Blog de Rafael Sêga

História 1 & 2



Descoberta da América

Usualmente, para compreendermos o advento das grandes navegações, fazemos uma associação entre o reavivamento comercial da Baixa Idade Média, a formação dos Estados Nacionais e a ascensão da burguesia para compreendermos tal experiência histórica. A primeira nação a reunir esse conjunto de características específicas foi Portugal, logo depois da “Revolução de Avis”.

Desde o século XII, a entrada dos produtos orientais se dava pelo monopólio exercido pelos comerciantes italianos e árabes. Visando superar a dependência para com esse dois atravessadores, Portugal promoveu esforços para criar uma rota que ligasse diretamente os comerciantes portugueses aos povos do Oriente. Dom Henrique, príncipe português, reuniu na cidade de Sagres vários navegantes, cartógrafos, marinheiros e cosmógrafos dispostos a desenvolver conhecimentos no campo marítimo. No ano de 1415, os portugueses desembarcaram em Ceuta, no norte da África e, em seguida, Portugal ocupou as ilhas atlânticas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Em 1434, o navegador Gil Eanes, ultrapassou o cabo Bojador, definido como o limite máximo do mundo conhecido e abriu as portas para a conquista lusitana sob o litoral africano. Depois de formar novos entrepostos pela costa africana, um novo limite viria a ser superado: em 1488, Bartolomeu Dias chegou ao Cabo da Boa Esperança. Dez anos mais tarde, o navegador Vasco da Gama chegou à cidade indiana de Calicute e voltou a Portugal com uma embarcação cheia de especiarias. No ano de 1500, o navegante português Pedro Álvares Cabral anunciou a descoberta do Brasil.

No meio tempo em que Portugal despontou em sua expansão marítima, a Espanha se envolveu no processo de expulsão dos mouros da Península Ibérica. O fim da chamada “Guerra de Reconquista” possibilitou a inserção dos espanhóis na corrida de expansão marítima. Atraídos pelo projeto do navegador genovês Cristóvão Colombo, a Espanha decidiu financiar a expedição do explorador italiano, em 1492. De acordo com o plano de Colombo, seria possível alcançar-se o Oriente navegando-se pelo Ocidente. Dessa aventura marítima, a Coroa Espanhola descobriu o continente americano.

