental aprofunda a influência estratégica norte-americana no continente europeu. Simultaneamente, cresce a influência da Alemanha, que funciona como principal parceiro econômico dos antigos países socialistas. Os investimentos diretos alemães reconstituem, na periferia imediata formada pela Polônia, República Checa, Eslováquia, Hungria e Eslovênia, um espaço centro-europeu que tinha sido desfeito pela Cortina de Ferro. 
Escrito por Rafael Sêga às 14h06
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A desintegração da União Soviética (Parte 1)
A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão. Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov. 
Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.  Perestroika A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.  Glasnost A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas. A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado. A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.  Golpe de Agosto Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca). Dissolução do império - Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbesquistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.  Lutas pela independência Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte. Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).  Comunidade dos Estados Independentes (CEI) Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Conflitos Em 1994 persistem conflitos regionalizados na ex-URSS, ex-Iugoslávia, África, Índia e Sri Lanka. Na ex-URSS os conflitos mais graves são a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão, a luta na Moldávia entre as populações de etnia romena e russa, a luta dos rebeldes da Abcásia para separar a região da Geórgia e a guerra civil no Tadjiquistão, que opõe, de um lado, uma aliança entre militantes islâmicos e os partidários de uma democracia em moldes ocidentais e, do outro, os antigos dirigentes comunistas apoiados pelo Exército russo. Na ex-Iugoslávia, sérvios, croatas e muçulmanos travam uma guerra para definir da maneira mais favorável o mapa da inevitável partilha da Bósnia entre os três grupos étnicos. Na vizinha Croácia, persiste a tensão entre o governo nacional e as milícias formadas pela minoria sérvia, que controlam um terço do território do país. Na África continua a guerra fratricida de Angola e os conflitos em Ruanda, na Somália e no Chade. Entre os conflitos étnicos da Índia, sobressai a campanha movida por grupos extremistas hindus contra a numerosa minoria muçulmana. No Sri Lanka, a rebelião tâmil contra a maioria cingalesa continua a manifestar-se em atentados terroristas. 
Escrito por Rafael Sêga às 12h38
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O longo ciclo militar (Parte 1)
Ditadura Militar no Brasil Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.  O golpe de 64 A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria. Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista. Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava. No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país. Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo. O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 ( AI-1 ). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.  GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária. Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar. Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos : Movimento Democrático Brasileiro ( MDB ) e a Aliança Renovadora Nacional ( ARENA ). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares. O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.
GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969) Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE ( União Nacional dos Estudantes ) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969) Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica). Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva". No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.
GOVERNO MEDICI (1969-1974) Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como "anos de chumbo". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna) atua como centro de investigação e repressão do governo militar. Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.  O Milagre Econômico Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil. 
Escrito por Rafael Sêga às 12h04
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O longo ciclo militar (Parte 2)
GOVERNO GEISEL (1974-1979) Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem. Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades. Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante. Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.
GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado. Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como : Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ). 
A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos. Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados. No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal. Era o fim do regime militar. 
GOVERNO SARNEY (1985-90) Tancredo Neves ficou doente antes de assumir e acabou falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. O governo de José Sarney representa um marco histórico do Brasil, porém a maneira como aconteceu foi trágica. Depois de 21 anos de ditadura militar, Tancredo Neves foi eleito presidente a partir do colégio eleitoral, no entanto, não teve tempo para exercer o cargo, faleceu logo após, no dia 21 de abril de 1985, quem tomou posse foi o vice José Sarney. A instauração da Nova República ocorreu a partir da adoção e implantação de medidas no campo político, emendas na constituição da época estabelecendo entre outras, eleições diretas para a sucessão de José Sarney, acesso dos analfabetos ao voto, autonomia para criação de partidos políticos etc. Por meio de uma Assembléia Constituinte eleita em 1986, ocorreu o principal evento durante o governo de José Sarney, que foi sem dúvida a elaboração da Constituição Federal. A Constituinte, para a concretização da Constituição, realizou o trabalho entre fevereiro de 1987 e setembro de 1988, e ficou caracterizado por inúmeros conflitos de ordem idealista, no qual de um lado estavam os conservadores e os progressistas, compostos pelos partidos ditos como de esquerda (PT, PCB, PC do B, PDT) e uma pequena parcela do PMDB. Enfim a Constituição foi promulgada, no dia 5 de outubro de 1988, dentre as inúmeras mudanças se destacam as do setor proletário, em que foram estabelecidos vários direitos e benefícios, como abono de férias, 40% de FGTS no ato da demissão em forma de indenização, carga horária que antes eram de 48 horas foi reduzida para 44 e licença maternidade que era de 90 dias e saltou para 120. Outras questões antes tratadas com displicência como o racismo por parte das autoridades, com a nova Constituição tornou-se crime inafiançável, entre diversas mudanças relacionadas aos direitos humanos. Embora o estabelecimento da Constituição tenha trazido inúmeras mudanças, o setor econômico se encontrava em um momento de intensa instabilidade, a prova disso era a inflação que no ano de 1985 atingia o incrível percentual de 235% ao ano. Para restringir o crescimento da inflação o governo elaborou um projeto em fevereiro de 1986, que tinha como finalidade estabilizar a economia, implantando o plano cruzado, esse plano visava congelar os preços e substituir o cruzeiro pelo cruzado. A população aceitou de forma positiva o plano cruzado, como a base do governo era do PMDB nas eleições que ocorreram em 1986 o partido conseguiu eleger 22 governadores dos 23 estados da época, fortalecendo a base governista. Mas a tranqüilidade do governo durou pouco, pois logo depois ocorreu uma avalanche de problemas econômicos, mercadorias elevaram os preços, vendas de produtos usados como novos, falta de carne, pois os fazendeiros se negavam a vender os bois com preço de tabela, e então o plano perdeu seu efeito. No término do governo Sarney a inflação alcançou a marca de 84,32% ao mês, devido a isso e outras temáticas a reputação do governo se reduziu a zero. 
COLLOR, O CAÇADOR DE MARACUJÁS Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente civil brasileiro, eleito por voto direto desde 1960. Foi também o primeiro escolhido dentro das regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois turnos. Collor, ex-governador de Alagoas, político jovem e com amplo apoio das forças conservadoras, derrotou no segundo turno da eleição, Luiz Inácio "Lula" da Silva, migrante nordestino, ex-metalúrgico e destacado líder da esquerda. Entre suas promessas da campanha estão a moralização da política e o fim da inflação. Para as elites, ofereceu a modernização econômica do país consoante a receita do neoliberalismo. Prometeu a redução do papel do Estado, a eliminação dos controles burocráticos da política econômica, a abertura da economia e o apoio às empresas brasileiras para se tornarem mais eficientes e competitivas perante a concorrência externa. 
Escrito por Rafael Sêga às 11h52
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Consolidação e expansão do socialismo burocrático (Parte 2)
A Revolução Chinesa A Revolução Chinesa, ocorrida em 1949, provocou profundas transformações na China que até hoje se faz presente no cotidiano de seu povo. Para entender essa revolução, devemos nos voltar para a situação da China do século XIX. Naquele período, o país sofreu com a dominação imperialista promovida pelas nações capitalistas européias, principalmente, da Inglaterra. Nas primeiras décadas do século XX, a população chinesa passava por intensas dificuldades econômicas que pioraram drasticamente as condições de vida do povo chinês. Mediante um movimento contra a presença estrangeira no país, a dinastia Manchu deu fim ao governo imperial e criou um novo governo: a República da China. Mesmo com tal mudança, ainda em 1915, o país foi politicamente dominado pelo governo japonês. Insatisfeitos com a dominação nipônica, uma grande mobilização política do povo chinês promoveu, em 1921, a criação do Partido Comunista Chinês. Devido seu forte apelo popular, o novo partido foi visto como uma ameaça à ordem governamental e, por isso, seu líderes e participantes passaram a ser perseguidos pelas autoridades do país. Impedidos de participarem das questões políticas de seu país, os comunistas chineses, sob a liderança de Mao Tse-tung, começaram a mobilizar as populações camponesas atraídas pela promessa do uso coletivo das terras e a criação de um sistema político igualitário. Contando com o apoio dos camponeses, Mao Tse-tung criou o Exército Vermelho, que entre os anos 30 e 40 lutou contra o governo chinês. Após esse período de batalhas, os comunistas dominaram Pequim, em 1949, e Mao Tse-tung foi aclamado como novo líder da República Popular da China. Inicialmente apoiado pelo governo comunista soviético, o governo comunista chinês criou um grande projeto de transformação político-econômico chamado Grande Salto para Frente. Pouco depois, em 1966, surgiu um programa de controle cultural, político e ideológico chamado de Revolução Cultural. Com a morte de Mao Tse-tung, em 1976, a Revolução Cultural teve seu fim e as políticas econômicas do país se abriram para a economia mundial. 
