Blog de Rafael Sêga

História 3 & 4



Revolta de Beckman

Com a saída dos holandeses do Brasil e a crise da economia açucareira, a região Nordeste tornou-se lugar de recorrentes crises de abastecimento e estagnação econômica. Ao final do século XVII, esses problemas fizeram do Maranhão uma das regiões mais carentes de todo o nordeste brasileiro. Tentando intervir na economia local, Portugal, em 1682 , decidiu criar a Companhia Geral do Comércio do Estado do Maranhão.

Essa companhia deveria desempenhar duas obrigações essenciais: comprar os gêneros agrícolas da região, vender produtos manufaturados e suprir as elites coloniais com um carregamento anual de quinhentos escravos. Essa última medida serviria para que os conflitos entre os fazendeiros e jesuítas, em torno do uso de índios como escravos, chegassem ao seu fim. Dessa forma, o monopólio comercial lusitano seria uma medida que ampliaria os lucros da metrópole, ao mesmo tempo em que encerraria as dificuldades dos colonizadores.

No entanto, ao longo do tempo, a ineficácia financeira e administrativa lusitana em nada melhorou a situação. Os fazendeiros não recebiam os lotes de escravos do governo e desgastavam-se em conflitos contra os jesuítas que impediam a escravização dos índios. Além disso, a companhia não adquiria toda produção agrícola e negociava manufaturados de má qualidade e com altos preços. Dessa forma, a população maranhense tinha seus problemas de ordem econômica agravados mediante sua dependência em relação à Coroa.

Em 24 de fevereiro de 1684, aproveitando da ausência do governador, um grupo de manifestantes promoveu um grande rebuliço em São Luís. Os revoltosos prenderam o governador interino, invadiram os colégios jesuítas e saquearam os galpões da Companhia de Comércio. Liderados pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman, a revolta exigia a melhora das relações entre Maranhão e Portugal. Ao longo de quase um ano, Manuel Beckman, também conhecido como Bequimão, controlou uma junta revolucionária que tomou o poder político da província.

Nesse meio tempo, Tomás Beckman dirigiu-se a Portugal para reafirmar lealdade às autoridades lusitanas e denunciar as infrações cometidas pela Companhia de Comércio. Impassível a uma possível negociação, Portugal respondeu o levante com a nomeação de um novo governador para o Maranhão e o envio de tropas que deveriam aniquilar o movimento. Ao chegar ao Maranhão, as tropas deram fim ao levante e os irmãos Beckman foram condenados ao enforcamento. Em 1685, com a confirmação das denúncias, a Companhia foi extinta pela Coroa.



Escrito por Rafael Sêga às 15h15
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Bandeiras

Bandeiras

O desejo de explorar o território brasileiro, a busca de pedras e metais preciosos, a preocupação do colonizador português em consolidar seu domínio e a vontade de arrebanhar mão-de-obra indígena para trabalhar nas lavouras resultaram em incursões pelo interior do país, feitas muitas vezes por milhares de homens, em viagens que duravam meses e até anos. Entradas e bandeiras foram os nomes dados às expedições dos colonizadores que resultaram na posse e conquista definitiva do Brasil. As entradas, em geral de cunho oficial, antecederam as bandeiras, de iniciativa de particulares. Tanto naquelas quanto nestas, era evidente a preocupação do europeu em escravizar o índio, e não foi pequeno o morticínio nas verdadeiras caçadas humanas que então ocorreram, como observa o historiador João Ribeiro. As bandeiras, fenômeno tipicamente paulista que data do início do século XVII, não extinguiram as entradas e também não foram iniciativa exclusiva dos mamelucos - filhos de portugueses com índias - do planalto de São Paulo. Elas marcam o início de uma consciência nativista e antiportuguesa. Os documentos dos séculos XVI e XVII chamam os bandeirantes de armador. A palavra bandeira só aparece nos documentos do século XVIII. Para designar toda e qualquer espécie de expedição era comum empregar-se: entrada, jornada, viagem, companhia, descobrimento e, mais raramente, frota. Bandeira é nome paulista e, por isso mesmo, bandeirante tornou-se sinônimo do homem paulista, adquirindo uma conotação heróica, ao juntar no mesmo vocábulo o arrojo e a tenacidade com que se empenharam na conquista do território, na descoberta do ouro e no povoamento de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Embora as bandeiras tenham tido três ciclos em sua história -- o da caça ao índio, o do sertanismo e o da mineração -- o bandeirante manteve sempre as suas características, vivendo em condições extremamente difíceis. Seu equipamento quase se reduzia ao gibão de armas, couraça de couro cru, acolchoado de algodão, para amortecer as flechadas dos índios, também chamada de "escupil", além de arcabuzes e mosquetes. Também levavam machado, enxós, foices, facões e os importantes instrumentos de mineração e apetrechos de pesca. Usavam perneiras de pele de veado ou capivara e andavam quase sempre descalços; quando montados, ostentavam nos pés nus grandes esporas. Entretanto os chefes usavam botas e chapéus de aba larga que ajudaram, ao longo dos tempos, a firmar uma imagem de guerreiro forte e destemido. De modo geral os bandeirantes não levavam provisões, mesmo nas viagens longas. Apenas cabaças de sal, pratos de estanho, cuias, guampas, bruacas e as indispensáveis redes de dormir. Quando lhes faltavam os peixes dos rios, a caça, as frutas silvestres das matas, o mel, o pinhão e o palmito das roças indígenas, alimentavam-se de carne de cobra, lagartos e sapos ou rãs. Se a água faltava, tentavam encontrá-la nas plantas, mascavam folhas, roíam raízes e, em casos extremos, bebiam o sangue de animais. Esses homens estavam tão identificados com a terra "inóspita e grande" que um documento da época assim os define: "Paulistas embrenhados são mais destros que os mesmos bichos." Quando estavam em viagem, só restava aos bandeirantes dois caminhos: seguir as águas de um rio ou abrir trilhas na selva. Antes de tudo, entrar no sertão exigia muita coragem e capacidade de improvisação. O combate na selva era sempre rude e encarniçado. O grande número de árvores e arbustos tornava impraticável a luta à distância. As escopetas e os arcabuzes valiam num primeiro momento, mas não havia tempo para recarregá-los. Muitos aprenderam o manejo do arco e flecha que, nesses momentos, tornavam-se muito mais eficientes. Em meio à luta era preciso também ter destreza com o punhal e às vezes valer-se das próprias mãos, no corpo-a-corpo inevitável. As condições eram tão rudes que os homens muitas vezes definhavam entre uma viagem e outra.



Escrito por Rafael Sêga às 15h13
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Doutrinas sociais do século XIX (2ª Parte)

O socialismo cristão

Preocupada com a miséria dos operários diante da evolução capitalista, a Igreja Católica começou a pregar idéias que pudessem vir a diminuir a exploração social. O precursor dessa tendência cristã foi o padre francês Robert de Lamennais (1782 -1854), que defendia a união sindical, a justiça social e aplicação dos ensinamentos cristãos para corrigir os males criados pelo capitalismo.

A doutrina social da Igreja foi exposta pelo Papa Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891. Nessa doutrina, a Igreja reforça a idéia da participação do Estado como condutor para a solução dos graves proble­mas sociais. Defendiam inúmeras propostas semelhantes aos socialistas científicos, porém, apresentavam uma idéia oposta, no que dizia respeito à luta de classes, pois acreditavam que com a ajuda do Estado e de Deus os problemas sociais poderiam ser pelo menos parcialmente resolvidos, sem que se tivesse necessidade do uso da violência.

 

As internacionais operárias

Em 1864 foi criada a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), sendo que um dos seus fundadores foi Karl Marx, que percebeu que a luta dos trabalhadores ganharia força através da união. Para Marx, esta associação era de suma importância, uma vez que significaria, com maior clareza, os objetivos de parte dos trabalhadores de toda a totalidade do movimento operário.

O crescimento da indústria e das lutas operárias ajudou a divulgar as propostas socialistas, surgindo um ideal comum tanto na Europa como nos Estados Unidos. Nessa época, os marxistas representavam apenas uma facção do movimento operário no contexto mundial. O Partido Social Democrata, fundado em 1869, na Alemanha, cidade natal dos dois principais nomes do marxismo, foi durante muito tempo o partido marxista mais importante do mundo.

As internacionais operárias tinham o propósito de orientar os trabalhadores no tocante às greves e direitos trabalhistas. Nesses encontros, era discutida também a situação política, social e econômica dos trabalhadores do mundo inteiro. O lema legal que orientava essas reuniões era a proposta apresentada no Manifesto Comunista: "Proletários de todo o mundo, uni-vos".

 

Os anarquistas

A doutrina política que defendia a abolição de qualquer forma de governo, desenvolvida cm meados do século XIX, recebeu o nome de anarquismo. Segundo os anarquistas, o Estado era o grande responsável por todos os males da sociedade. A proposta anarquista girava em torno da substituição do Estado por urna sociedade livre, onde os homens se relacionariam por intermédio de associações livres, eliminando polícia, leis, tribunais ou outra forma de coação.

O principal representante dessa corrente foi o pensador russo Mikhail Bakunin (1814-1876), um incansável panfleteiro e combatente nas lutas operárias. Outros pensadores anarquistas que se destacaram foram um príncipe russo de nome Kropotkin e o italiano Malatesta.

Anarquistas e marxistas, apesar de pontos comuns, discordavam em um aspecto importante. Para os marxistas, entre o capitalismo e o comunismo deve existir uma sociedade de transição, a sociedade socialista. Para os anarquis­tas, o capitalismo, sociedade da época do surgimento das idéias socialistas, deveria ser destruído e imediatamente substituído por uma sociedade comunista.

No final do século XIX, os anarquistas franceses, italianos, espanhóis e norte-americanos se unem com os sindicatos formando o anarcosindicalismo. Nesse momento, os sindicatos se transformam em agentes sociais de mudanças e grandes incentivadores da luta em prol da conquista dos direitos dos trabalhadores.

 

O Congresso de Viena 

Napoleão Bonaparte comandou a invasão de muitos países europeus. Ele tentou acabar com o antigo regime. Implantou leis baseadas no Código Civil. Desse modo, a Revolução Francesa espalhava seus ideais. No entanto, ele foi vencido por uma união da forças da Inglaterra e por países ainda do Antigo Regime. Os representantes desses países (‘vencedores’) se reuniram no Congresso de Viena, com o objetivo de desfazer o que Napoleão havia feito na Europa.Esses representantes queriam apagar o passado revolucionário. Seria como se o Antigo Regime nunca tivesse sido abalado e Napoleão não tivesse nem nascido. Os antigos reis absolutistas voltaram a governar e leis que favoreciam os aristocratas foram reativadas. A fim de evitar novas revoluções, os governos formaram uma união militar, chamada Santa Aliança. Toda vez que estourasse uma revolução num país da Europa, a Santa Aliança enviaria tropas para  acabar com o movimento.