Cristóvão Colombo, figura de suma importância na descoberta da América, nasceu em Gênova - província italiana da região de Ligúria –, no ano de 1451, pertencente a uma rica família de artesãos.
Não se tornou, porém, um intelectual, interessando-se pelos conhecimentos referentes à navegação e à cartografia, vindo a ter sua primeira experiência no mar aos 10 anos de idade.
Aos 25 anos, já no ano de 1476, foi vítima de um naufrágio ao longo do Algarves – região mais ao sul de Portugal Continental –, quando se encontrava no interior de uma caravela comercial flamenga. Em conseqüência deste incidente Colombo acabou indo para Lisboa, local em que morava seu irmão Bartolomeu. Viveu ali por um tempo razoável para que se casasse com uma portuguesa rica, natural da Ilha da Madeira.
Era de interesse de Colombo explorar os mares e as novas terras que ainda se encontravam por assim dizer, escondidas, porém a Coroa Portuguesa negou a ele apoio para esta empreitada, esperando desta forma proteger o privilégio da posse exclusiva sobre as navegações, mesmo tendo total conhecimento dos interesses econômicos e políticos que abrangiam a concorrência pela possessão dos mares e das terras que ainda restavam ser encontradas e colonizadas.
Somente no ano de 1492, com 41 anos de idade, Colombo realiza seu sonho de explorar os mares, com o consentimento dos Reis Católicos de Aragão e Castela – Fernando II e Isabel I -, que lhe deram total liberdade para agir.
A expansão marítima era de total interesse dos reinos europeus, com destaque para Portugal e Espanha, os mais interessados em ampliar suas possessões territoriais e descobrir novos caminhos marítimos como alternativas para a realização do comércio.
O objetivo maior era alcançar as Índias – nome que abrangia todo o Oriente -, grande abastecedora de especiarias e um novo ponto comercial de consumo.
A Armada da primeira viagem de Colombo, constituída pelos navios Santa Maria, Pinta – cujo capitão era Martín Alonso de Pizón - e Nina – comandada pelo capitão Vicente Yáñez Pinzón -, sai do porto espanhol de Palos em 03 de agosto de 1492.
No dia 12 de outubro ancora em uma ilha denominada pelos índios de Ilha de Guanahaní, porém batizada por Colombo com o nome de San Salvador (Bahamas), pensando ter alcançado as Índias. O primeiro desembarque deu-se na Baía Long, no litoral ocidental, local em que foram afixados o estandarte Real, pelo então denominado Almirante Colombo, e as demais bandeiras da Cruz Verde, fixadas pelos outros capitães. O escrivão da Armada, Rodrigo de Escobedo, foi incumbido de redigir e escrever o documento de posse da nova terra.
No ano de 1500 o Brasil é descoberto, entre 1503 e 1513 cabe a Américo Vespúcio e outros navegadores explorarem as Antilhas e o litoral atlântico na parte mais ao sul dos territórios recém-descobertos. Em 1508 eles alcançam a península de Yucatán – México – e no ano de 1512 chegam à Flórida e ao delta do rio Mississipi (EUA). Diante das evidências, concluem que descobriram um novo continente, que em homenagem a Américo Vespúcio é denominado América.
O descobrimento da América fez desmoronar uma idéia remota de que o mundo era constituído apenas por um bloco de três continentes: Ásia, África e Europa, rodeado por um grande oceano.
Com a descoberta do Novo Mundo, Colombo marca uma nova era, que transformou de forma expressiva e irreversível a fisionomia do mundo, que se baseia nas relações políticas, econômicas e sociais entre os povos ocidentais.
A colonização da América se realizou primordialmente por quatro povos: espanhóis, portugueses, ingleses e franceses. Ocorreram duas formas de colonização diferentes: colônias de povoamento, suas especificidades básicas consistiram em: pequena propriedade, cultura variada e trabalho familiar objetivando o mercado interno; nas de exploração havia a predominância da ampla propriedade, da monocultura (um só tipo de cultivo) e do trabalho escravo, sempre de olhos bem abertos para o que se passava no mercado europeu.
O continente americano foi repartido geograficamente em América do Norte, América Central e América do Sul, sendo envolto a oeste pelo Oceano Pacífico e a Leste pelo Atlântico. Ele é considerado o segundo maior continente do mundo com aproximadamente 42.560.270 quilômetros quadrados.
Abrindo a rivalidade entre Portugal e Espanha, ambos buscaram assinar tratados definidores das regiões a serem ocupadas por cada um deles. Em 1493, a bula “Intercoetera” estabeleceu as terras a 100 léguas a leste de Cabo Verde como região de posse portuguesa. No ano seguinte, Portugal solicitou o alargamento das fronteiras para 370 léguas de Cabo Verde. Ao longo do século XVI, outras nações, como Holanda, França e Inglaterra questionaram o monopólio ibérico realizando invasões ao continente americano e praticando atividade corsária, pirataria pura e invadindo domínios luso-espanhóis.



Escrito por Rafael Sêga às 15h51
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Renascimento Cultural

Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.
As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.


Os Valores
O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.
Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas as coisas"; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.
Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.
Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o "culto ao prazer", ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.
O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de "homem universal", matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.


O Berço do Renascimento
Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aqueles ligadas ao comércio.
Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se , possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.
Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos "sábios bizantinos", homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.


A Produção Renascentista
É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de "alguns grandes homens", mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.
O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento. O Mecenas era considerado como "protetor", homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.
Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.


A Expansão do Renascimento
No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.
O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.
Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.
A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.

Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante nõ existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.



Escrito por Rafael Sêga às 15h43
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Legado Cultural Grego 1

Os habitantes das cidades gregas partilhavam algumas instituições e práticas culturais importantes. A principal, sem dúvida, era a língua. Outra era a religião, presente em todos os aspectos da vida, das artes, da política, dos costumes.