A Revolução Cubana Sendo uma das últimas nações a se tornarem independentes no continente americano, Cuba proclamou a formação de seu Estado independente sob o comando do intelectual José Marti e auxílio direto das tropas norte-americanas. A inserção dos norte-americanos neste processo marcou a criação de um laço político que pretendia garantir os interesses dos EUA na ilha centro-americana. Uma prova dessa intervenção foi a criação da Emenda Platt, que assegurava o direito de intervenção dos Estados Unidos no país.Dessa maneira, Cuba pouco a pouco se transformou no famoso “quintal” de grandes empresas estadunidenses. Essa situação contribuiu para a instalação de um Estado fragilizado e subserviente. De fato, ao longo de sua história depois da independência, Cuba sofreu várias ocupações militares norte-americanas, até que, na década de 1950, o general Fulgêncio Batista empreendeu um regime ditatorial explicitamente apoiado pelos EUA. Nesse tempo, a população sofria com graves problemas sociais que se contratavam com o luxo e a riqueza existente nos night clubs e cassinos destinados a uma minoria privilegiada. Ao mesmo tempo, o governo de Fulgêncio ficava cada vez mais conhecido por sua negligência com as necessidades básicas da população e a brutalidade com a qual reprimia seus inimigos políticos. Foi nesse tenso cenário que um grupo de guerrilheiros se formou com o propósito de tomar o governo pela força das armas. Sob a liderança de Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Ernesto “Che” Guevara, um pequeno grupo de aproximadamente 80 homens se espalhou em diversos focos de luta contra as forças do governo. Entre 1956 e 1959, o grupo conseguiu vencer e conquistar várias cidades do território cubano. No último ano de luta, conseguiram finalmente acabar com o governo de Fulgêncio Batista e estabelecer um novo regime pautado na melhoria das condições de vida dos menos favorecidos. Entre outras propostas, o novo governo defendia a realização de uma ampla reforma agrária e o controle governamental sob as indústrias do país. Obviamente, tais proposições contrariavam diretamente os interesses dos EUA, que respondeu aos projetos cubanos com a suspensão das importações do açúcar cubano. Dessa forma, o governo de Fidel acabou se aproximando do bloco soviético para que pudesse dar sustentação ao novo poder instalado. A aproximação com o bloco socialista rendeu novas retaliações dos EUA que, sob o governo de John Kennedy, rompeu as ligações diplomáticas com o país. A ação tomada no início de 1961 foi logo seguida por uma tentativa de contra-golpe, onde um grupo reacionário treinado pelos EUA tentou instalar - sem sucesso - uma guerra civil que marcou a chamada invasão da Baía dos Porcos. Após o incidente, o governo Fidel Castro reafirmou os laços com a URSS ao definir Cuba como uma nação socialista. Para que a nova configuração política cubana não servisse de exemplo para outras nações latino-americanas, os EUA criaram um pacote de ajuda econômica conhecido como “Aliança para o Progresso”. Em 1962, a União Soviética tentou transformar a ilha em um importante ponto estratégico com uma suposta instalação de mísseis apontados para o território estadunidense. A chamada “crise dos mísseis” marcou mais um ponto da Guerra Fria e, ao mesmo tempo, provocou o isolamento do bloco capitalista contra a ilha socialista. Com isso, o governo cubano acabou aprofundando sua dependência com as nações socialistas e, durante muito tempo, sustentou sua economia por meio dos auxílios e vantajosos acordos firmados com a União Soviética. Nesse período, bem sucedidos projetos na educação e na saúde estabeleceram uma sensível melhoria na qualidade de vida da população. Entretanto, a partir da década de 1990, a queda do bloco socialista exigiu a reformulação da política econômica do país. 
Escrito por Rafael Sêga às 10h47
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Consolidação e expansão do socialismo burocrático (Parte 1)
Recuperação Soviética "Cortina de Ferro" foi a expressão criada, em 1946, pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill, para designar a política de isolamento adotada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e seus estados-satélites após a II Guerra Mundial. Durante um discurso nos EUA, Churchill declara: "De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente". Inicialmente, a Cortina de Ferro é formada pelas repúblicas da Rússia, Armênia, Azerbaidjão, Belarus, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Letônia, Moldávia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão e os estados-satélites Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária e Romênia. Todos ficam sob o estrito controle político e econômico da URSS. Em 1955 unem-se militarmente por meio do Pacto de Varsóvia. O bloco se desfaz definitivamente em 1991, com a dissolução da URSS. Entre 1928 e 1932, foi posto em execução o primeiro plano qüinqüenal. Stalin acelerou o processo de coletivização da agricultura, forçou a concentração das pequenas propriedades em grandes fazendas coletivas. O resultado não foi o esperado. Um dos maiores problemas desse plano foi à ênfase exagerada na expansão da indústria pesada. Ao se iniciar o plano qüinqüenal, em 1933, a situação no campo era bem difícil, isto porque os camponeses estavam desestimulados, já que recebiam baixos salários. Com isso eles migravam em massa para os grandes centros, principalmente Moscou e Leningrado. O esforço exagerado da transformação econômica realizou-se a custa de intenso sofrimento social. A partir de 1936 milhões de pessoas foram transferidas para campos de trabalhos forçados. Após o XXI Congresso do Partido Comunista, realizado em 1959, o governo finalmente decidiu a dar mais atenção a produção de bens de consumo. Por esta razão, os objetivos do plano de sete anos, de 1959 e 1965 centrados na indústria pesada foram modificados, a atenção foi voltada para construção de habitação e a indústria têxtil e alimentícia. A criação da Otan, pacto de assistência militar mútua liderado pelos Estados Unidos, levou o governo soviético, em 1955, a criar o pacto de Varsóvia. O acordo agrupava as forças militares dos países socialistas sob o comando único dos soviéticos. No auge da economia, em oposição ao Plano Marshall, em 1949 foi organizado o Comecon (Conselho para Assistência Econômica Mútua), liderado pela União Soviética e composto por oito países do chamado bloco socialista. O organismo assegurava a distribuição de matéria-prima e favorecia a especialização econômica das nações participantes.  Segunda morte de Stálin O XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) teve lugar entre 14 e 26 de fevereiro de 1956. Na ocasião, o secretário do Partido, Nikita Khrushchov, com seu célebre discurso secreto, denunciou as violências, os expurgos e as limitações à liberdade impostas pelo regime de Stalin, seu predecessor. Durante a sessão a portas fechadas, no último dia do congresso, Kruschev criticou asperamente a política stalinista, denunciando o culto de personalidade e uma série de crimes cometidos por ele e seus colaboradores. O discurso chocou os delegados presentes, que depois de anos de propaganda estavam convencidos da grandeza de Stalin. Após um longo debate, o discurso veio a se tornar público no mês seguinte mas o relatório completo, no qual se baseou, só foi publicado em 1989. 
O caso da Iugoslávia Durante a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi ocupada por forças nazistas. Surgiu então um movimento guerrilheiro de resistência, comandado por Josef Broz Tito. Terminada a guerra e expulsos os nazistas, Tito conseguiu reunir sob sua liderança as diversas nacionalidades que compunham o país e formar uma federação com seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia. O titoísmo, conhecido internamente como socialismo autogestionário, é a tendência do comunismo aplicada por Josip Broz Tito na Iugoslávia durante seu regime, entre 1945 e 1980. O titoísmo ficou conhecido por ser uma forma muito mais "branda" de regime socialista, combinando a economia estatizada com diversas liberdades civis. Embora originalmente o termo tenha sido inventado pelos stalinistas no final dos anos 1940 como sinônimo de socialismo pervertido e deturpação ideológica, os próprios titoístas acabaram por adotá-lo, com certo orgulho, para designar o tipo de socialismo "leve" implantado na Iugoslávia. Os titoístas iugoslavos se abrigavam na Liga dos Comunistas da Iugoslávia, nome do partido comunista federal daquele país após 1952. A mudança de nome se deu para refletir a intenção de desaparelhar o Estado, no sentido contrário dos demais regimes socialistas do mundo. 