Eles acreditavam que podiam manter o Antigo Regime para sempre. Mas os acontecimentos mostraram que não era possível. Quanto mais as cidades e as indústrias iam crescendo, mais fortes ficavam a burguesia, os intelectuais e os operários (forças sociais que rejeitavam o Antigo Regime).

 

O Liberalismo 

Os aristocratas podiam estar satisfeitos com a situação da Europa pós-Congresso de Viena, mas grande parte da população não estava. Burgueses, intelectuais, artesãos... tinham motivos de sobra para se sentirem oprimidos pelo absolutismo. As idéias políticas liberais conquistaram muitos adeptos entre esses grupos sociais. O liberalismo político tinha origem nas idéias dos iluministas. Os liberais defendiam em primeiro lugar as liberdades individuais: a liberdade de discordar do governo, de protestar, etc.

Mas nem todos os liberais eram democratas. Os liberais tradicionais queriam que o voto fosse censitário, ou seja, consideravam que só as pessoas com boa posição social deveriam ter o direito de voto. Já os liberais radicais (democratas) discordavam. Eles defendiam o sufrágio universal, ou seja, o direito de voto para todos.

 

O Nacionalismo 

A Itália e a Alemanha eram compostas por dezenas de pequenos Estados. O que os alemães e os italianos queriam era a união desses pequenos Estados em um só.

O Liberalismo era o movimento político em favor da liberdade dos indivíduos, e o Nacionalismo era o movimento político em favor da liberdade e da autonomia dos povos, do direito de criarem seus próprios estados.

 

As revoluções na França 

Nos anos de 1820, 1830 e 1848, estouraram diversas rebeliões populares. Logo após o Congresso de Viena (1815), a França foi governada pelo rei Luís XVII. Ele não foi um monarca absolutista. Perseguiu os que simpatizavam com a revolução de 1789 ou com Napoleão Bonaparte.

A partir de 1824, o rei Carlos X assumiu o trono. Ele censurou a imprensa e reprimiu os opositores ao regime.Em 1830, a população se rebelou em Paris e o rei Carlos X teve de renunciar. Assumiu então um novo rei, Luís Filipe de Orléans.

O rei Luís Filipe ficou conhecido como o “rei dos banqueiros” (indica que ele favoreceu os grandes capitalistas). Durante seu reinado, a França teve um período de grandes avanços econômicos e industriais. Mas cresceu a desigualdade social. Os burgueses iam ficando milionários, enquanto os operários permaneciam na penúria. Em 1848, houve uma grande crise econômica. Os salários baixaram e o desemprego cresceu, as colheitas foram ruins e a comida escasseou. A insatisfação popular explodiu numa grande revolução. Operários e artesãos juntaram-se a estudantes e pequenos burgueses, e tomaram as ruas da capital. O rei Luís Filipe foi derrubado. A França voltava a ser uma república.

Os principais partidos políticos de oposição organizaram um governo provisório. Esses “socialistas” defendiam reformas, como o sufrágio universal e a criação de oficinas de artesanato do Estado, que dariam trabalho aos desempregados.

Diante da grave situação econômica, os operários de Paris se rebelaram. Foram duramente reprimidos pela Guarda Nacional, e as ruas da capital ficaram tomadas por cadáveres e poças de sangue. A grande burguesia saiu vencedora.

Nessa época houve eleições para um novo presidente da República. As pessoas queriam a ordem e a tranqüilidade a qualquer preço. Então, Luís Bonaparte foi eleito presidente da França. Ele era sobrinho-neto de Napoleão Bonaparte, e usou o sobrenome ilustre para prometer dias fantásticos para a França. Apoiado pela burguesia e pelos militares, liderou em 1852 um golpe de Estado e tornou-se ditador.

 

A Primavera dos Povos 

O ano de 1848 foi o mais revolucionário do século XIX, em muitas regiões. Por isso recebeu o apelido de o ano da Primavera dos Povos. Em vários outros países europeus eclodiram revoltas populares. Nas principais cidades homens e mulheres ocuparam as ruas, ergueram barricadas (usaram entulhos para bloquear as ruas) e enfrentaram as tropas dos governos autoritários.

 



Escrito por Rafael Sêga às 15h52
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Doutrinas sociais do século XIX (1ª Parte)

A ascensão do capitalismo, impulsionado pela intensa industrialização que marcou os séculos XVlll e XIX é a própria constituição do processo de modernização. Por isso, palavras como capitalismo e modernização se con­fundem, embora a primeira tome como principal referência os aspectos econômicos. O conceito de modernização e mais abrangente, pois valoriza também aspectos culturais e políticos.

O século XVlll, que foi chamado século das luzes, foi palco de movimentas liberais, contestadores e revolucio­nários. Muitos estavam con­vencidos de que as luzes da ra­zão iriam amenizar os precon­ceitos, a ignorância e a relação entre as pessoas. Porém, os resultados das revoluções mos­traram que o movimento do liberalismo correspondia aos in­teresses da burguesia.

A Revolução Francesa (1789) consagrou o lema igualdade , fraternidade e liberdade . Os socialistas diziam, na época, que nada disso fora, al­cançado. Igualdade não havia numa sociedade tão dividida entre ricos e pobres. A liberdade que passaria a existir seria a de mercado, com a burguesia livre para melhor explorar o trabalhador. Depois disso tudo fraternidade entre as classes sociais seria uma utopia. .

Ainda no século XVlll, a França se viu diante de uma das primeiras manifestações socialistas: a Conspiração dos Iguais. O movimento foi liderado por François Noel, que assumiu o pseudônimo de Graco Babeuf. A revolta ocorreu durante o período do Diretório (1796) e propunha outros rumos para o processo revolucionário em direção à instalação de um governo mais justo. Defendiam a socialização da terra, a obrigatoriedade do trabalho para todo o cidadão e a intervenção do Estado na economia. Apesar de fracassada, o movimento lançou as bases para a discussão das idéias socialistas no país.

De uma maneira geral, podemos afirmar que o socialismo é um fenômeno típico da história moderna e con­temporânea. Antes do surgimento dos socialistas, houve muitas pessoas que protestaram contra as desigualdades sociais, contra a concentração de riquezas em rnãos da minoria.

O socialismo surgiu como um continuador da luta contra as injustiças sociais; porém, introduziu nessa luta um novo elemento: a idéia de transformar as condições de produção e a apropriação da riqueza privada pela maioria da sociedade. Os defensores das idéias socialistas passam a propor limites e restrições aos direitos dos proprietários particulares.

Ao longo do século XIX, o movimento socialista desdobra-se, inicialmente, em forma de resistência, que se traduz no ludismo, expressão de protesto da nascente classe operária. Num segundo momento, por volta de mea­dos do século, surge o cartismo, que objetivava representar politicamente o operário, enquanto movimento orga­nizado. Ainda na segunda metade do século XIX, surgem as primeiras associações de trabalhadores, que mais tarde se configuraram nos sindicatos, os trade union.

O ludismo foi uma das primeiras manifestações de revolta dos operários contra as injustiças sociais, causadas pela Revolução Industrial. Foi um movimento de protesto, caracterizado pela destruição das máquinas, e que ocupou os últimos anos do século XVlll e os primeiros do século XIX. O movimento partia da idéia de que a grande responsável pela miséria generalizada em que se encontrava os operários naquela época era de pura responsabilidade das inúmeras máquinas, que ocupavam cada vez mais o lugar dos trabalhadores.

O movimento luddite na Inglaterra atingiu o auge em 1811-1812, iniciado com um levantamento dos fabricantes de meias no condado de Nottingham. De um modo geral, o movimento foi caracterizado pela violência, porém, em breve, os operários puderam constatar a ineficácia desse método.

Alguns historiadores consideram totalmente sem importância o movimento dos luditas. Para eles, não passou • de uma reação desesperada, ingênua e ineficaz dos trabalhadores industriais. Porém, Eric Hobsbawn, historiador inglês, faz uma nova leitura a respeito do movimento. Observe com atenção o trecho abaixo:

[...] É justo afirmar, acho eu, que a negociação coletiva através do tumulto foi pelo menos tão eficiente como qualquer outro meio de exercer pressão sindical, e provavelmente mais eficiente do que qualquer outro meio disponível, antes da era dos sindicatos nacionais, para grupos tais como os tecelões, marinhei­ros e mineiros.[...]

HOBSBAWN, Eric J. Os Trabalhadores - Estudos sobre a história do operariado. Rio de janeiro. Paz e Terra. 1001, p.26.

O Cartismo foi um movimento surgido nos anos trinta do século XIX, na Inglaterra. Englobava operários, artesãos e mesmo alguns representantes da classe média mais esclarecidos. As principais reivindicações eram o sufrágio universal masculino e a redução da jornada de trabalho diária para dez horas.

O ponto máximo do movimento foi em 1848, quando foi redigido um documento, que foi entregue ao Parlamento Inglês, apresentando as grandes propostas do movimento. O documento recebeu o nome de Carta do Povo.

O grande mérito desse acontecimento foi conseguir organizar politicamente os trabalhadores. Como resultado, a reforma eleitoral de 1867 concedeu direito de voto para a pequena burguesia e para alguns operários especializado:;.

Os trade unions eram associações de trabalhadores, surgidas no início do século XIX. Essas associações organizavam greves e movimentos, reivindicando as propostas trabalhistas. Em 1821, o governo inglês reconheceu estas associações como entidade útil de auxílio aos trabalhadores. Somente no final do século XIX, foram reconhecidas como órgãos representativos de classe, surgindo logo após o Partido Trabalhista.

 

A utopia socialista

Os primeiros pensadores socialistas, surgidos na primeira metade do século XIX, receberam o nome de utópi­cos ou românticos. A cultura européia nesse momento vivia sob a inspiração do romantismo, que valorizava a força do sentimento, a intensidade das paixões e a riqueza das experiências vividas e sonhadas.

Nessa atmosfera européia, surgem as primeiras idéias socialistas que idealizam uma sociedade na qual as pessoas estariam livres das conseqüências perversas da sociedade burguesa. Na fantasia dos socialistas utópicos, pode-se notar um eco das aspirações de uma classe social que estava se formando com a industrialização: a proletariado urbano.

As principais propostas defendidas pelos utópicos foram:

•  Proteção do indivíduo mediante leis sociais

•  Socialização dos meios de produção .

•  Supressão da herança

•  Supressão da moeda

•  Produção desvinculada do lucro

•  Ensino para toda a sociedade

•  Sistematização do trabalho

•  Igualdade de direitos para homens e mulheres

Os socialistas utópicos tiveram idéias bem interessantes, porém, não foram capazes de adotar caminhos viáveis para alcançar a solução dos problemas sociais. Os principais representantes dessas idéias foram: Saint Simón, Robert Owen, Charles Fourier e Louis Blanc.