 

1. Deuses muito humanos

Como a maior parte dos povos da Antiguidade, os gregos eram politeístas. Seus deuses, entretanto, assim como os seres humanos, eram dotados de sentimentos de raiva, de ódio, de compaixão. A maioria dessas divindades habitava o monte Olimpo, a mais alta montanha da península Balcânica. Segundo a mitologia grega (conjunto de mitos e crenças daquele povo), alguns desses deuses chegaram a manter relações sexuais com seres humanos, gerando filhos conhecidos como heróis ou semideuses.

A religião dos gregos não tinha dogmas ou mandamentos. Desde que não provocasse a fúria divina, a crença era livre. O culto religioso tinha o objetivo de assegurar proteção ao indivíduo, à família ou à cidade. (Ver tabela de deuses no item abaixo)

Para conhecer a vontade dos deuses, os gregos interpretavam certos sinais - os presságios - ou dirigiam-se aos oráculos, isto é, a santuários nos quais sacerdotes respondiam às consultas feitas às divindades.

Outra manifestação religiosa eram as festas para homenagear os deuses. As mais importantes eram os Jogos Olímpicos , realizados para Zeus na cidade de Olímpia. Nessas ocasiões, estabelecia-se uma “trégua sagrada” e até as guerras eram interrompidas.

 

2. Esplendor artístico

A arquitetura e a escultura eram a expressão máxima da criatividade dos gregos. Os templos constituíam o principal e quase único requinte das cidades-Estado. Relativamente pequenos, não se destinavam a abrigar fiéis; guardavam apenas a estátua da divindade, seus tesouros e as oferendas recebidas. Muitos templos eram retangulares, cercados de colunas, e neles predominavam as linhas retas. Uma característica importante da arquitetura grega era a ausência do arco e da abóbada.

Na arquitetura identificam-se três estilos. O principal e mais antigo deles é o dórico, caracterizado pela simplicidade e pela solidez. Mais tarde, desenvolveu-se o estilo jônico, com construções mais leves e graciosas. No século IV a.C., destacou-se o estilo coríntio, mais rebuscado que os anteriores, distinguindo-se pela riqueza e abundância de detalhes.

Um dos mais belos monumentos da arquitetura grega é o Partenon, construído em Atenas durante o governo de Péricles. O templo foi erguido em homenagem a deusa Palas Atenas e reúne características do estilo dórico.

A escultura tinha por objetivo principalmente reproduzir, de forma idealizada, o corpo humano, de modo a representá-lo como um objeto belo e harmônico em si mesmo. No início, apresentava nítida influência egípcia. Posteriormente, adquiriu características próprias, como a vitalidade e o equilíbrio das formas representadas. Os grandes escultores gregos foram Fídias, Míron e Praxíteles.

 

3. O teatro grego

O teatro grego nasceu em Atenas no século VI a.C., provavelmente nas festas dedicadas ao deus Dioniso. A princípio, sua narrativa estava voltada para temas religiosos e mitológicos. Com o tempo, as encenações passaram a tratar de assuntos ligados ao comportamento humano (tragédias) ou a fazer críticas aos costumes e à vida política (comédias).

As encenações eram feitas pó homens, que usavam máscaras. Os escritores trágicos mais importantes foram:

Ésquilo, autor de Os Persas e Sete contra Tebas;

Sófocles, cujas principais obras são Édipo Rei, Electra e Antígona;

Eurípedes, que escreveu As bacantes e Medéia;

Aristófanes, que na comédia se destacou como autor de A paz e As vespas.

 

4. Os primeiros historiadores

Os gregos, como outros povos, procuravam conhecer e explicar suas origens. Para isso, recorriam aos mitos e as lendas, que, em geral, descreviam as façanhas de deuses ou de heróis, dotados de poderes extraordinários. Todavia, surgiu entre eles uma preocupação em relatar acontecimentos históricos sem recorrer às narrativas míticas.

O primeiro grego que fez isso foi Heródoto (484-425 a.C.), o “pai da história”. Após passar um longo tempo viajando pólo Egito, pelo Império Persa e por muitos outros lugares, escreveu sua obra com base nas informações obtidas. Heródoto, porém, não chegava a ser um racionalista perfeito. Deixava-se, muitas vezes, levar em seus relatos por explicações místicas e lendárias. Apesar disso, revelou uma atitude crítica em relação às fontes.