Escrito por Rafael Sêga às 10h41
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Guerra Fria
Em Potsdam, foi declarado o início da Guerra Fria. O presidente Truman diz que o socialismo deve ser impedido a qualquer preço, eles não podem permitir que haja a expansão do socialismo pelo mundo, então os EUA devem agir não levando em conta os esforços humanos e materiais. É essa Doutrina Truman que causa diversos conflitos no mundo a partir de 1947 (Ex.: Guerra da Coréia, Revolução Cubana, Guerra do Vietnã, a Crise dos Mísseis, as guerras dentro da África, entre outros). Todos os golpes militares que aconteceram dentro da América Latina dizem respeito à Guerra Fria. Aconteceram golpes no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Panamá, El Salvador, Guatemala e Nicarágua. Todos esses golpes ou são sustentados pela URSS (Nicarágua) ou EUA (os demais). Essa Doutrina Truman vai prevalecer até 1989 (fim do socialismo). A União Soviética não teve nenhuma doutrina semelhante. Para que fosse rompido o socialismo na Europa, foi usado o Plano Marshall => o presidente do tesouro americano era James Marshall e ele diz que em nenhum Estado rico há a ameaça do socialismo, pois a abundância isola o socialismo da população, é o povo pobre que quer o socialismo e não os ricos. Para erguer economicamente os países europeus, foram usados 16 bilhões de dólares (hoje corresponde a 4 trilhões). Então, o Plano Marshall foi o plano de reconstrução da Europa para evitar a expansão do socialismo. Vão receber o benefício: Inglaterra, França, Alemanha, etc.. Os EUA ainda vão comprar uma grande quantidade de produtos para incentivar as indústrias desses países. O Brasil também vai ajudar esses países comprando produtos e perdoando dívidas (Inglaterra). Os EUA também ofereceram o dinheiro para os países socialistas (empréstimos feitos pelo FMI). Mas Stálin sabe que, se os países socialistas pegassem o dinheiro emprestado, eles ficariam dependentes do FMI, então Stálin proíbe e Churchill diz: "desceu sobre a Europa uma Cortina de Ferro". Daí surgiu a expressão Cortina de Ferro: países pertencentes ao bloco soviético. Para compensar, a URSS cria o COMECOM (Conselho de Assistência Econômica Mútua) => é o mercado socialista. De um lado tem o mercado capitalista impulsionado pelo Plano Marshall e, do outro lado, tem o mercado socialista impulsionado pelo COMECOM. Para operacionalizar a Doutrina Truman, foi criado a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A esse tipo de organização militar vai surgir o Pacto de Varsóvia do lado socialista. O armamento nuclear é desenvolvido pelos dois países, mas desenvolvem sabendo que não vão usar, porque se usarem, é o fim do mundo. E não há como um país se defender do outro, então se um atacasse, o outro também atacaria e seria um suicídio mútuo. Depois que as bombas explodissem, levantaria uma grande nuvem radioativa que cobriria todo o planeta e impediria a entrada dos raios solares, acontecendo o denominado Inverno Nuclear. Mas, ainda vão ser desenvolvidas armas convencionais e essas vão ser usadas. É a denominada corrida armamentista. Mas, os conflitos entre URSS e EUA não poderiam acontecer diretamente, pois poderia acontecer uma guerra nuclear, então os conflitos aconteceram nos cantos do globo. Os principais conflitos foram: Guerra da Coréia (1950-53) A Coréia era de domínio do Japão, mas como esse perdeu a guerra, perdeu também a Coréia que foi dividida (devido à Guerra Fria) em Coréia do Norte (socialista) e Coréia do Sul (capitalista). Um dia, a Coréia do Norte resolveu se unir com a Coréia do Sul, mas esta não gostou porque está recebendo dinheiro dos EUA (Plano Colombo - desenvolvimento do sudeste asiático). Então, os EUA entram na guerra do lado da Coréia do Sul e do lado da Coréia do Norte entra a China socialista de Mao-tsé-tung. Mao-tsé-tung em 1949 fez uma revolução socialista e vai vestir da mesma forma 900 milhões de chineses. Foi uma guerra muito violenta, mas não é muito conhecida porque naquela época não havia transmissão ao vivo (no Vietnã vai haver transmissão da guerra ao vivo pela CNN) e o povo não fica sabendo o que aconteceu => morreu mais gente na Coréia do que no Vietnã. Nessa guerra, os americanos criam o mito do soldado americano invencível, pois não havia documentários (cenas verdadeiras), e sim, filmes em que se exalta o soldado americano (não morre nunca !!). Na realidade, morreram muitos americanos, mas o governo americano, mandava o corpo para a América onde era enterrado e a família recebia uma pensão (apenas os familiares sabiam do acontecido, e não, toda a população). Vão ser 3 anos de uma guerra estúpida, em que morreram 4,5 milhões de pessoas e o resultado foi um EMPATE => nem o Sul avançou para o Norte, nem o Norte para o Sul. Até hoje a Coréia continua sendo dividida pelo paralelo 38. Revolução Cubana (1959) Em 1959, "debaixo do nariz do americano", acontece uma revolução em Cuba (100 milhas da Flórida) liderada por Fidel Castro e mais 14 guerrilheiros que derrubaram o governo cubano. Aí, a CIA resolve pegar um grupo de pessoas (contra Fidel) armadas e desembarcar em Cuba, mas Fidel ganha de novo. Quando a CIA resolve tentar de novo, Fidel já tinha pedido à URSS para ser socialista e esta diz que se Kennedy (presidente dos EUA) atacar Cuba, a URSS usaria o armamento nuclear, então desde essa época Cuba é socialista. Guerra do Vietnã (1960-75) No Vietnã havia um homem chamado Ho Chi Minh. Esse homem enfrentou a França em 1954 e ganhou dela na batalha de Dien Bien Phu com a ajuda da vegetação natural - uma floresta densa, chuvosa e quente. Em 1959, o Vietnã foi dividido em 2: Vietnã do Norte (socialista) e Vietnã do Sul (capitalista). Um dia, o Vietnã do Norte resolveu se unir com o Vietnã do Sul. Aí, o presidente Kennedy resolve entrar na guerra e, em 1960, manda 60 observadores e esse número vai aumentando até que, em 1968, são 560 mil soldados americanos que não vencem Ho Chi Minh. Mais uma vez, a vegetação e o clima local vão ajudar Minh. Mas, ao contrário da Guerra da Coréia, Minh resolve fazer uma nova tática => não vão matar o americano, apenas aleijá-lo com minas especiais. Quando o americano é aleijado, ele volta para os EUA e todos vão ver o que está acontecendo na guerra, e não, como na Coréia em que só vinham mortos e poucos sabiam. É o fim do mito do soldado invencível. No começo, os EUA gastavam 60 mil dólares por dia. Em 1968, já vai gastar 60 milhões de dólares por dia. Vão começar a jogar bombas incendiárias a base de enxofre para queimar a floresta e quem estivesse nela, usaram um agente químico que acabava com todo o ecossistema local, usaram o agente laranja que fazia as folhas das árvores caírem e era altamente cancerígeno. Mesmo usando tudo isso, os EUA vão perder a guerra e milhares de americanos morreram, ficaram aleijados ou com câncer. Crise dos Mísseis em Cuba (1962) Esse foi o conflito mais perigoso na época da Guerra Fria. Foi a tentativa de Kruchev e Fidel Castro de construir uma base de mísseis nucleares em Cuba, mas os EUA não podem permitir que essa base seja construída devido à pequena distância existente entre Cuba e EUA, pois se fosse disparado um míssil, os EUA não teriam tempo de se defender ou contra-atacar. O presidente dos EUA (Kennedy) ameaça jogar um míssil nuclear em Cuba, caso houvesse a construção. Nessa época, ficou muito próximo de ocorrer a Terceira Guerra Mundial, isto é, foi o ponto mais atritoso entre URSS e EUA. Isso acabou gerando uma crise de pânico no Rio de Janeiro que diziam que o mundo acabaria. Quem ganha a Guerra Fria são os Estados Unidos, pois a URSS acaba falida. 