 

O socialismo científico ou marxista

No plano teórico, paralelo às lutas ope­rárias, desenvolve-se os estudos referentes ao Socialismo Científico ou Marxista, dirigi­dos por Karl Marx e Fredcrich Engels. Em 1848, com a publicação do Manifesto Comu­nista, os estudiosos apresentam três idéias fundamentais, que passam a ser considera­das premissas básicas do pensamento socia­lista: o materialismo histórico, o materialismo dialético, a mais valia e a luta de classes.

O materialismo histórico afirmava que todos os grandes movimentos políticos, so­ciais e internacionais da história tinham sido determinados pelo ambiente econômico em que surgiram. Segundo Marx, a chave para se compreender a história e o funcionamento da sociedade estaria na produção. A maneira com que os homens se relacionavam socialmente no processo produtivo determinava o tipo de sociedade, acrescenta ele que o relacionamento do homem com o processo produtivo se dá através da propriedade. Geralmente, os são os donos da propriedade, e outros, a maioria, vendem o seu trabalho.

O materialismo dialético mostrava que cada sociedade, baseada em padrões definidos de produção e de troca, cresce até alcançar um ponto de máxima eficiência, após o que começam a desenvolver-se contradições e fraquezas internas que trazem consigo a rápida decadência. No caso da sociedade industrial, a produção capitalista estimula a mobilização das massas trabalhadoras, uma vez que aproxima os operários fisicamente, no momento da prática do trabalho. Essa possibilidade acaba levando-os à organização social e à luta por melhores condições de trabalho.

A teoria da mais valia tentou provar que o capitalismo sempre gera injustiças sociais. Segundo Marx, o capitalista não paga pelo trabalho do operário, mas pela força de trabalho, isto é, sua capacidade de trabalhar. Assim, na jornada de trabalho, o operário produz mais do que recebe de salário. A diferença entre o valor de seu trabalho e o valor do salário que recebe é o que constitui o lucro padrão, a mais valia.

A luta de classes é um mecanismo de ação fundamental para a conquista de ideais do proletariado. Para Marx e Engels, em todas as propriedade em que há propriedade privada existem lutas de classes. Eles afirmavam que à medida que ficavam expostas as diferenças e os interesses econômicos e políticos, afloravam-se os conflitos sociais. Assim a tem sido a história das lutas de classes: senhores X escravos, nobres feudais X servos e burguesia X operários. 



Escrito por Rafael Sêga às 15h47
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Independência do Brasil

Para compreender o verdadeiro significado histórico da independência do Brasil, levaremos em consideração duas importantes questões:

Em primeiro lugar, entender que o 07 de setembro de 1822 não foi um ato isolado do príncipe D. Pedro, e sim um acontecimento que integra o processo de crise do Antigo Sistema Colonial, iniciada com as revoltas de emancipação no final do século XVIII. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo, "O Grito do Ipiranga", que personifica o acontecimento na figura de D. Pedro.
Em segundo lugar, perceber que a independência do Brasil, restringiu-se à esfera política, não alterando em nada a realidade sócio-econômica, que se manteve com as mesmas características do período colonial.

Valorizando essas duas questões, faremos uma breve avaliação histórica do processo de independência do Brasil.
Desde as últimas décadas do século XVIII assinala-se na América Latina a crise do Antigo Sistema Colonial. No Brasil, essa crise foi marcada pelas rebeliões de emancipação, destacando-se a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. Foram os primeiros movimentos sociais da história do Brasil a questionar o pacto colonial e assumir um caráter republicano. Era apenas o início do processo de independência política do Brasil, que se estende até 1822 com o "sete de setembro". Esta situação de crise do antigo sistema colonial, era na verdade, parte integrante da decadência do Antigo Regime europeu, debilitado pela Revolução Industrial na Inglaterra e principalmente pela difusão do liberalismo econômico e dos princípios iluministas, que juntos formarão a base ideológica para a Independência dos Estados Unidos (1776) e para a Revolução Francesa (1789). Trata-se de um dos mais importantes movimentos de transição na História, assinalado pela passagem da idade moderna para a contemporânea, representada pela transição do capitalismo comercial para o industrial.

Os Movimentos de Emancipação
A Inconfidência Mineira destacou-se por ter sido o primeiro movimento social republicano-emancipacionista de nossa história. Eis aí sua importância maior, já que em outros aspectos ficou muito a desejar. Sua composição social por exemplo, marginalizava as camadas mais populares, configurando-se num movimento elitista estendendo-se no máximo às camadas médias da sociedade, como intelectuais, militares, e religiosos. Outros pontos que contribuíram para debilitar o movimento foram a precária articulação militar e a postura regionalista, ou seja, reivindicavam a emancipação e a república para o Brasil e na prática preocupavam-se com problemas locais de Minas Gerais. O mais grave contudo foi a ausência de uma postura clara que defendesse a abolição da escravatura. O desfecho do movimento foi assinalado quando o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama -- seria o pretexto para deflagar a revolta - e esvaziou a conspiração, iniciando prisões acompanhadas de uma verdadeira devassa.
Os líderes do movimento foram presos e enviados para o Rio de Janeiro responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Todos negaram sua participação no movimento, menos Joaquim José da Silva Xavier, o alferes conhecido como Tiradentes, que assumiu a responsabilidade de liderar o movimento. Após decreto de D. Maria I é revogada a pena de morte dos inconfidentes, exceto a de Tiradentes. Alguns tem a pena transformada em prisão temporária, outros em prisão perpétua. Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão, onde provavelmente foi assassinado.
Tiradentes, o de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de abril de 1789). Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder da metrópole.
O exemplo parece que não assustou a todos, já que nove anos mais tarde iniciava-se na Bahia a Revolta dos Alfaiates, também chamada de Conjuração Baiana. A influência da loja maçônica Cavaleiros da Luz deu um sentido mais intelectual ao movimento que contou também com uma ativa participação de camadas populares como os alfaiates João de Deus e Manuel dos Santos Lira.Eram pretos, mestiços, índios, pobres em geral, além de soldados e religiosos. Justamente por possuír uma composição social mais abrangente com participação popular, a revolta pretendia uma república acompanhada da abolição da escravatura. Controlado pelo governo, as lideranças populares do movimento foram executadas por enforcamento, enquanto que os intelectuais foram absolvidos.
Outros movimentos de emancipação também foram controlados, como a Conjuração do Rio de Janeiro em 1794, a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco (1801) e a Revolução Pernambucana de 1817. Esta última, já na época que D. João VI havia se estabelecido no Brasil. Apesar de contidas todas essas rebeliões foram determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil, já que trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos republicanos.

A Família Real no Brasil e a Preponderância Inglesa
Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole, em 1808 com a abertura dos portos, o Brasil deixava de ser colônia. O monopólio não mais existia. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim, os interesses da elite agrária brasileira, acentuando as relações com a Inglaterra, em detrimento das tradicionais relações com Portugal.
Esse episódio, que inaugura a política de D. João VI no Brasil, é considerado a primeira medida formal em direção ao "sete de setembro".
Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Essa dependência acentua-se com a vinda de D. João VI ao Brasil, que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal, para entrar na esfera do domínio britânico. Para Inglaterra industrializada, a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados, tanto fornecedores, como consumidores.
Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade), Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês.
Em 1820, a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em Portugal com a Revolução do Porto. Implantou-se uma monarquia constitucional, o que deu um caráter liberal ao movimento. Mas, ao mesmo tempo, por tratar-se de uma burguesia mercantil que tomava o poder, essa revolução assume uma postura recolonizadora sobre o Brasil. D. João VI retorna para Portugal e seu filho aproxima-se ainda mais da aristocracia rural brasileira, que sentia-se duplamente ameaçada em seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência na América Espanhola, responsáveis pela divisão da região
em repúblicas.

O Significado Histórico
da Independência
A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios, representados pelo latifúndio e escravismo. Dessa forma, a independência foi imposta verticalmente, com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural, afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral.
Com a volta de D. João VI para Portugal e as exigências para que também o príncipe regente voltasse, a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola, o que evidentemente ameaçaria seus privilégios.
A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes.
D. Pedro é sondado para ficar no Brasil, pois sua partida poderia representar o esfacelamento do país. Era preciso ganhar o apoio de D. Pedro, em torno do qual se concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. Pedro em 9 de janeiro de 1822, solicitando sua permanência no Brasil. Cedendo às pressões, D. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico".
É claro que D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócio-econômica colonial. Contudo, o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva (patriarca da independência), Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira e outros, o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se, onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. Pedro, que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), oferecido pela maçonaria e pelo Senado. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil.
São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas, pois Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a demitir-se, sendo expulso da província. Em Portugal, a reação tornava-se radical, com ameaça de envio de tropas, caso o príncipe não retornasse imediatamente.
José Bonifácio, transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe, juntamente com carta sua e de D. Maria Leopoldina, que ficara no Rio de Janeiro como regente. No dia sete de setembro de 1822 D. Pedro que se encontrava às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos, bradou: "É tempo... Independência ou morte... Estamos separados de Portugal".Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822), D. Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil. Era o início do Império, embora a coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822.
A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos.



Escrito por Rafael Sêga às 15h40
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Guerra dos Mascates

A Guerra dos Mascates que se registrou de 1710 a 1711 na então Capitania de Pernambuco, é considerada como um movimento nativista pela historiografia em História do Brasil.

Confrontaram-se os senhores de terras e de engenhos pernambucanos, concentrados em Olinda, e os comerciantes portugueses do Recife, chamados pejorativamente de mascates. Quando houve as sedições entre os mascates europeus de Recife e a aristocracia rural de Olinda, os sectários dos mascates se apelidavam Tundacumbe, cipós e Camarões, e os nobres e seus sectários, pés rapados - porque quando haviam de tomar as armas, se punham logo descalços e à ligeira, para com menos embaraços as manejarem, e assim eram conhecidos como destros nelas, e muito valorosos, pelo que na história de Pernambuco, a alcunha de pés rapados é sinônimo de nobreza.

[editar] Antecedentes

Após a expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil, a economia da região, dependente da agro-manufatura do açúcar, sem capitais para investimento em lavouras, equipamentos e mão-de-obra (escrava), e face ao declínio dos preços do produto no mercado internacional, devido à concorrência do similar produzido nas Antilhas, entrou em crise.

Dependentes economicamente dos comerciantes portugueses, junto a quem contraíram dívidas agravadas pela queda internacional dos preços do açúcar, os latifundiários pernambucanos não aceitaram a emancipação político-administrativa do Recife, até então uma comarca subordinada a Olinda. A emancipação de Recife foi percebida como uma agravante da situação dos latifundiários locais (devedores) diante da burguesia lusitana (credora), que por esse mecanismo passava se colocar em patamar de igualdade política.