 

4. 1. O fundador da história científica

O ateniense Tucídides (460-400 a.C.) pode ser considerado o fundador da história científica. Escreveu a História da Guerra do Peloponeso , composta de oito livros, dos quais alguns se perderam.

Em seu trabalho não havia lugar para mitos, lendas ou deuses. Ao contrário, como ele mesmo declara, sua intenção era apresentar os acontecimentos históricos de tal maneira que sua obra jamais perdesse o valor. A certa altura, ele escreveu:

“Pelo que se refere aos fatos, não me baseei no dizer do primeiro que chegou ou nas minhas impressões pessoais; não narrei senão aqueles de que eu próprio fui espectador ou sobre os quais obtive informações precisas e de inteira exatidão”.



Escrito por Rafael Sêga às 14h07
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Legado Cultural Grego 2

5. A reflexão filosófica

A palavra filosofia significa “amor” ou “amizade pela sabedoria” (do grego philo ou philia = amor, amizade; sophia = sabedoria).

Os primeiros filósofos viveram na Jônia, região da Ásia Menor, onde estavam em contato direto com as sociedades orientais, particularmente a do Egito e as da Mesopotâmia. Nessa região, destacou-se o matemático e astrônomo Tales de Mileto. Outros filósofos desse primeiro momento foram Pitágoras, Anaximandro, Heráclito, Parmênides e Demócrito. Nesse período, as principais preocupações diziam respeito à natureza do mundo e ao sentido da vida.

Na segunda metade do século V a.C., a atenção dos pensadores deslocou-se para os problemas da vida social e política. Essa nova tendência iniciou-se com uma corrente filosófica denominada sofista.

O mérito dos sofistas foi popularizar a filosofia e discutir questões importantes, como a escravidão e a guerra. Segundo os sofistas, não existem verdades absolutas; haveria apenas verdades particulares, válidas para cada situação. Protágoras, o mais destacado entre eles, afirmava: O homem é a medida de todas as coisas.

 

5. 1. Sócrates, Platão e Aristóteles

Sócrates e Platão foram dois dos principais filósofos do século IV a.C. Sócrates acusava os sofistas de não procurarem o verdadeiro saber. Defendia a existência de verdades válidas universalmente. A frase “Conhece-te a ti mesmo” é um exemplo de seus ensinamentos. Foi condenado a morte pelas autoridades de Atenas, sob a acusação de corromper a juventude, violar as leis e os preceitos da religião. Sócrates nada escreveu. Tudo o que se sabe a seu respeito foi transmitido por seus discípulos, dos quais o principal foi Platão.

Ao contrário de Sócrates, Platão deixou registros de seu pensamento em obras como O banquete e A república. Fundou a Academia de Atenas e introduziu a concepção idealista, segundo a qual as idéias são essências eternas e imutáveis, dotadas de existência própria, e as coisas materiais seriam apenas manifestações imperfeitas da idéias universais. Platão exerceu grande influência sobre filósofos posteriores, como Santo Agostinho, teólogo cristão do início da Idade Média.

O pensamento filosófico desse período foi sistematizado, em grande parte, por Aristóteles. Ex-discípulo de Platão, Aristóteles foi tutor de Alexandre, o Grande. Fundador do Liceu em Atenas, seu pensamento abarcou quase todos os ramos da filosofia e das ciências naturais. Foi ele quem iniciou o estudo sistemático da lógica. Uma de suas obras mais conhecidas é A política, na qual analisou as diferentes formas de governo.

 

5. 2. A escravidão, segundo Aristóteles

As propriedades são uma reunião de instrumentos e o escravo é uma propriedade instrumental animada (...) Se cada instrumento pudesse executar por si próprio a vontade a vontade ou o pensamento do dono (...), se (por exemplo) o arco pudesse tirar sozinho da cítara os sons desejados, os arquitetos não teriam necessidade de operários, nem os senhores teriam necessidade de escravos.