Escrito por Rafael Sêga às 22h35
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Revoltas da República Velha
Durante muito tempo , a história tradicional fez vista grossa para a opressão e a miséria que vitimava o povo . Quando ficou impossível ocultar a exploração , criaram mentiras sobre o caráter brasileiro. Mentira segundo a qual somos tontos e conformados com a vida subdesenvolvida que levamos . Mas as revoltas político-sociais mostravam, claramente que não somos tão pacíficos e cordeiros como a velha história quer mostrar.
A Revolta de Canudos (1893 – 1897)
No governo de Prudente de Morais eclodiu um grande movimentos de revolta social entre os humildes sertanejos baianos . O líder dos sertanejos era Antônio Vicente Mendes Maciel , mais conhecido como Antônio Conselheiro. Esse homem, senhor de fervorosa religiosidade, foi considerado missionário de Deus pela vasta legião de sertanejos que , desiludidos das autoridades constituídas escutavam suas pregações político – religiosas.
Não compreendendo certas mudanças surgidas com a republica , Antônio Conselheiro declarava-se , por exemplo , contra o casamento civil e por isso foi identificado como um fanático religioso e monarquista.
Revoltas Messiânicas
A fé popular e a luta contra a opressão
O termo messianismo é usado para designar os movimentos sociais em que milhares de sertanejos fundaram importantes comunidades comandadas por um líder religioso e a ele era atribuído qualidades como o dom de fazer milagres , realizar curas e profetizar acontecimentos .
O messianismo desenvolveu-se em áreas rurais pobres que reagiram a miséria. Seus componentes Básicos eram: a religiosidade do sertanejo e seu sentimento de revolta contra a miséria , a opressão e as injustiças das republicas dos coronéis.
A Luta Possível
Muita coisa divulgou-se sobre Antônio Conselheiro e sua gente , diziam que eram loucos , monar- quistas e comunistas . Durante muito tempo esconderam a verdade e o motivo que unia os sertanejos em canudos : a vontade de escapar da fome e da violência do sertão.
Conseguindo reunir um grande número de seguidores , Antônio Conselheiro estabeleceu em canudos, um velho arraial no sertão baiano . Em pouco tempo canudos era uma das cidades mais povoadas da Bahia .
Eles viviam num sistema comunitário , em que as colheitas , rebanhos e os frutos eram repartidos entre todos. Ninguém possuía nenhuma propriedade , pois os únicos bens era a roupa, moveis , etc...
Com isso fazendeiros começaram a temer o poder de Antônio Conselheiro e exigiram do governo estadual que acabasse com o arraial de Canudos. Nisso travou-se grandes batalhas até que um dia , organizou-se um exército de 7 mil homens , que destruiu Canudos completamente e toda população sertaneja morreu defendendo sua comunidade.
Guerra do Contestado (1912 – 1916)
Além de canudos , outro grande movimento messiânico ocorreu na fronteira entre o Paraná e Santa Catarina . Nessa região era muito grande o número de sertanejos sem – terra e famintos que viviam sob dura exploração dos fazendeiros e duas empresas norte-americanas que ali atuavam.
Os sertanejos do Contestados se organizaram e eram liderados por João Maria , Logo após sua morte outro monge , conhecido como José Maria ( seu nome verdadeiro era Miguel Lucema Boa Ventura )
José Maria reuniu mais de 20 mil sertanejos e fundaram alguns povoados chamados “Monarquia Celeste” , como em Canudos , os sertanejos do Contestados foram violentamente perseguidos e expulsos das terras que ocupavam . Em novembro de 1912 , o monge José Maria Foi morto e seus seguidores tentaram resistir e foram arrasados por tropas de 7 mil homens armados de canhões , metralhadoras e até aviões de combate.
A Revolta da Vacina ( 1904 )
A fúria popular explode nas ruas do Rio de Janeiro
No Governo do Presidente Rodrigues Alves ( 1902 – 1906 ) , o Rio de Janeiro , capital da republica , já era uma cidade com graves problemas urbanos e sociais: pobreza , desemprego , lixo , muitos ratos e mosquitos transmissores de doenças. Muitas pessoas morriam em conseqüência de epidemias como febre amarela , peste bribonica e varíola.
O governo decidiu, modernizar a cidade e tomar medidas drásticas contra as epidemias ,derrubou cortiços ,casebres e a população dali foram expulsas , Depois disso, o Prefeito Pereira Passos iniciou as obras de modernização da cidade. Para combater as epidemias teve o conselho do sanitarista Osvaldo Cruz que organizou um exército de funcionários da saúde e começou a destruir focos de ratos e mosquitos.
Osvaldo Cruz convenceu o presidente a decretar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola, o que gerou a revolta da população que diziam ser uma falta de vergonha as mulheres a se vacinar, pois achavam que as vacinas eram aplicadas nas partes intimas das mulheres.
O resultado de tanta reação foi uma revolta popular que explodiu pelas ruas do Rio de Janeiro , que o governo conseguiu controlar com tropas do corpo de bombeiros e a cavalaria.
A Revolta da Chibata ( 1910 )
Os marinheiros sob o comando do Almirante Negro
No final do governo do presidente Nilo Peçanha , estourou uma revolta de 2 mil marujos da marinha brasileira liderada pelo marinheiro João Cândido.
Primeiramente , os revoltosos tomaram o comando do navio Minas Gerais , matando na luta o comandante e três oficiais que resistiram. Depois, assumiram o controle dos navios São Paulo , Bahia e Deodoro em seguida apontaram os canhões para a cidade do Rio de Janeiro e enviaram um comunicado ao presidente explicando as razões da revolta . Queriam mudanças no código de disciplina da marinha , que punia as faltas graves com 25 Chibatadas.
O governo cedeu e aprovou um projeto que acabava com as chibatadas e anistiava os revoltosos , mas o governo não cumpriu a promessa , esquecendo a anistia , decretou a expulsão de vários marinheiros e a prisão de alguns lideres .
João Cândido foi preso , julgado e absolvido em 1912. Passou para a história como o Almirante Negro que acabou com as chibatadas na marinha do Brasil.
A Revolta do Forte de Copacabana ( 1922 )
A primeira revolta tenentista eclodiu no dia 5 de julho de 1922 e foi liderada por 18 tenentes , que reunindo uma tropa de 300 homens , decidiram agir contra o governo e impedir a posse do presidente Artur Bernades. Mas a revolta não teve êxito com uma tropa superior a deles o governo acabou ganhando a batalha e dessa luta apenas dois rebeldes escaparam com vida : Eduardo Gomes e Siqueira Campos.
A Revolta de 1924
Fracassada a revolta do Forte de Copacabana , Artur Bernades tomou posse da presidência. Teve porem que enfrentar, dois anos depois, uma nova revolta tenentista.
A revolta liderada pelo General Isidoro Dias Lopes , Pelo tenente Juares Távora e por políticos , como Nilo Peçanha , eclodiu em São Paulo , Também no dia 5 de Julho.
Com uma tropa de aproximadamente 1000 Homens os revolucionários ocuparam lugares estrategicos da cidade de São Paulo . Durante a ocupação , diversas batalhas foram travadas entre os rebeldes e as tropas do governo.
O governo paulista fugiu da capital , indo para outro lugar próximo , onde recebeu ajuda do Rio de Janeiro e preparou uma violenta ofensiva contra os rebeldes , percebendo que não tinha mais como resistir , o General Isidoro Dias Lopes , decidiu abandonar a cidade . Com uma numerosa e bem armada tropa, formou a Coluna Paulista , que tinha como objetivo continuar a luta contra o governo, levando a revolução para outros Estados do Brasil.
A revolta do Forte de Copacabana , a Revolução de 1924 , não produziram efeitos imediatos na estrutura política Brasileira , Contudo , conseguiram manter a chamada revolta contra o jugo das Oligarquias.