A concorrência afetou os grandes ricos senhores de engenho de Olinda, que entraram em decadência como não obtinham mais os lucros com a produção açucareira, não tinham capital para saldar suas dívidas. Em busca de uma saída, os senhores de engenho foram pedir dinheiro emprestado. Naquela época os comerciantes portugueses chamados de mascates, ocupavam a cidade de Recife e possuíam dinheiro para emprestar aos senhores de Olinda, porém cobravam juros altíssimos pelos empréstimos, ocasionado o endividamento cada vez maior dos olindeses.

Até o final do século XVII, Olinda era a principal cidade de Pernambuco, onde moravam ricos senhores de engenhos, que pensavam que sua fortuna jamais acabaria. Mas isso aconteceu, por uma guerra de preços do açúcar no mercado europeu, e os senhores de engenho de Olinda começaram a pedir dinheiro emprestado aos comerciantes de Recife, mero povoado. Aos poucos, foram surgindo ódio e conflitos. Conscientes de sua importância, os comerciantes pediram ao rei de Portugal que o povoado fosse elevado a vila. Quando estava sendo concretizada a separação entre as duas cidades, em 1710, os senhores de Olinda se revoltaram, tendo como um dos chefes o proprietário de engenho Bernardo Vieira de Melo. Sem condição de resistir, os comerciantes mais ricos de Recife fugiram para não serem capturados. A metrópole interveio na região, em 1711, prendendo os líderes da rebelião. Recife foi elevada a condição de capital de Pernambuco.

Após a vitória dos mascates comerciantes, percebem o predomínio do comércio em relação à produção colonial que já ocorria já que os senhores de Olinda pegavam dinheiro emprestado a juros com os mascates para conseguirem manter seu sistema colonial.

[editar] O movimento

Em fevereiro de 1709, pouco após receber a Carta Régia que elevou o povoado à condição de vila, os comerciantes inauguraram o Pelourinho e o prédio da Câmara Municipal, separando o formalmente o Recife de Olinda, a sede da capitania.

Tendo os membros da aristocracia rural abandonado Olinda para se refugiar nos engenhos onde viviam, as hostilidades iniciaram-se em Vitória de Santo Antão, lideradas pelo seu Capitão-mor, Pedro Ribeiro da Silva. Estas forças, engrossadas em Afogados com reforços oriundos de São Lourenço e de Olinda, sob a liderança de Bernardo Vieira de Melo e de seu pai, o coronel Leonardo Bezerra Cavalcanti, invadiram o Recife, demolindo o Pelourinho, rasgando o Foral régio, libertando os presos e perseguindo pessoas ligadas ao governador Sebastião de Castro Caldas Barbosa (mascates). Este, por sua vez, visando garantir a sua segurança, retirou-se para a Bahia, deixando o governo da capitania a cargo do bispo Manuel Álvares da Costa.

Os mascates contra-atacaram em 1711, invadindo Olinda e provocando incêndios e destruição em vilas e engenhos na região.

A nomeação de um novo governador, Felix José de Mendonça, e a atuação de tropas mandadas da Bahia puseram fim à guerra. A burguesia mercantil recebeu o apoio da metrópole, e o Recife manteve a sua autonomia.



Escrito por Rafael Sêga às 15h30
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Restauração de 1640 (Fim da União Ibérica)

Dá-se o nome de Restauração o regresso de Portugal à sua completa independência em relação a Castela em 1640, depois de sessenta anos de regime de monarquia dualista (1580-1640) em que as coroas dos dois países couberam simultaneamente a Filipe II, Filipe III e Filipe IV de Castela. Nos anos imediatamente anteriores a 1640 intensificou-se o descontentamento em relação ao regime dualista em parte dos membros da classe aristocrática, dos eclesiásticos (principalmente os jesuítas, que exploraram nesse sentido as crenças sebastianistas – e, em geral, encobertas) e também entre os interessados no comércio com as províncias ultramarinas do Atlântico.  A má administração do governo espanhol constituía uma grande causa de insatisfação dos Portugueses em relação à união com Castela. Dessa má administração provinha o agravamento dos impostos. Em 06 de julho de 1628 era expedida a carta régia que, sem o voto das Cortes (por tradição, indispensável para que se criassem novos tributos), mandava levantar, por meio de empréstimo forçado, as quantias necessárias para a defesa, durante seis anos, de todos os lugares dos domínios portugueses ameaçados pelos estrangeiros. A população mostrou logo a sua má vontade. A tensão agravou-se quando o clero (cujos privilégios o isentavam de tais imposições) se viu também incluído na coleta geral. Também no Ultramar surgiram protestos. Em 1635 era estendido a todo o reino o imposto do real de água, bem como o aumento do das sisas.
Em 1634 confiava Olivares o governo de Portugal a uma prima co-irmã de Filipe IV, a princesa Margarida, viúva de Vicêncio Gonzaga, duque de Mântua. Ao mesmo tempo (fins de 1634) Miguel de Vasconcelos era transferido do seu posto de escrivão da Fazenda para as elevadíssimas funções de secretário de Estado, em Lisboa, junto da duquesa, cargo em que teve ensejo de desagradar muito aos Portugueses não partidários de Castela. Num escrito editado em 1641, sob o título Relação de tudo o que se passou na felice aclamação, declarou-se que D. Antônio de Mascarenhas fora a Évora a admoestar aos cabeças daquela parcialidade que não desistissem do começado e que, para que a empresa tivesse bom sucesso, pedissem amparo à Casa de Bragança. Era no duque, com efeito, que se pensava para chefe da insurreição e futuro monarca de Portugal independente; mas ele não achava oportuno o momento para tão grande aventura, e tratou de dar provas públicas de que reprovava a idéia. Notamos, todavia, que aos incitamentos internos se acrescentava um exterior, provindo da França, então em luta com a Espanha, que se empenhava em impelir Portugal e a Catalunha contra o governo de Madrid.

Em 1638 tomou o conde-duque uma outra resolução que descontentou aos portugueses: a pretexto de os consultar sobre um projeto de reforma da administração do país, convocou a Madrid grande número de fidalgos, e ordenou levas de tropas para servirem nas guerras que a monarquia espanhola sustentava, sangrando assim Portugal das suas maiores forças. O que veio dar mais impulso à idéia da independência foram as novas exigências do conde-duque. Em junho de 1640, insurgia-se a Catalunha, e Olivares pensou em mandar portugueses para combater os catalães revoltados, ao mesmo tempo que se anunciavam novos impostos. Aderiram à conjuração o juiz do povo, os Vinte e Quatro dos mesteres e vários eclesiásticos, entre os quais o arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunha. Deram também a sua colaboração o doutor Estevão da Cunha, deputado do Santo Ofício, e D. Antônio Telo. Em outubro realizou-se uma reunião conspiratória no jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, D. Luísa de Gusmão. Chegado a Lisboa em 21 de novembro de 1640, João Pinto Ribeiro convocou os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se estudar em pormenor o plano do levantamento, amiudando-se as reuniões. Por fim, marcou-se o momento de sublevação: 9 horas da manhã de sábado, 1º de dezembro. Na noite de 28 para 29 surgiram complicações, por haver quem julgasse que eram poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem quiseram encarregar de transmitir ao duque o intuito de se adiar, opôs-se tenazmente a tal idéia, numa discussão que se prolongou até as 3 horas da manhã. O dia 1º de dezembro amanheceu claro e muito sereno. Tinham-se os conjurados confessado e comungado, e alguns deles fizeram testamento. Antes das 9 horas foram convergindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Soadas as nove horas, dirigiram-se os fidalgos para a escadaria e subiram rápido por por ela. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estevão da Cunha, Antônio de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha por objetivo assaltar o forte contíguo ao palácio e dominar a guarnição castelhana, apenas os que deveriam investir no paço iniciassem o seu ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Assim estava restaurada a independência de Portugal.



Escrito por Rafael Sêga às 15h27
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Colonização inglesa na América do Norte

A Inglaterra iniciou seu processo de expansão marítima no final do século XV, após a Guerra das Duas Rosas, com a ascensão da Dinastia Tudor, que deu início a formação do absolutismo e desenvolveu uma política mercantilista. No entanto, as expedições que a princípio pretendiam encontrar uma passagem para o Oriente, não tiveram resultados efetivos, seja pelos conflitos com a Espanha, ou com os povos indígenas na América do Norte.


A Inglaterra

No século XVII a Inglaterra vivia uma conjuntura favorável à colonização. O comércio havia dado origem a uma burguesia enriquecida e dotado o país de uma grande frota, pois no século anterior, principalmente do reinado de Elizabeth I, o mercantilismo havia se imposto, utilizando-se inclusive das atividades dos corsários; a Espanha, em decadência, não tinha condições de manter os territórios que julgava seus pelo Tratado de Tordesilhas. Do ponto de vista social, havia nas cidades inglesas uma grande massa de homens pobres, resultado do êxodo rural, provocado pelos "cercamentos" e outra camada de origem burguesa, porém que sofria com as perseguições religiosas. Parte desses dois grupos migraram para as colônias da América do Norte.

A Empresa Colonizadora
O início da colonização da América do norte pelos ingleses deu-se a partir da concessão real a duas empresas privadas: A Companhia de Londres, que passou a monopolizar a colonização das regiões mais ao norte, e a Companhia de Plymonth, que recebeu o monopólio dos territórios mais ao sul. Dessa maneira dizemos que a colonização foi realizada a partir da atuação da "iniciativa privada". Porém subordinadas as leis do Estado.
A primeira colônia inglesa foi a Virgínia, que nasceu a partir da fundação da cidade de Jamestown, mas a efetiva ocupação e desenvolvimento da região levaria algumas décadas, ao longo das quais foram estabelecidas outras colônias na região sul: Maryland (colônia católica, em 1632) Carolina Do Norte e Carolina do Sul (1663) e Geórgia (1733). Nessas colônias desenvolveu-se a estrutura tradicional de produção, caracterizada pelo latifúndio monocultor, voltado para a exportação segundo os interesses da metrópole, utilizando o trabalho escravo africano.
As Colônias do Norte têm sua origem na fundação da cidade de New Plymonth ( Massachussets) em 1620, pelos "peregrinos do mayflower", puritanos que fugiam da Inglaterra devido as perseguições religiosas e que estabeleceram um pacto, segundo o qual o governo e as leis seguiriam a vontade da maioria. A partir de NewPlymonth novos núcleos foram surgindo, vinculados a atividade pesqueira, ao cultivo em pequenas propriedades e ao comércio. No entanto a intoler6ancia religiosa determinou a migração para outras regiões e assim novas colônias foram fundadas: Rhode Island e Connecticut (1636) e New Hampshire (1638). Nessa região, denominada genericamente de "Nova Inglaterra" as colônias prosperaram principalmente devido ao comércio. Do ponto de vista da produção, a economia caracterizou-se pelo predomínio da pequena propriedade policultora, voltada aos interesses dos próprios colonos, utilizando-se o trabalho livre, assalariado ou a servidão temporária.
As Colônias do Centro foram as últimas a surgirem, após a Restauração da Monarquia inglesa em 1660. A ocupação daregião ocorreu principalmente por refugiados religiosos e foi onde opensamento liberal rapidamente enraizou-se, tanto do ponto de vista político como religioso. Nova Iorque, Pensilvânia, Nova Jérsei e Delaware desenvolveram tanto a agricultura em pequenas propriedades como a criação de animais, com uma produção diversificada e estrutura semelhante à da Nova Inglaterra.