Escrito por Rafael Sêga às 13h12
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Economia da República Velha
Encilhamento
O encilhamento ocorreu durante o governo provisório de Deodoro da Fonseca (1889-1891). O Ministro da Fazenda Rui Barbosa, na tentativa de estimular a industrialização do Brasil, adotou uma política emissionista baseada em créditos livres aos investimentos industriais garantidos pelas emissões monetárias. A especulação financeira desencadeada, a inflação e os boicotes através de empresas-fantasmas e ações sem lastro desencadearam, em 1890, a Crise do Encilhamento. Os problemas trazidos pelo encilhamento foram parcialmente resolvidos no governo Campos Sales. O ato de encilhar refere-se às apostas que seriam o modo com que os especuladores atuavam na Bolsa de Valores com as empresas fantasmas. Esta crise causou o aumento da inflação, crise na economia e aumento da dívida externa. A política econômica executada por Joaquim Murtinho conteve a emissão da moeda e procurou estimular o crescimento industrial do país.
O cenário, no campo da política econômica, era o seguinte: a República dos Estados Unidos do Brasil, recém-proclamada pelo chefe do governo provisório (15.11.1889 a 21.01.1891), marechal Deodoro da Fonseca, experimentava momentos de intenso debate em torno do seu maior desafio que era o de superar a escassez de moeda – agravada pelo crescimento do trabalho assalariado, resultado do fim da escravidão e da maciça chegada de imigrantes. Os metalistas defendiam a volta do padrão ouro. Os papelistas acreditavam que a pressão sobre o crédito seria sanada com a emissão de moeda.
Rui Barbosa, nomeado ministro e secretário de Estado dos Negócios da Fazenda, desejava substituir a antiga estrutura agrária baseada na exportação de café, promover a industrialização e incentivar o crescimento econômico.
Em 1890, Deodoro da Fonseca propõe uma série de medidas legislativas na área financeira a seu ministro da Fazenda, Rui Barbosa, para desenvolver o mercado de capitais brasileiro. A tomada destas medidas recebeu o nome de encilhamento, que é o ato de arrear (equipar) o cavalo, preparando-o para a corrida.
Abriram-se várias linhas de crédito para investimentos produtivos e em bolsas de valores e aumentaram muito os bancos emissores, fazendo que crescesse em demasia a oferta monetária, sem que se preocupasse com o lastro-ouro, ocasionando, assim, inflação e o fenômeno conhecido como moeda-podre (ou desvalorização monetária). Além da inflação alta, o surto especulativo nas bolsas de valores culminou com o fechamento de várias empresas e, por conseguinte, uma recessão na economia, além da sonegação fiscal, isto é, aquisição de empréstimos para outros fins, geralmente de interesse pessoal, e venda de ações das empresas-fantasmas (que não foram abertas com o capital requisitado).
Somente, no governo de Campos Sales, com Rodrigues Alves no comando da economia brasileira, foi debelado os efeitos da crise do encilhamento.
Inspirado no sistema bancário norte-americano e coerente com seus "ideais liberais", Rui Barbosa decreta a lei bancária de 17 de janeiro de 1890, que estabelecia as emissões bancárias sobre um lastro constituído por títulos da dívida pública. O ministro lança as bases de uma política industrial nacional, apoiando, com medidas legais, a emergência de sociedades por ações. Pretendia o despertar das forças produtivas entravadas por um aparelho estatal obsoleto e por um retrógrado sistema econômico e financeiro. Essa política monetária, chamada de Encilhamento, buscava atender às legítimas necessidades dos negócios emperrados por uma demanda reprimida de numerário. Foram, então, criadas três instituições regionais – cada uma com seu banco emissor (Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul). No Rio de Janeiro (região central) foi criado o Banco dos Estados Unidos do Brasil (BEUB). Cada região bancária tinha a função de expandir o crédito e estimular a criação de novas empresas.
Entretanto, o resultado da "má-fé emissiva" (os agentes autorizados pelo governo agiam livremente, sem qualquer vigilância oficial) foi um desastre. Em vez de financiar a indústria e o desenvolvimento, provoca um dos mais importantes surtos inflacionários do país e conseqüente especulação financeira na bolsa de valores. Fora do propósito inicial, o dinheiro foi desviado para toda sorte de negócios, enquanto a economia brasileira sofre violento "colapso".
Em 20 de janeiro de 1891, Rui Barbosa perde o cargo de primeiro-ministro da Fazenda do Brasil, no qual manteve-se por 14 meses.
Política Financeira de Campos Sales (1898-1902) A inflação foi criada na política emissionista do Deodoro havia excesso de dinheiro em circulação, esse dinheiro em circulação recebe o nome de liquidez. Então, é necessário reduzir a liquidez do mercado e ele vai fazer isso, assim como foi no Plano Collor (1990) Collor indisponibilizou o dinheiro que estava na poupança durante 1 ano e meio, com essa medida ele causou a "desgraça" financeira de muitas pessoas e diminuiu a inflação em 2 meses de 84,32 % ao mês para zero (acabou com a inflação, pois não há dinheiro para comprar os produtos), mas o PIB teve uma queda de 4,5 %. Assim também ocorreu no governo de Campos Sales, mas a desgraça que foi provocada foi ainda maior; as fábricas que não tinham fechado na crise do Encilhamento, tiveram sua falência agora, houve desemprego, o governo cortou gastos sociais e pessoas morreram de fome no Rio de Janeiro. A inflação acabou, mas depois vem outro presidente (Afonso Pena) que desfaz tudo e passa a emitir papel moeda. O Brasil ainda tem o problema da dívida externa que é muito grande e consome toda a riqueza produzida no país. Aí, o Brasil resolve fazer o funding-loan (renegociação da dívida). O Brasil vai parcelar sua dívida em vários anos.
Rodrigues Alves Depois de Campos Sales veio Rodrigues Alves e quando faltavam apenas 6 meses para acabar seu governo, ocorre o Convênio de Taubaté (1906) que era uma reunião de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A produção de café da passagem do séc. XIX para o XX, aumentou em 60%, mas o consumo aumentou apenas 15%, com isso ocorre uma baixa no preço do café. Ao invés dos cafeicultores diminuírem a produção, vão querer que o prejuízo seja passado para a nação e não para eles. Como Rodrigues Alves já estava saindo do governos, vai dizer para os cafeicultores esperarem o próximo presidente que foi Afonso Pena.
Política de Valorização do Café (Afonso Pena - 1906-09) Então, o Convênio de Taubaté acontece no governo de Rodrigues Alves, mas a política acontece no governo de Afonso Pena que é um cafeicultor mineiro. Para assumir a presidência, Afonso Pena teve que assumir a obrigação da política de valorização do café. O Preço do café era de 45 francos-ouro por saca de café. Mas os cafeicultores queriam que fosse pago a eles o preço de 55 e quem tinha que pagar essa diferença de 10 era o governo, para isso, vai ter que realizar empréstimos externos (15 milhões de libras esterlinas no 1.º ano e até 1930 vão ser 75 milhões para comprar café - esse dinheiro poderias ser usado para que o Brasil se industrializasse). Se o café não fosse vendido, o governo teria que comprar o excedente não comercializado pelo preço de 55. Em 1929, ocorreu o "crack" da bolsa de NY e ficaram sem ser vendidos 27 milhões de café. A sorte é que houve a Revolução de 30 e os cafeicultores foram retirados do poder. O problema é que a maioria dos agricultores vão passar a plantar café porque sabem que o governo vai pagar um preço bom (mas não há mais mercado). Outro problema é que a maioria vai passar a plantar e colher o café de qualquer jeito, porque sabia que o preço seria o mesmo do bom e do mau produto (55 francos-ouro por saca) e tendo um gasto menor, o lucro seria melhor.
Plano de Estabilização de Washington Luiz (1926-30) Washington Luís é um cafeicultor paulista. Ele vai pegar o país num verdadeiro caos: inflação, dívida externa, escassez de recursos, etc.. Aí, ao invés dele acabar com essa política de valorização do café que existe desde 1906, vai tentar resolver o problema de outra maneira.: vai criar uma nova moeda: o cruzeiro (antes eram os réis). Essa moeda vai seguir um padrão-ouro ela é lastreada em metal precioso e para mostrar que o plano era sério, essa moeda vai ser conversível quando alguém desconfiasse da moeda, poderia ir no Banco do Brasil e trocaria o dinheiro por ouro - era necessário que o Brasil tivesse que ter o ouro correspondente à emissão. O Brasil não possuía tanto ouro assim, então vai recorrer a empréstimos externos: da Inglaterra foram 8 milhões de libras esterlinas e dos EUA mais 40 milhões de dólares ao todo foram 30 milhões de libras esterlinas. Todo esse dinheiro foi convertido em ouro e posto na Caixa de Estabilização e a partir dessa Caixa foi emitida a nova moeda. Sem dúvida alguma esse plano acabaria com a inflação, mas ninguém contava com um problema: o "crack" da Bolsa de Valores de NY em 1929. Quando ocorre isso, o governo americano resolve "pegar de volta" os investimento e vai tomar o dinheiro que foi emprestado para o Brasil, a Inglaterra faz o mesmo pois também entrou em crise e o Brasil "para não ficar de fora" também entrou em crise. A moeda brasileira já não vai ser lastreada em ouro e ocorre uma enorme inflação. Em 1929, Washington Luís tem que valorizar (comprar) 27 milhões de sacas de café a 55 francos-ouro, pois nem EUA, nem Europa vão comprar mais o café. Aí, ele rompe a aliança com MG, tenta comprar apenas o café de SP e explode a Revolução de 30, entra Getúlio Vargas e esse industrializa o Brasil.
Surtos Industriais Enquanto tudo isso não acontece, o Brasil fica com seu restrito parque industrial. Depois que os oligarcas assumem o poder, as indústria ficam completamente abandonadas: uma parte das indústrias faliu no plano de Deodoro, uma outra parte faliu na política recessiva de Campos Sales e o que sobra são fábricas muito pequenas. As fábricas que fecham, acabam tendo suas máquinas se transformando em sucatas. À medida que ocorre a crise, os grandes proprietários resolvem vender essas máquinas e quem as compra pertence à camada média urbana, então surge uma burguesia desvinculada da cafeicultura. Então, as indústrias nesse período da República Velha não tiveram nenhuma política do governo para desenvolvê-las; há um pequeno crescimento em épocas especiais, onde a importação de industrializados não é possível. O surto industrial mais importante ocorreu no governo de Wenceslau Brás, devido à I Guerra Mundial. Os europeus e americanos param de comprar café e os submarinos alemães "fecham" o Atlântico, com isso fica impossibilitada a importação de industrializados, surge então o surto industrial. Essa burguesia da classe média, então, aposta tudo o que tem na aquisição de máquinas. Ele se arrisca e vai se dar bem. É uma indústria rudimentar, mas os produtos serão vendidos para a classe mais pobre da sociedade. As camadas médias urbanas se fortalecem e começam a pensar na industrialização, urbanização, empregos, universidades, etc.. Agora fica bem claro que os oligarcas não mantêm mais a homogeneidade (estão falindo), porque o sistema não foi feito para permitir a existência de uma burguesia, mas essa aparece. O Brasil passou a exportar para os países platinos e vai inclusive emprestar dinheiro para a Rússia. Ocorre o fortalecimento do proletariado e estes acabam fazendo greves: a mais importante foi a Greve Geral da cidade de SP - 1917 agora a parada das empresas ganha importância, pois o país (o PIB) depende das indústrias. A greve começa com uma fábrica, onde os trabalhadores reclamavam do salário, do calor, do escuro e resolvem fazer greve, aí os trabalhadores das outras fábricas aderem ao movimento. Ocorre uma grande greve e nem a polícia, nem o exército de SP conseguem acabar com o movimento e a cidade passa a ser do proletariado, que vai saquear as mercearias e andar de bonde.
Escrito por Rafael Sêga às 13h08
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PERÍODO REGENCIAL
Regência Trina Provisória (abril a junho de 1831) Composta por Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos e Francisco de Lima e Silva. O principal ato dos regentes foi a promulgação da Lei Regencial, que suspendia temporariamente o exercício do poder Moderador.
Regência Trina Permanente (1831/1835) Composta por Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho e Bráulio Muniz. O ministro da Justiça foi o padre Diogo Antônio Feijó, que criou a Guarda Nacional; uma milícia armada formada por pessoas de posses, que se transformou no principal instrumento de repressão da aristocracia rural, para conter os movimentos populares. O comando da Guarda Nacional nos municípios era entregue ao coronel, patente vendida aos grandes proprietários de terras, que assumiam, localmente, as funções do Estado, garantindo a segurança e a ordem. No ano de 1832, foi aprovado o Código do Processo Criminal, que concedia aos municípios uma ampla autonomia judiciária. Esta autonomia será utilizada para garantir a imunidade aos grandes proprietários de terras. No ano de 1834, procurando atenuar as disputas políticas entre exaltados e moderados, foi elaborado o Ato Adicional, que estabelecia algumas alterações na Constituição de 1824.
A seguir, as emendas à Constituição de 1824:
-a criação das Assembléias Legislativas Provinciais, substituindo os Conselhos Provinciais e garantindo uma maior descentralização administrativa; -a extinção do Conselho de Estado, que assessorava o imperador no exercício do poder Moderador -criação do Município Neutro do Rio de Janeiro, sede da administração central; -substituição da Regência Trina pela Regência Una, eleita pelas assembléias de todo país. O mandato do regente seria de quatro anos. Semelhante medida é tida como uma experiência republicana. O Ato Adicional é visto como um avanço das idéias liberais visando garantir uma maior autonomia aos poderes locais. No ano de 1835 o padre Feijó foi eleito regente uno.
A REGÊNCIA UNA DE FEIJÓ (1835/1837) Durante a regência de Feijó a uma reorganização dos grupos políticos. O grupo Moderado divide-se em progressistas, defensores da autonomia provincial, e os regressistas, que pregavam uma maior centralização política, para enfrentar os movimentos populares. Os progressistas criaram o Partido Liberal, e os regressistas o Partido Conservador. Durante a regência de Feijó ocorrerá dois importantes levantes regenciais - a Cabanagem na província do Pará e a Guerra dos Farrapos, na província do Rio Grande do Sul. Mostrando incapacidade para conter as revoltas, Feijó sofre grande oposição parlamentar sendo obrigado a renunciar em 1837.
A REGÊNCIA UNA DE ARAÚJO LIMA ( 1837/1840) Araújo Lima era presidente da Câmara e partidário dos Conservadores. Sua regência é de caráter conservador. Os movimentos populares eram atribuídos às reformas liberais do Ato Adicional. Procurando restaurar a ordem no país, o Ato Adicional foi alterado, mediante a aprovação, no ano de 1840, da Lei Interpretativa do Ato Adicional, que suprimia a autonomia das províncias e garantia a centralização política. No ano de 1840 foi fundado o Clube da Maioridade, que defendia a antecipação da maioridade do imperador. Segundo os membros do Clube, a presença do imperador contribuiria para cessar os movimentos populares. Em julho de 1840, após a aprovação de uma emenda constitucional - que antecipava a maioridade do imperador - D. Pedro II foi coroado imperador do Brasil. Este episódio é conhecido como Golpe da Maioridade ( D. Pedro tinha, na ocasião 15 anos ).
As Rebeliões Regenciais
O período regencial foi marcado por uma grande instabilidade política, devido aos conflitos entre a própria elite dirigente - os liberais e os conservadores - e das camadas populares contra esta elite dirigente. Após a independência, tornou-se necessária a organização do Estado Nacional que, como vimos, manteve as estruturas sócio-econômicas herdadas do período colonial: o latifúndio monocultor e escravocrata, mantendo a economia nacional voltada para atender as necessidades do mercado externo. Tal quadro veio agravar a situação das camadas populares que passaram, por meio das rebeliões, a questionar a estrutura do novo Estado e a propor um novo modelo- daí as propostas separatistas e republicanas.