A Organização Política
As 13 colônias eram completamente independentes entre si, estando cada uma delas subordinada diretamente à metrópole. Porém como a colonização ocorreu a partir da iniciativa privada, desenvolveu-se um elevado grau de autonomia político-administrativa, caracterizada principalmente pela idéia do auto-governo.
Cada colônia possuía um governador, nomeado, e que representava os interesses da metrópole, porém existia ainda um Conselho, formado pelos homens mais ricos que assessorava o governador e uma Assembléia Legislativa eleita, variando o critério de participação em cada colônia, responsável pela elaboração das leis locais e pela definição dos impostos.
Apesar dos governadores representarem os interesses da metrópole, a organização colonial tendeu a aumentar constantemente sua influência, reforçando a idéia de "direitos próprios".

O Desenvolvimento Econômico

As características climáticas contribuíram para a definição do modelo econômico de cada região, o clima tropical no sul e temperado no centro-norte. no entanto foi determinante o tipo de sociedade e de interesses existentes. Na região centro norte a colonização foi efetuada por um grupo caracterizado por homens que pretendiam permanecer na colônia (ideal de fixação), sendo alguns burgueses com capitais para investir, outros trabalhadores braçais, livres, caracterizando elementos do modelo capitalista, onde havia a preocupação do sustento da própria colônia, uma vez que havia grande dificuldade em comprar os produtos provenientes da Inglaterra.
A agricultura intensiva, a criação de gado e o comércio de peles, madeira, e peixe salgado, foram as principais atividades econômicas, sendo que desenvolveu-se ainda uma incipiente indústria de utensílios agrícolas e de armas. Em várias cidades litorâneas o comércio externo se desenvolveu, integrando-se às Antilhas, onde era obtido o rum, trocado posteriormente na África por escravos, que por sua vez eram vendidos nas colônias do sul: Assim nasceu o "Comércio Triangular", responsável pela formação de uma burguesia colonial e pela acumulação capitalista.



Escrito por Rafael Sêga às 15h17
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Programas: ES03A e ES04A

HISTÓRIA 3

 

1º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

26) Colonização espanhola na América

27) Colonização portuguesa na América

SEMINÁRIOS:

28) Civilização do açúcar

29) Escravidão negra

30) União Ibérica e holandeses em Pernambuco

31) Guerra dos 30 anos e revoluções inglesas

 

2º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

32) Colonização inglesa na América

33) Restauração, mascates, entradas e bandeiras

SEMINÁRIOS:

34) Ouro nas Gerais

35) Administração pombalina

36) Revolução industrial

37) Iluminismo

________________________________________

HISTÓRIA 4

 

1º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

38) Independência dos EUA

39) Revolução Francesa

SEMINÁRIOS:

40) Período napoleônico

41) Independências da América espanhola

42) Inconfidência mineira e conjura baiana

43) Família Real no Brasil

 

2º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

44) Independência do Brasil

45) Liberalismo, nacionalismo e socialismo

SEMINÁRIOS:

46) Unificações italiana e alemã

47) Guerra de secessão

48) Imperialismos

49) Primeiro Reinado

___________________________________________________

 

OBSERVAÇÃO: Os números correspondem aos capítulos dos temas indicados no livro didático adotado:

FIGUEIRA, Divalte G. História, série Novo Ensino Médio. 2ª ed., São Paulo: Ática, 2003.



Escrito por Rafael Sêga às 19h54
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Colonização portuguesa e administração colonial

O primeiro passo no sentido de ocupar as terras brasileiras foi o envio da expeidção de Martin Afonso de Souza, que deixou Lisboa em 3 de dezembro de 1831, com a incumbência primordial de varrer os franceses da "costa do pau-brasil" e desenvolver, ao máximo, sua exploração e seu conhecimento, visando empreendimentos futuros que garantissem seu domínio.
No litoral de Pernambuco, Martin Afonso combateu e aprisionou três naus francesas. Em seguida, enviou parte de sua expedição para o norte, afim de explorar o litoral até o Maranhão, e rumou para o sul com o restante da armada, aportando na Baía de Todos os Santos, no Rio de Janeiro, em Cananéia, de onde seguiu para o Rio da Prata.
Em janeiro de 1532, a esquadra encontrou em São Vicente uma pequena aldeia, formada de índios (guianases e carijós), europeus e mestiços, na qual se destacava o português João Ramalho com uma imensa prole mameluca. Aproveitando as condições propícias, Martin Afonso instalou no lugar o que seria a primeira vila do país. Além dessa foi organizada outra vila, serra acima, na "boca do sertão" (Santo André da Boca do Campo).
Esses dois principais núcleos oficiais, contrariando determinações do monarca, não se localizavam na "costa do pau-brasil" mas, sim, no litoral sul, local de fácil acesso ao Prata, o que demonstrava o interesse mercantilista português pelo domínio dessa região.
No Rio de Janeiro, onde a expedição permaneceu cerca de três meses, quatro homenes foram enviados mata a dentro, os quais só retornaram após 60 dias, trazendo algumas amostras de cristal e falando da existência de riquíssimas minas de ouro.
Contudo, além dos serviços que prestara, explorando o litoral e expulsando da terra embora temporariamente os franceses, pudera Martin Afonso de Souza examinar, diretamente as condições e possibilidades que o oferecia o Brasil para uma tentativa em escala ampla de povoamento.
Assim, não resta dúvida de que, as informações que enviava freqüentemente à Metrópole sobre as potencialidades da terra, durante os quase 2 anos de permanência no litoral brasileiro, contribuíram para que o Estado português tomasse a inciativa de inaugurar uma nova estratégia colonial: O desenvolvimento da agricultura, a ocupação, o povoamento e, conseqüentemente, a valorização econômica das terras, até então só exploradas no limite de seus recursos naturais aparentes.

As Capitanias Hereditárias
Quando D. João III resolver encetar a colonização, preocupava-o, antes de tudo, preservar a pose das terras, então disputadas, como já vimos, por estrangeiros, dos quais se destacavam s franceses.
A solução encontrada, por esta sugestão de alguns "notáveis" do Reino, foi a aplicação de uma experiência já testada nas ilhas do Atlântico, principalmente na da Madeira: a criação de capitanias.
Este sistema lhe acenava com a possibilidade de ocupar simultaneamente vários pontos do litoral, preservando, assim, o seu domínio, sem arcar com o ônus do empreendimento, uma vez que utilizaria recursos particulares, oferecendo em retribuição, uma série de direitos e privilégiois tão à moda, na época.
Estruturação
Entre 1534 e 1536, as terras basileiras foram divididas em 15 faixas lineares de terra, de extenção variável e desiguais quanto às potencialidades, sendo dadas a 12 capitães-donatários.
Juridicamente, a ocupação da terra era assegurada pela Carta de Doação e pelo Foral.
A Carta de Doação estabelecia os direitos dos donatários (propriedade de 10 léguas de terra ao longo da costa; privilégio de contruir engenhos d'água e moendas, etc.).
O Foral por sua vez, definia as obrigações dos donatários para com a coroa lusitana (pagamento do dízimo; propriedade das riquezas do sub-solo, do mar e do mato pertenciam à coroa).
O sistema de capitanias fracassou. Entre outros pelos seguintes motivos:
1- Falta de recursos financeiros dos donatários (o empreendimento representava ônus muito superior à espectativa prévia);
2- Falta de bons administradores, sendo que alguns deles nunca vieram às suas capitanias, como foi o caso de Antônio Cardoso de Barros, da capitania do Ceará;
3- Os atritos constantes com os nativos, estes se aliando freqüentemente a invasores estrangeiros e atacando as capitanias, além do que não aceitando ser escravizados pelos portugueses, defendiam-se;
4- Distância e dificuldade de comunicação entre a Metrópole e a Colônia;
5- Falta de comunicação intercapitanias (a descentralização do sistema foi acompanhada da desorganização política e administrativa;
6- A grande extensão de terras das próprias capitanias.
O Governo Geral
Para promover promover a centralização administrativa da Colônia, reedificar o sistema de Capitanias Hereditárias e portanto, impor maior ordem à colonização, o Estado português deliberou pela criação do Governo Geral.
Assim, pelo regimento de 17 de dezembro de 1548, criava-se, além do cargo de Governador (ou Governador Geral, a partir de 1577), os seguintes cargos de assessoria: Ouvidor-Mor (para exercer as funções jurídicas, noimear juízes e auxiliares); Provedor-Mor (para executar a política fazendária, arrecadando os tributos e fiscalizando sua aplicação); Capitão-Mor (responsável pela defesa e fiscalização da costa litorânea). Outro assessor do Governo Geral era o Alcaide-Mor (que exercitavaa chefia das malícias).
Assim, a criação do Governo Geral não distriuiu o sistema de capitanias, mas superpôs-se a ele:
Nesse período, o Brasil possuiu vários governadores gerais. Porém, três foram os que mais destacaram-se:
* Tomé de Souza - primeiro governador geral, foi o responsável pela fundação de Salvador (primeira capital da Colônia), pela introdução da pecuária na região, do cultivo de cana nas proximidades de Salvador e do plantio de coqueiros.
* Duarte da Costa - segundo governador geral, com autorização os jesuítas instalaram-se nos campos de Piratininga, dando origem à cidade de São Paulo. Foi no seu governo que os franceses instalaram-se no Rio de Janeiro. As disputas entre jesuítas e colonos, enfraqueceram enormemente seu governo.
* Mem de Sá - terceiro governador geral do Brasil foi o consolidador desse regime. Resolveu o problema de mão-de-obra, implantou sob as ordens da Coroa o monopólio. Seu maior feito foi a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro (as tropas estavam sob o comando de seu sobrinho Estácio de Sá, fundador da cidade maravilhosa).
A Divisão do Governo Geral
Para melhor fiscalizar o processo de povoamento produtivo que a partir de 1570 já lhe propiciava grandes lucros, derivados do monopólio comercial do açucar na Europa, a Coroa, após o gover de Mem de Sá, dividiu o governo geral em dois: um sediado em Salvador e outro no Rio de Janeiro. Contudo, essa divisão foi nominal até pelo menos a Segunda década do século XVII, quando se instalou o esta do Maranhão (1621).
As vilas
As câmaras municipais são instituições antigas que herdamos dos colonizadores portugueses e que passam a existir oficialmente em nosso país a partir de 1532, quando São Vicente(SP) foi elevada a categoria de vila.  A organização administrativa, jurídica e política das casas legislativas municipais estavam fundamentadas, naquele período, nas Ordenações Manuelinas (1521-1580) e, mais tarde, nas Ordenações Filipinas (1580-1640).
No período colonial brasileiro (1530-1822) e somente nas localidades elevadas a categoria de vila, concedida pelo governo português através de ato régio, é que podiam instalar uma Câmara Municipal. E estas eram compostas geralmente de dois juízes ordinários, servindo um de cada vez, ou do juiz de fora (este último imposto pelo rei com o pretexto de "administrar" melhor a justiça aos pobres) e dos três vereadores.
Com exceção do representante da Coroa portuguesa (juiz de fora) os demais membros que faziam parte da Câmara eram eleitos a cada triênio pela elite local (latifundiários, nobreza, milícia e clero), os chamados "homens bons".
Pertenciam também a Câmara o procurador, o tesoureiro e o escrivão que eram investidos aos cargos, através de eleição, da mesma forma que os juízes ordinários e os vereadores.
As Câmaras Municipais do período colonial, tinham atribuições mais amplas do que as atuais. Assim é que, além das funções de interesse específico do município (taxar impostos, administrar os bens e as respectivas receitas da vila, construir e conservar edifícios, estradas, pontes e calçadas, cuidar da limpeza de ruas e conservação de praças, regulamentar as profissões do comércio e ofícios, inspecionar a higiene pública, nomear funcionários da administração geral, dentre eles, escrivão, carcereiro - algumas câmaras, inclusive a de Fortaleza, funcionavam também como prisões -, etc.) exerciam elas funções que na atualidade competem ao Ministério Público como as denúncias de crimes e abusos aos juizes além de desempenhar funções de natureza administrativa, policial ou judiciária.
Também lhe era facultado o direito de nomear procuradores às cortes e de representação as autoridades superiores e ao próprio rei.
No exercício de suas funções deliberativas a câmara era composta apenas do juiz e seus vereadores. A princípio essa reunião era chamada de vereação ou conselho de vereadores, e só posteriormente o termo câmara foi utilizado para designar a reunião de vereadores sob a presidência do juiz. Quando as reuniões da câmara municipal ocorriam com os "homens bons", ou seja, a elite local, era denominada de juntas gerais.