A CABANAGEM (PARÁ- 1835/1840)
Um dos mais importantes movimentos sociais ocorridos na história do Brasil, marcado pelo controle do poder político pelas camadas populares. A população do Pará vivia em um estado de penúria, e sua esmagadora maioria vivia em cabanas, à beira dos rios, em condições de absoluta miséria. O início do levante está ligado às divergências, no interior da elite dirigente, em torno da nomeação do presidente da província. A revolta contou com apoio da população pobre -insatisfeita com as péssimas condições de vida e contra os privilégios das oligarquias locais. Em 06 de janeiro de 1835, os cabanos dominam a capital da província e ocupam o poder. Estabelecem um governo autônomo e de caráter republicano. Entre os principais líderes encontravam-se o cônego Batista Campos, os irmãos Antônio e Francisco Vinagre, Eduardo Angelim e o fazendeiro Clemente Melcher-proclamado o novo presidente da província. A Cabanagem foi um movimento essencialmente popular. Em virtude de traições ficou enfraquecido, facilitando a repressão pelas forças regenciais. A primeira rebelião popular da história brasileira terminou com um saldo de mais de 40.000 mortes, em população de aproximadamente 100.000 pessoas.
A GUERRA DOS FARRAPOS (RIO GRANDE DO SUL- 1835/1845) A revolução farroupilha foi a mais longa que já ocorreu na história brasileira. O movimento possui suas raízes na base econômica da região. A economia gaúcha desenvolveu-se para atender as necessidades do mercado interno -a pecuária e a comercialização do charque. Os fazendeiros de gado gaúcho, denominados estancieiros, se revoltaram contra a elevação dos impostos sobre o charque, impedindo de competir com o charque argentino- que era privilegiado com tarifas alfandegárias menores. Os estancieiros reivindicavam uma maior autonomia provincial. Os farroupilhas -que pertenciam ao Partido Exaltado, em sua maioria republicanos; liderados por Bento Gonçalves ocuparam Porto Alegre - no ano de 1835 - e em 1836 proclamaram a República de Piratini. Em 1839, com o auxílio do italiano Giuseppe Garibaldi e Davi Canabarro proclamaram a República Juliana, região de Santa Catarina. Com o golpe da maioridade, em 1840, D. Pedro II; procurando pacificar a região, prometeu anistia aos revoltosos -medida que não surtiu efeito. Em 1842 foi enviado à região Luís Alves de Lima e Silva - o barão de Caxias -para dominar a região. Em 1845 foi assinado um acordo de paz - Paz de Ponche Verde - entre Caixas e Canabarro, que entre outras coisas estabelecia anistia geral aos rebeldes, libertação dos escravos que lutaram na guerra e taxação de 25% sobre o charque platino.
A SABINADA (BAHIA - 1837/1838) Movimento liderado pelo médico Francisco Sabino Barroso, contrário à centralização política patrocinada pelo governo regencial. Foi proclamada uma república independente até que D. Pedro II assumisse o trono imperial. O governo central usou da violência e controlou a rebelião, que ficou restrita à participação da camada média urbana de Salvador.
A BALAIADA (MARANHÃO - 1838/1841) Movimento de caráter popular que teve como líderes Raimundo Gomes, apelidado de "Cara Preta"; Manuel dos Anjos Ferreira, fabricante de cestos e conhecido como "Balaio" e Cosme Bento, líder de negros foragidos. A grave crise econômica do Maranhão e a situação miserável da população, provocou uma rebelião contra a aristocracia local. Os rebeldes ocuparam a cidade de Caxias e procuraram implantar um governo próprio. A repressão regencial foi liderado por Luís Alves de Lima e Silva, que recebeu o título de "barão de Caxias" pelo sucesso militar. Houve ainda um outro levante, que durou apenas dois dias, mas tem grande importância, por tratar-se de uma rebelião de escravos. Trata-se da Revolta dos Negros Malês, ocorrida na Bahia, no ano de 1835. Os negros malês eram de religião muçulmana, e se rebelaram contra a opressão dos senhores brancos. Com gritos de "morte aos brancos, viva os nagôs", espalharam pânico pela região. A repressão foi muito violenta.
Escrito por Rafael Sêga às 13h18
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O SEGUNDO REINADO
POLÍTICA INTERNA
A vida política nacional, ao longo do Segundo Reinado, foi marcada pela atuação de dois partidos políticos: o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos representavam a classe dominante, defendiam a monarquia e a manutenção da mão-de-obra- escrava. Por isto, não apresentavam divergências ideológicas, justificando uma frase muito comum na época: "Nada mais parecido com um conservador do que um liberal no poder, e nada mais parecido com um liberal do que um conservador no poder". O primeiro ministério do Segundo Reinado era composto por liberais, que apoiaram o golpe da Maioridade. Funcionou de 1840 a 1841 e ficou conhecido como "Ministério dos Irmãos", sendo formado pelos irmãos Cavalcanti, Coutinho e Andrada. O gabinete ministerial sofria oposição da Câmara, formada, na sua maioria por conservadores. Diante desta situação, a Câmara de Deputados foi dissolvida e marcada novas eleições.P ara garantir uma maioria de deputados liberais, os membros do Partido Liberal, usando de violência, fraudaram as eleições e garantiram a maioria parlamentar. Tal episódio é conhecido como "eleições do cacete".Os conservadores reagiram e exigiram que o imperador dissolvesse a Câmara que havia sido eleita nas "eleições do cacete". D. Pedro II demitiu o ministério liberal, nomeou um ministério conservador e marcou novas eleições - também marcadas pelas fraudes.A vitória dos conservadores e o avanço de medidas centralizadoras provocaram uma reação dos liberais, em São Paulo e Minas Gerais - a chamada Revolta Liberal de 1842. Em 1844 o imperador demitiu o gabinete conservador e nomeou um gabinete liberal, cuja principal decisão foi a criação da tarifa Alves Branco (1844), que extinguiu as taxas preferenciais aos produtos ingleses.
PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS
O parlamentarismo é um regime político onde o partido que detém a maioria no Parlamento indica o primeiro-ministro, que é o chefe de governo e comanda o poder Executivo. Desta forma, o Executivo fica subordinado ao Legislativo.No Brasil, ao contrário, o primeiro-ministro era escolhido pelo imperador. Se a Câmara não tivesse uma maioria de parlamentares do partido do ministério adotado, ela seria dissolvida e novas eleições eram marcadas, o que tornava o Legislativo refém do Executivo.
REVOLUÇÃO PRAIEIRA (PERNAMBUCO- 1848/1850)
Movimento que ocorreu na província de Pernambuco, e está relacionado aos levantes liberais de 1848, período conhecido como Primavera dos Povos. As causas do movimento podem ser encontradas no controle do poder político pela família dos Cavalcanti e no monopólio do comércio exercido pelos estrangeiros, principalmente portugueses e que não empregavam trabalhadores brasileiros, desenvolvendo um forte sentimento antilusitano. O porta-voz da rebelião era o Diário Novo, jornal dos liberais que estava instalado na Rua da Praia - daí a denominação de praieiros aos rebeldes -que no ano de 1848 publicou o "Manifesto ao Mundo", redigido por Borges da Fonseca. O manifesto, fortemente influenciado pelas idéias dos socialismo utópico, reivindicava o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, autonomia dos poderes, liberdade de trabalho, federalismo, nacionalização do comércio varejista, extinção do poder Moderador e do Senado vitalício e a abolição do trabalho escravo. Entre as lideranças do movimento, que contou com forte apoio popular, encontram-se Nunes Machado e Pedro Ivo.
POLÍTICA EXTERNA
A política externa brasileira, durante o 2.° Reinado, foi marcada por conflitos na região do Prata - responsáveis pela Guerra do Paraguai e por atritos diplomáticos com a Inglaterra.
CAMPANHAS BRASILEIRAS NO PRATA
Entre 1851 e 70, o governo brasileiro realiza intervenções militares na região platina, formada pela Argentina, Uruguai e Paraguai. Os motivos destas intervenções eram as disputas territorias, a tentativa de impedir a formação de um Estado poderoso e rival e garantir a livre navegação nos rios da bacia do Prata (Paraná, Paraguai e Uruguai).
CAMPANHA CONTRA ORIBE
O Uruguai possuia dois partidos políticos: o Blanco, liderado por Manuel Oribe, aliado dos argentinos; e o Colorado, liderado por Frutuoso Rivera, apoiado pelo Brasil. A aliança entre Manuel Oribe, então presidente do Uruguai, com o governo argentino de Juan Manuel Rosas, trouxe a tona a idéia de restauração do antigo vice -reinado do Prata. Procurando garantir a livre navegação no rio da Prata, D. Pedro II envia uma tropa militar sob o comando de Caxias. Esta tropa recebe o apoio das tropas militares de Rivera que, juntas, depuseram Manuel Oribe do poder.
CAMPANHA CONTRA ROSAS (1851)
Como Rosas apoiava os blancos, o governo imperial organizou uma expedição e invadiu a Argentina. Os brasileiros venceram, na batalha de Monte Caseros, depuseram Rosas e, em seu lugar colocaram o general Urquiza, auxiliar do Brasil na campanha contra Oribe. No ano de 1864 outro conflito na região, desta vez envolvendo o Paraguai.
GUERRA DO PARAGUAI (1864/1870)
O Paraguai se constituiu em uma exceção na América Latina, durante o século XIX, em virtude de seu desenvolvimento econômico autônomo. Durante os governos de José Francia (1811/1840) e Carlos López (1840/1862) houve um relativo progresso econômico, com construção das estradas de ferro, sistema telegráfico eficiente, surgimento das indústrias siderúrgicas, fábricas de armas e a erradicação do analfabetismo. As atividades econômicas essenciais eram controladas pelo Estado e a balança comercial apresentava saldos favoráveis, garantindo a estabilidade da moeda, criando as condições para um desenvolvimento auto-sustentável, sem recorrer ao capital estrangeiro. Solano Lópes, presidente do Paraguai a partir de 1862, inicia uma política expansionista, procurando ampliar o território paraguaio. O objetivo desta política era conseguir acesso ao oceano Atlântico, para garantir a continuidade do desenvolvimento econômico da nação. A expansão territorial do Paraguai deu-se com a anexação de regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil. Ademais, a Inglaterra não via com bons olhos o desenvolvimento autônomo do Paraguai, achando necessário destruir este modelo econômico. No ano de 1864, o governo paraguaio aprisionou o navio brasileiro Marquês de Olinda, e invadiu o mato Grosso, levando o Brasil a declarar guerra ao Paraguai. Em 1865 é formada a Tríplice Aliança, união das forças brasileiras, argentinas e uruguaias contra o Paraguai.
PRINCIPAIS BATALHAS
Batalha de Riachuelo e a batalha de Tuiuti, onde as forças paraguaias foram derrotadas; após a nomeação de Caxias no comando das tropas brasileiras ( no lugar do general Osório ), houve sucessivas vitórias nas batalhas de Humaitá, Itororó, Avaí, Lomas Valentinas e Angostura. Solano López foi morto em 1870, na batalha de Cerro Corá.
CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA DO PARAGUAI
A guerra serviu para destruir o modelo econômico do Paraguai, tornando-o um dos países mais pobres do mundo, sua população sofreu uma drástica redução ( cerca de 75% dela morreu na guerra). Para o Brasil, a participação na guerra contribuiu para o aumento da dívida externa e a morte de aproximadamente 40 mil homens. A Inglaterra foi a grande beneficiada com a guerra, pois acabou com a experiência econômica do Paraguai na região, e seus empréstimos reafirmaram a dependência financeira do Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra do Paraguai marca o início da decadência do Segundo Reinado, em razão do fortalecimento político do Exército, que torna-se um foco abolicionista e republicano.
ECONOMIA
Durante o Segundo Reinado houve uma diversificação das atividades econômicas, muito embora o modelo econômico estivesse voltado para atender as necessidades do mercado externo. O cacau e a borracha ganharam destaque na produção agrícola. O surto da borracha - Pará e Amazonas - levou o Brasil a dominar 90% do comércio mundial. Porém, o principal produto de exportação brasileira será o café.
Café: expansão e modernização O café foi introduzido no Brasil, por volta de 1727, por Francisco de Mello Palheta. A partir de 1760 o produto passou a Ter uma importância comercial, sendo utilizado para a exportação. Inicialmente no Rio de Janeiro, no vale do Paraíba e, posteriormente o Oeste paulista. No vale do Paraíba, as fazendas de café eram estruturadas de forma tradicional, ou seja, grandes propriedades que utilizavam a mãode-obra escrava. O esgotamento do solo e a escassez de terras contribuíram para a decadência da produção na região. Em contrapartida, a expansão do mercado consumidor internacional favoreceu a expansão do cultivo do café para o Oeste paulista. A economia cafeeira foi responsável pelo processo de modernização econômica do século XIX: desenvolvimento urbano, dos meios de transportes ( ferrovias e portos ), desenvolvimento dos meios de comunicação ( telefone e telégrafo ) , a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre e o surto industrial.
SUBSTITUIÇÃO DA MÃO-DE-OBRA
A crise do escravismo brasileiro está relacionado a uma série de fatores, entre os quais, as pressões inglesas sobre o tráfico negreiro e a expansão da atividade cafeeira, trazendo a necessidade de ampliar a força de trabalho. Com a extinção do tráfico negreiro em 1850- lei Euzébio de Queiróz- os fazendeiros de café tiveram que encontrar uma solução para suprir a falta de mão-de-obra; esta solução será a importação de imigrantes europeus. O pioneiro em recrutar imigrantes europeus foi um grande fazendeiro da região de Limeira, em São Paulo, o senador Nicolau de Campos Vergueiro, que trouxe para a sua fazenda famílias da Suíça e da Alemanha, iniciando o chamado sistema de parceria.
SISTEMA DE PARCERIA
O fazendeiro custeava o transporte dos imigrantes europeus até suas fazendas e estes, por sua vez, pagariam os fazendeiros com trabalho. O trabalho consistia no cultivo do café e gêneros de subsistência, entregando ao fazendeiro boa parte da produção ( dois terços). O regime de parceria não obteve sucesso, em razão dos elevados juros cobrados sobre as dívidas assumidas pelos colonos para trabalharem no Brasil, os maus tratos recebidos e o baixo preço pago pelo café cultivado. Diante do fracasso do sistema e das revoltas de colonos, outras formas de estímulo à vinda de imigrantes forma adotados. A imigração subvencionada substituiu o sistema de parcerias. Nela, o Estado pagava os custos da viagem do imigrante europeu e regulamentava as relações entre os fazendeiros e os colonos. Os grandes "importadores" de imigrantes foram a Itália e a Alemanha, países que passavam por guerras, em virtude do processo de unificação política. A consolidação do trabalho livre e assalariado fortaleceu o mercado interno brasileiro e criou condições para o desenvolvimento industrial. Com a extinção do tráfico negreiro e a entrada maciça de imigrantes europeus, abriu-se a possibilidade do desenvolvimento da chamada economia familiar: pequenas propriedades, voltadas para o abastecimento do mercado interno. Pressionado pela aristocracia rural, o governo imperial aprovou, em 1850, a chamada Lei das Terras, determinando que as terras públicas só poderiam tornar-se privadas mediante a compra. Dado ao preço elevado das terras, pessoas de poucos recursos não tinham acesso, evitando desvio de mão-de-obra para outras atividades que não fossem o setor agroexportador.
O SURTO INDUSTRIAL
O desenvolvimento industrial brasileiro está relacionado com a promulgação, em 1844 da tarifa Alves Branco, que aumentou as taxas alfandegárias sobre os artigos importados; o fim do tráfico negreiro foi um fator que também favoreceu o florescimento industrial, pois os capitais destinados ao comércio de escravos passaram a ser empregados em outros empreendimentos e, com a vinda dos imigrantes e da consolidação do trabalho assalariado, houve uma ampliação do mercado consumidor. O maior destaque industrial do período foi, sem dúvida nenhuma, Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá. Dirigiu inúmeros empreendimentos, tais como bancos, companhias de gás, companhias de navegação, estradas de ferro, fundição, fábrica de velas. No campo das comunicações, trabalhou na instalação de um cabo submarino ligando o Brasil à Europa. O surto industrial e a chamada "Era Mauá", entraram em crise a partir de 1860, com a tarifa Silva Ferraz, que substituiu a tarifa Alves Branco. Houve uma redução nas taxas de importação e a concorrência inglesa foi fatal para os empreendimentos de Mauá.
Escrito por Rafael Sêga às 13h09
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