Escrito por Rafael Sêga às 21h06
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A colonização espanhola

A viagem de Colombo América em 1492 trouxe à Espanha perspectivas de enriquecimento, pois acreditava o navegador ter encontrado um novo caminho para as Índias. Mesmo nas expedições subsequentes, desde o ano seguinte, Colombo manteve a mesma crença e conforme procurava as riquezas orientais fundou vilas e povoados, iniciando a ocupação da América. Na Espanha suspeitava-se que as terras descobertas por Colombo fossem um obstáculo entre a Europa e as terras do oriente, e essa suspeita confirmou-se com a descoberta de Vasco Nunez Balboa, que chegou ao Pacífico, atravessando por terra a América Central. Até a década de 20 os espanhóis ainda procuravam uma nova rota par as Índias, modificando essa política a partir das descobertas de Cortez no México.

A estrututa política metropolitana

O processo de exploração da América colonial foi marcado pela pequena participação da Coroa, devido a preocupação espanhola com os problemas europeus, fazendo com que a conquista fosse comandada pela iniciativa particular, mediante o sistema de capitulações. As capitulações eram contratos em que a Coroa concedia permissão para explorar, conquistar e povoar terras, fixando direitos e deveres recíprocos. Surgiram assim os adelantados, responsáveis pela colonização e que acabaram representando o poder de fato nas terras colonias, como Cortez e Pizarro que, apesar de incorporarem ao domínio espanhol grandes quantidades de terra, não conseguiram implementar um sistema eficiente de exploração, normalmente pela existência de disputas entre aqueles que participavam do empreendimento. Por isso, à medida que se revelavam as riquezas do Novo Mundo, a Coroa foi centralizando o processo de colonização, anulando as concessões feitas aos particulares. O primeiro orgão estatal foi a Casa de Contratação, criada em 1503 e sediada em Sevilha, era responsável pelo controle de todo o comércio realizado com as colônias da América e foi responsável pelo estabelecimento do regime de Porto Único. Apenas um porto na metrópole, a princípio Sevilha, poderia realizar o comércio com as colônias, enquanto na América destacou-se o porto de Havana, com permissão para o comércio metropolitano e anos depois os portos de Vera Cruz, Porto Belo e Cartagena. Desenvolveu ainda o sistema de frotas anuais (duas); desde 1526 havia a proibição de navegarem os barcos isoladamente. O Conselho das Índias foi criado em 1524, por Carlos V, e a ele cabia as decisões políticas em relação às colônias, nomeando Vice-reis e Capitaes gerais, autoridades militares, e judicias. Foram criados ainda os cargos de Juízes de Residência e de Visitador. O Primeiro, responsável por apurar irregularidades na gestão de algum funcionário da metrópole na colônia; o segundo, responsável por fiscalizar um orgão metropolitano ou mesmo um Vice reino, normalmente para apurar abusos cometidos.

A estrutura

Nas colônias o poder dos adelantados foi eliminado com a formação dos Vice-Reinos e posteriormente dos Capitães gerais.

O território colonial foi dividido em quatro Vice-Reinos - Nova Espanha, Peru, Rio da Prata, e Nova Granada - e posteriormente foi redividido, surgindo as Capitanias Gerais, áreas consideradas estratégicas ou não colonizadas. Os Vice-Reis eram nomeados pelo Conselho das Índias e possuíam amplos poderes, apesar de estarem sujeitos à fiscalização das Audiências .Com o tempo passaram a ter funções administrativas.

Os Cabildos ou ayuntamientos eram equivalentes às câmaras municipais, eram formadas por elementos da elite colonial, subordinados as leis da Espanha, mas com autonomia para promover a adminisrtração local, municipal.

 

Cortéz no México

Na visão dos astecas, a chegada de Cortéz significava a realização de uma profecia, segundo a qual, Quetzacoatl retornaria e assumiria o trono em Tenochtitlán (ao que tudo indica, essa profecia foi feita após a chegada dos espanhóis, como uma forma de tentar explicar a chegada daqueles homens que eram tão estranhos para os astecas). Por isso, quando chegou à Tenochtitlán em novembro de 1519, Cortéz, que vinha acompanhado dos soldados espanhóis e de milhares de guerreiros indígenas aliados, recebeu as boas vindas de Montezuma 2º, o imperador asteca. O próprio Montezuma 2º teria acreditado que Cortéz fosse mesmo o deus Quetzacoatl. Porém, pouco tempo depois, o imperador asteca percebeu que estava equivocado a respeito de Cortéz. Já era tarde demais. Montezuma foi feito prisioneiro pelos espanhóis, que logo começaram a tomar todos os objetos de ouro dos astecas.

Fim do Império Asteca

Os espanhóis permaneceram durante muitos meses em Tenochtitlán. Quando Cortéz precisou se ausentar da cidade, Pedro de Alvarado, seu substituto no comando das tropas, aproveitou-se da ausência do líder e ordenou o massacre de milhares de astecas que estavam reunidos no interior do Templo Maior, durante a festa de Tóxcatl. Esse episódio ficou conhecido como "Noite Triste" e marcou o início da guerra entre astecas e espanhóis. Quando retornou, Cortéz não conseguiu conter os ânimos dos astecas. Os espanhóis e seus aliados indígenas se viram obrigados a fugir e buscaram refúgio em Tlaxcala, cidade onde viviam os principais inimigos dos astecas. Diferentemente de outras cidades da região, Tlaxcala jamais se submeteu ao controle do Império Asteca. Por causa do seu apoio aos espanhóis, Tlaxcala acabou conquistando uma posição relativamente privilegiada durante o domínio colonial da Espanha no México. Cortéz buscou reforços na Espanha e entre os povos indígenas inimigos dos astecas. Assim, ele conseguiu reunir um exército formado por milhares de guerreiros indígenas e cerca de 900 soldados espanhóis. Acompanhado desse exército e munido de canhões, Cortéz sitiou a capital asteca. Em 13 de agosto de 1521, após os astecas resistirem durante 75 dias, o último imperador asteca, Quatemozin (também chamado de Guatemozin), sucessor de Montezuma 2º foi obrigado a render-se aos espanhóis. .

A derrota dos astecas para os espanhóis não pode ser explicada por um único fator apenas. Na verdade, ela é o resultado da combinação de uma série de fatores. Os dois mais importantes foram o fato de Cortéz ter conseguido aliados entre as populações indígenas e o fato de que ele estava bem informado a respeito do seu inimigo. Curiosamente, enquanto Cortéz sabia muito a respeito dos astecas, Montezuma 2º pouco sabia a respeito dos espanhóis. Isso se devia ao fato de que astecas e espanhóis viviam em "mundos mentais" diferentes, tinham concepções de mundo diferentes. Enquanto, Cortéz valorizava a informação a respeito dos inimigos, recompensando seus informantes, o imperador asteca punia aqueles que lhe traziam notícias desfavoráveis.

Para o imperador asteca, os espanhóis eram imprevisíveis, pois não se encaixavam em nenhum dos modelos que conhecia: os astecas guerreavam seguindo regras de combate pré-estabelecidas, como em um torneio, enquanto os espanhóis usavam de todos os meios para surpreender o inimigo. Além disso, os astecas tinham uma visão cíclica da história, acreditavam que tudo ocorre em ciclos, que se repetem regularmente.

Os astecas acreditavam que antes de este mundo ser criado, outros mundos existiram, tendo sido criados e destruídos. Quando algo novo ocorria, os astecas procuravam de algum modo encaixar isso em profecias. Por isso, ao que tudo indica várias das profecias feitas a respeito da volta de Quetzacoatl foram feitas após a chegada dos espanhóis e não antes.

Criar profecias a respeito daquilo que já aconteceu seria uma maneira de aceitar e superar psicologicamente o passado. Como se vê, os astecas concebiam a realidade como algo rígido e imutável, enquanto os espanhóis tinham mais facilidade de improvisação e de se adaptarem a novas circunstâncias.

 

Pizarro no Peru

Francisco Pizarro González (Trujillo, Extremadura, 16 de março de 1476 — Lima, 26 de junho de 1541) foi um conquistador e explorador espanhol. Entrou para a história como o "conquistador do Peru", tendo subjugado o Império Inca.

Filho bastardo, foi abandonado nas escadarias da igreja de Trujillo e que depois foi reconhecido por seu pai, nobre capitão dos tercios. Incumbido de tratar de porcos na juventude, como paga, seu pai o teria mandado à Itália aprender ofício militar. O primeiro registro oficial que menciona Pizarro é a documentação da expedição de Vasco Núñez de Balboa no Panamá em 1513, onde era um pequeno e obscuro oficial, quase analfabeto.

Desde aí se desenrolou o engajamento de Pizarro na aventura da conquista da América, nos arredores das primeiras colônias espanholas na América Central, então chamada Castilla de Oro, o que mais lhe rendeu esforços e aflições com os Caraíbas do que honra e glória até quando, em 1517, foi distinguido com a tarefa de aprisionar seu antigo chefe Balboa, por ordem do novo Governador colonial Pedro Arias de Avila.

Em 1524, já com cinqüenta anos de idade, Pizarro se uniu a um oficial menor chamado Diego de Almagro que com ele compartilhava a condição de bastardo. Ambos acalantavam planos depois de ouvirem a narrativa de Pascual Andagoya que, embora retornasse ferido e sem riquezas de uma expedição mais ao sul, teria obtido a informação de um nativo que, apontando para o sul, disse-lhe que conhecia o Pirú, reino onde "se come e se bebe em vasilhas de ouro".

Pizarro se aproximou do padre chamado Hernando Luque, homem de confiança de um rico comerciante da Colômbia, o juiz Gaspar de Espinosa, e por seu intermédio obteve o patrocínio para a planejada conquista do Peru, e no mês de novembro de 1524, Pizarro se fez ao mar com oitenta homens e quatro cavalos.

Essa primeira expedição nada surtiu senão denominar de Baia da Fome pelos motivos óbvios, o lugar onde desembarcaram e de onde partiram pela costa, sem nada obter senão combates com os nativos, num dos quais Almagro perdeu um olho.

Regressando sem riquezas ou glórias, foram necessárias muitas negociações para o financiamento de uma nova expedição que, entretanto, foi minuciosamente contratada por escrito no qual já se previa a conquista do Peru ainda desconhecido, e já se tratava da partilha de suas riquezas.

Em novembro de 1526 Pizarro voltava ao mar, em dois pequenos barcos com cento e sessenta homens e alguns cavalos e, desta vez, desembarcou na foz do Rio San Juan na costa da atual Colômbia onde ficou com maior parte de seus homens enquanto Almagro retornou ao Panamá com uma das embarcações para buscar mais reforços e a outra embarcação, sob o comando do piloto Bartolomeu Ruiz, prosseguiu, atravessando o equador por cerca de 700 km para o sul, ocasião em que teve o primeiro contacto com a civilização Inca: tratava-se de uma grande jangada impulsionada por uma vela quadrada na qual havia homens e mulheres bem vestidos com túnicas de lã, usando ornatos feitos do tão ambicionado ouro .

Três Índios foram aprisionados para posteriormente servirem de intérpretes, Bartolomeu Ruiz voltou e se reuniu com Pizarro e pouco depois retornou Almagro com um reforço de 90 homens. Entretanto Pizarro já havia perdido muitos homens para a fome e a doença e um estado de desânimo e revolta se instalava entre eles. Traçando com sua espada uma linha na areia, desafiou todos a passarem para o lado dele, onde estariam a luta e a morte mas também a fama e a fortuna. Apenas onze espanhóis e um grego se juntaram e ele e os demais retornaram ao Panamá.

Pizarro e seus fiéis esperaram numa ilhota ao largo da costa por sete meses, até quando o governador do Panamá lhe enviou numa única nave com novos recrutas. Embarcando, esta força expedicionária navegou mais para o sul por mais de 25 dias até o golfo de Guaiaquil onde um daqueles índios, já intérprete, explicou que se tratava do porto inca mais setentrional, então já a cidade de Tumbes atual.

Aí não houve lutas, e afora uns poucos espanhóis deixados em Tumbes para conhecer melhor a região, Pizarro prosseguiu mais para o sul até o atual golfo de Guayaquil onde sua embarcação foi confrontada por grande número de jangadas repletas de guerreiros incas. Trocando informações com os nativos, Pizarro mostrava suas armaduras, arcabuzes e vinho e os nativos falavam abertamente de sua civilização admitindo a existência de ouro, prata e pedras preciosas. Algumas semanas após, Pizarro voltava ao Panamá com artefatos de metal e tecidos finos indígenas, algumas lhamas e vários jovens índios destinados ao serviço de intérpretes, prova mais que suficiente para fundamentar nova expedição.

Perseguindo seus objetivos, Pizarro voltou à Espanha e diante da corte de Carlos V fez a apologia dos esplendores do Peru, fazendo coro com os relatos mais auspiciosos ainda de Hernán Cortés, que retornava da conquista do México. Em 26 de julho de 1529 a rainha assinou a capitulación que autorizava Pizarro conquistar e explorar as riquezas do Peru nomeando-o governador e capitão geral.

Em 1530, levando consigo três de seus meios-irmãos, Pizarro se reuniu com Almagro e Luque no Panamá e rumou para o sul fundando, em setembro de 1532 o primeiro estabelecimento hispânico na costa do Peru denominado San Miguel de Pirua, lá formando uma força de conquista com sessenta e dois cavaleiros e cento e seis infantes com a qual ingressou continente adentro na "Conquista do Império Inca".

No dia 16 de novembro de 1532, Pizarro, com sua pequena força expedicionária, chegou a Cajamarca onde, deixando seu exército fora da cidade, aceitou o convide do imperador Atahualpa para um jantar no qual assassinou sua pequena guarda de honra e fez o próprio imperador seu prisioneiro. No ano seguinte Pizarro invadiu Cuzco com tropas indígenas e derrubou o Tahuantinsuyu (império inca).

Julgando que a capital Cuzco estava muito distante e muito acima no altiplano, Pizarro fundou a cidade de Lima no dia 18 de janeiro de 1535, prosseguindo em árdua campanha pois as forças Incas tentaram retomar Cuzco sendo derrotadas por Almagro que, por isto, julgo-se em condições de tomá-la para si, gerando uma disputa com Pizarro que o derrotou e executou em 1538 na cidade de Ute.

Entretanto, partidários de Almagro assassinaram Pizarro em 26 de junho de 1541.



Escrito por Rafael Sêga às 19h57
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Resumo: Revolução Francesa

A Revolução Francesa é um dos grandes acontecimentos históricos que marcaram a superação do Feudalismo pelo Capitalismo. É tradicionalmente utilizada para assinalar o inicio da Idade Contemporânea.

Os revolucionários franceses, sob o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, levaram os ideais iluministas às ultimas conseqüências. Procuraram instituir um estado caracterizado por maior participação política da população e pela diminuição das desigualdades sociais. Inauguraram assim um estado que tinha em sua base o "povo" e o direito da "cidadania".

A França em crise
No século XVIII, a França viveu um período de grande prosperidade, embora sua economia encontrasse predominantemente agrícola. De sua população estima-se que 80% vivia no campo. A prosperidade chegou ao fim por volta de 1778, quando uma crise começou a tornar evidente a precariedade da organização administrativa, política financeira, econômica e social do país.
Desde 1774 o país era governado por Luís XVI, distante dos interesses da população ele governava o país bem distante, no palácio de Versalhes. Para manter o luxo do palácio e de seus membros eram cobrados vultosos impostos da população mais pobre e assim a insatisfação era crescente.
As desigualdades sociais e políticas tinham como causa um conjunto de fatores. Primeiramente, a sociedade estava dividida em três estados: o clero, a nobreza e
o povo. Os dois primeiros mantinham privilégios da época feudal como o direito de cobrar imposto. Além disso, eram isentos do pagamento de diversos tributos, ao contrario do povo que não tinha direito algum. Outro fator muito importante era a dificuldade de romper com o a economia agrária e programar a economia industrial, por causa dos grandes déficits provocados pelos gastos excessivos.

O terceiro estado (povo) era formado pela a maioria da população Francesa que reunia diferentes grupos sociais:§ Grande Burguesia: Formada por banqueiros, empresários e poderososcomerciantes; § Pequena Burguesia: Formada por profissionais liberais e médios comerciantes; § Sans-culotte: Camada social urbana composta por artesãos,aprendizes de oficio,assalariados e desempregados marginalizados;
§ Camponeses: Eram os trabalhadores livres e semi-livres e os servos presos às obrigações feudais.
O que é o terceiro estado?Tudo.O que ele tem sido em nosso sistema político?Nada.O que ele pretende?Ser alguma coisa.
A partir de 1785 os problemas aumentaram, o governo faliu financeiramente, grande onda de desemprego, além disso, um rigoroso inverno destruiu a safra deixando toda a França faminta e revoltada.

Processo revolucionário
O longo processo revolucionário francês foi complexo e contraditório. Para melhor entende-lo foi dividido em diferentes fases: § Revolta aristocrática § Assembléia nacional constituinte § Monarquia constitucional § Republica e convenção nacional § Governo do Diretório.

1.Revolta aristocrática: O tiro saiu pela culatra
Para solucionar a grave crise econômica, o rei Luís XVI viu-se obrigado a criar novos tributos para o terceiro estado, ou acabar com a isenção tributária do primeiro e segundo estado. Sentindo seus privilégios tradicionais ameaçados, a nobreza e o clero se revoltaram em 1787, e pressionaram o rei para que convocasse a assembléia dos Estados Gerais. O objetivo era obrigar o terceiro estado a assumir os tributos. O sistema de votação era feito da seguinte forma: Cada ordem social tem direito a apenas um voto. Dessa maneira o clero e a nobreza somaram dois votos e o terceiro estado continuava sem voz ativa dentro do estado.
O terceiro estado não concordou com a maneira de votação e logo começou o conflito direto com o clero e a nobreza. Assim paralisou os trabalhos.

2.Assembléia Nacional Constituinte: A revolução nas ruas .
Em 17 de junho de 1789 os representantes do terceiro estado se reuniram e se revoltaram proclamando a Assembléia Nacional Constituinte com o objetivo de elaborar uma constituição para a França.
Tomada da Bastilha: O rei ordenou o fechamento da Assembléia Nacional Constituinte, mas o terceiro estado, com o apoio da burguesia, não desistiu e permaneceram reunidos até a elaboração de uma nova constituição para o país. Luís XVI tentou reagir organizando tropas de combate, mas os revoltosos continuaram através do slogan: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. No dia 14 de julho de 1789, os revoltosos tomaram a Bastilha, uma prisão que concentrava os prisioneiros que desrespeitavam a monarquia e era o símbolo do poder absoluto do rei. Além de libertar os prisioneiros, a multidão pegou as armas estocadas ali e saiu pela rua defendendo os ideais do terceiro estado.
Fim do regime feudal e dos privilégios: Reconhecendo que era praticamente impossível deter a revolução, o rei Luís XVI foi obrigado a reconhecer a legitimidade da Assembléia Nacional Constituinte. Em quatro de agosto de 1789, a Assembléia Aboliu o regime Feudal eliminando os direitos senhoriais sobre os camponeses, e acabou com os privilégios tributários do clero e da nobreza. No dia 26 foi proclamada a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que influenciou Grande parte da Europa e da América, onde começou a prevalecer os princípios do liberalismo democrático.
Redução do Poder do clero: em 1790 a Assembléia Constituinte confiscou inúmeras terras da Igreja e subordinou o clero à autoridade do Estado. O Papa não aceitou as determinações da Assembléia, e os sacerdotes fiéis a ele viram-se entre duas opções: sair da França ou ficar e para lutar contra a revolução. Muitos, porém, acataram as novas leis francesas.
3.Monarquia Constitucional: O domínio da Burguesia
Quando foi concluída a Constituição em 1791, a França tornou-se uma monarquia constitucional, em que o rei perdia os poderes absolutos do antigo regime, não estando mais acima das leis. Ele deveria respeitar as ordens da constituição.

Vejamos alguns dos principais pontos da constituição francesa de 1791, que exprimiam os ideais da burguesia. § Sociedade - igualdade jurídica entre todos os indivíduos. Extinguiam-se os privilégios hereditários da nobreza e do clero. § Economia - completa liberdade de produção e de mercado. Garantia-se a não-interferência do estado na vida econômica. Proibiam-se as greves dos trabalhadores. § Religião - garantia-se a liberdade de crença religiosa § Política - os poderes do estado foram divididos em: Legislativo, Executivo e Judiciário. Assegurava-se a representatividade popular por meio de eleições para a escolha dos parlamentares. Os cidadãos eram subdivididos em ativos que tinham renda necessária para votar e passivos que não votavam.
Não aceitando a revolução, o rei Luís XVI conspirou, seu objetivo era organizar um exercito para invadir a França e restabelecer a velha monarquia absolutista. Ele tentou fugir da França para se aliar á forças exteriores, porém foi reconhecido na fronteira e foi levado para a capital francesa. Assim o exercito Austro-prussiano invadiu a França e com muita luta dos revolucionários o exercito exterior foi derrotado.

4. Republica e Convenção Nacional: Girondinos, Jacobinos e planície.
A vitória da França deu nova força aos revolucionários. Em 22 de setembro os principais lideres políticos decidiram proclamar a republica. Proclamada a republica, a antiga assembléia foi substituída pela Convenção Nacional, que tinha como principal missão elaborar uma nova constituição para a França.
Nesse período, as principais forças do país eram as seguintes: § Os Girondinos - representava a alta burguesia defendia posições políticas moderadas, temendo que as camadas populares assumissem o controle da revolução. Eram favoráveis, por exemplo, à igualdade jurídica dos cidadãos, mas não uma igualdade econômica. § Os Jacobinos - representava à pequena e media burguesia e o proletariado de Paris. Defendia posições radicais. Queriam por exemplo, reduzir a imensa desigualdade econômica entre os franceses. § A Planície -representava a burguesia financeira. Conforme suas conveniências, mudava de posição constantemente. Era oportunista, apoiando quem estava no poder.
Luís XVI foi levado a julgamento por traição a pátria. Foi condenado por conspirar contra a liberdade da nação e a segurança geral do estado em 21 de janeiro de 1793 o rei foi guilhotinado.
A execução do rei provocou emoção nos contra-revolucionários, reorganização das forças estrangeiras e revoltas internas. Para enfrentar ameaças os jacobinos criaram uma serie de órgãos encarregados da defesa da revolução. Entre esse órgãos destacam-se: § Comitê de salvação publica: responsável pelo controle do exercito e da administração do país § Tribunal revolucionário: encaregado de vigiar e punir os traidores de causa revolucionaria. Esse tribunal foi responsável pela morte de, aproximadamente 40 mil pessoa na guilhotina.

Nesse período conhecido como fase do terror, o medo da guilhotina pairava entre os não jacobinos. Toda e qualquer pessoa suspeita podia ser presa e condenada como inimiga da revolução.
Instalou-se uma verdadeira ditadura dos jacobinos, sob a liderança de Robespierre. Esse para governar, procurava equilibrar-se entre as diversas tendências políticas, uma mais identificada com a burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares.
Durante seu governo, Robespierre conseguiu conter o ataque das forças estrangeiras. Aliviadas as tenções decorrentes da ameaça externa os girondinos e
o grupo da planície uniram-se contra o governo de Robespierre. Se o necessário apoio popular, Robespierre foi preso em 27 de julho de 1794, sendo logo depois, guilhotinado. Chega o final o regime do terror.

5. O governo do diretório: A ascensão de Napoleão
Com o fim do governo de Robespierre a convenção nacional passou a ser controlada por representantes da alta burguesia. A convenção decidiu, então, elaborar uma nova constituição para a França.
Concluída em 1795, essa constituição estabeleceu a continuidade do regime republicano,que seria, então, controlado pelo Diretório, órgão composto por cinco membros eleitos pelo legislativo. O Diretório teve um período de governo conturbado pelas oposições políticas tanto dos grupos monarquistas - que planejavam retornar ao poder - quanto dos grupos populares jacobinos - que também conspiravam contra o Diretório, nesse período um jovem general, Napoleão Bonaparte, adquiria prestigio político e militar reprimindo as rebeliões contra o governo e obtendo campanhas externas.
O golpe de 18 Brumário: No dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário pelo novo calendário instituído pela revolução, Napoleão, contando com o apoio de influentes políticos e certo prestigio popular, dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo, o Consulado. O papel de Napoleão foi de evitar uma possível ascensão ao poder de setores mais identificados, com o interesse das camadas populares ou dos antigos monarquistas. Com isso, Napoleão consolidou as conquistas da burguesia e abria caminho para o desenvolvimento capitalista francês, encerrando o ciclo revolucionário.



Escrito por Rafael Sêga às 10h33
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RESUMO: INDEPENDÊNCIA DOS EUA

Introdução
Antes da Independência, os EUA era formado por treze colônias controladas pela metrópole : a Inglaterra. Dentro do contexto histórico do século XVIII, os ingleses usavam estas colônias para obter lucros e recursos minerais e vegetais não disponíveis na Europa. Era também muito grande a exploração metropolitana, com relação aos impostos e taxas cobrados dos colonos norte-americanos.

Colonização dos Estados Unidos
Para entendermos melhor o processo de independência norte-americano é importante conhecermos um pouco sobre a colonização deste território. Os ingleses começaram a colonizar a região no século XVII. A colônia recebeu dois tipos de colonização com diferenças acentuadas:
Colônias do Norte : região colonizada por protestantes europeus, principalmente ingleses, que fugiam das perseguições religiosas. Chegaram na América do Norte com o objetivo de transformar a região num próspero lugar para a habitação de suas famílias. Também chamada de Nova Inglaterra, a região sofreu uma colonização de povoamento com as seguintes características : mão-de-obra livre, economia baseada no comércio, pequenas propriedades e produção para o consumo do mercado interno.
Colônias do Sul : colônias como a Virginia, Carolina do Norte e do Sul e Geórgia sofreram uma colonização de exploração. Eram exploradas pela Inglaterra e tinham que seguir o Pacto Colonial. Eram baseadas no latifúndio, mão-de-obra escrava, produção para a exportação para a metrópole e monocultura.

Guerra dos Sete Anos
Esta guerra ocorreu entre a Inglaterra e a França entre os anos de 1756 e 1763. Foi uma guerra pela posse de territórios na América do Norte e a Inglaterra saiu vencedora. Mesmo assim, a metrópole resolveu cobrar os prejuízos das batalhas dos colonos que habitavam, principalmente, as colônias do norte. Com o aumento das taxas e impostos metropolitanos, os colonos fizeram protestos e manifestações contra a Inglaterra.

Metrópole aumenta taxas e impostos
A Inglaterra resolveu aumentar vários impostos e taxas, além de criar novas leis que tiravam a liberdade dos norte-americanos. Dentre estas leis podemos citar : Lei do Chá (deu o monopólio do comércio de chá para uma companhia comercial inglesa),  Lei do Selo ( todo produto que circulava na colônia deveria ter um selo vendido pelos ingleses), Lei do Açúcar ( os colonos só podiam comprar açúcar vindo das Antilhas Inglesas).
Estas taxas e impostos geraram muita revolta nas colônias. Um dos acontecimentos de protesto mais conhecidos foi a Festa do Chá de Boston ( The Boston Tea Party ). Vários colonos invadiram, a noite, um navio inglês carregado de chá e, vestidos de índios, jogaram todo carregamento no mar. Este protesto gerou uma forte reação da metrópole, que exigiu dos habitantes os prejuízos, além de colocar soldados ingleses cercando a cidade.

Primeiro Congresso da Filadélfia
Os colonos do norte resolveram promover, no ano de 1774, um congresso para tomarem medidas diante de tudo que estava acontecendo. Este congresso não tinha caráter separatista, pois pretendia apenas retomar a situação anterior. Queriam o fim das medidas restritivas impostas pela metrópole e maior participação na vida política da colônia.
Porém, o rei inglês George III não aceitou as propostas do congresso, muito pelo contrário, adotou mais medidas controladoras e restritivas como, por exemplo, as Leis Intoleráveis. Uma destas leis, conhecida como Lei do Aquartelamento, dizia que todo colono norte-americano era obrigado a fornecer moradia, alimento e transporte para os soldados ingleses. As Leis Intoleráveis geraram muita revolta na colônia, influenciando diretamente no processo de independência.

Segundo Congresso da Filadélfia
Em 1776, os colonos se reuniram no segundo congresso com o objetivo maior de conquistar a independência. Durante o congresso, Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Porém, a Inglaterra não aceitou a independência de suas colônias e declarou guerra. A Guerra de Independência, que ocorreu entre 1776 e 1783, foi vencida pelos Estados Unidos com o apoio da França e da Espanha.

Constituição dos Estados Unidos
Em 1787, ficou pronta a Constituição dos Estados Unidos com fortes características iluministas. Garantia a propriedade privada ( interesse da burguesia ), manteve a escravidão, optou pelo sistema de república federativa e defendia os direitos e garantias individuais do cidadão.



Escrito por Rafael Sêga às 10h30
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