Todos aqueles que nada têm de melhor para nos oferecer que o uso do seu corpo e do que seus membros são condenados pela natureza à escravidão. É melhor para eles servir que serem abandonados a si próprios. Numa palavra, é naturalmente escravo quem tem tão pouca alma e tão poucos méis que deve resolver-se a depender de outrem (...) Útil ao próprio escravo, a escravidão é justa.” [2]

 

6. A cultura no Período Helenístico

Com as conquistas de Alexandre da Macedônia, a cultura no Mundo Antigo sofreu grandes transformações. No século III a.C., Alexandria, no Egito, se tornaria o principal pólo de produção intelectual. Nessa cidade, em princípios do século III a.C., foi construída uma grandiosa biblioteca, que chegou a ter quatrocentos mil volumes, atraindo inúmeros pensadores, vindos de diversas regiões.

Além da biblioteca havia o Museu, um centro de pesquisa mantido pelo governo. Nele trabalharam importantes pensadores, como Euclides (geômatra), Arquimendes (físico e matemático), Eratóstenes (geógrafo e astrônomo) e Aristarco (astrônomo).

 

6. 1. Epicurismo e Estoicismo

No campo da filosofia, durante o helenismo, destacaram-se Epicuro e Zenão, que viveram em Atenas e foram os criadores, respectivamente, do epicurismo e do estoicismo.

A filosofia epicurista, baseada no desenvolvimento do espírito e na prática das virtudes, procurava atingir o bem pela busca do prazer. Já o estoicismo defendia a harmonia entre os indivíduos e a natureza. Argumentava que o prazer e a dor eram insignificantes diante da verdadeira felicidade. Propunha o desprendimento em relação aos bens materiais e defendia a fraternidade humana.

 

6. 2. História

Na área da história, nome de destaque é o de Políbio, que viveu no século II a.C. Sua principal obra, História geral, narra a conquista dos territórios dos reinos helenísticos pelos romanos.



Escrito por Rafael Sêga às 14h06
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Deuse Gregos e seus nomes romanos

Deus Grego

Deus Romano

Função ou Característica

 

Zeus

 

Júpiter

 

Pai dos deuses e dos homens, principal deus do Olimpo.

Cronos

Saturno

Deus do tempo, pai de Zeus. Pertencia à raça dos titãs.

Hera

Juno

Rainha dos deuses, esposa de Zeus.

Hefesto

Vulcano

Artista do Olimpo, fazia os raios que Zeus lançava sobre os mortais. Filho de Zeus e Hera.

Poseidon

Netuno

Senhor do oceano, irmão de Zeus.

Hades/Dis

Plutão

Senhor do reino dos mortos, irmão de Zeus.

Ares

Marte

Deus da guerra, filho de Zeus e Hera.

Apolo

Febo

Deus do sol, da arte de atirar com o arco, da música e da profecia. Filho de Zeus e Latona.

Artemis

Diana

Deusa da caça e da lua, irmã de Apolo.

Afrodite

Vênus

Deus da beleza e do amor, nasceu das espumas do mar.

Eros

Cupido

Deus do amor, filho de Vênus.

Palas

Minerva

Deusa da sabedoria, nasceu da cabeça de Zeus.

Hermes

Mercúrio

Deus da destreza e da habilidade, cultuado pelos comerciantes. Filho e mensageiro de Zeus.

Deméter

Ceres

Deusa da agricultura, filha de Cronos e Ops.



Escrito por Rafael Sêga às 13h45
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Grécia: Períodos Clássico e Helenístico

O PERÍODO CLÁSSICO

 

O Período Clássico da História Grega ( VI - IV a. C.) é normalmente denominado "Período das Hegemonias", na prática foi o período em que desenvolveu-se o imperialismo das duas maiores cidades gregas; primeiro Atenas, depois Esparta.

 

- Esparta

A pólis grega de Esparta se localizou no Peloponeso, e é de origem dórica. Como os Dórios tinham uma grande tradição guerreira, os espartanos adotaram uma rígida sociedade que enfatizava muito o treinamento militar. Desde cedo as crianças eram preparadas e treinadas para a guerra.

Politicamente era dominada pela aristocracia (espartanos), que através da diarquia (governo de dois reis), da Gerúsia (senado) e dos éforos impediam o acesso do povo à política. A aristocracia era de origem dórica, a sociedade inferior constituída pelos hilotas era composta por aqueus, que eram maioria frente aos espartanos.

O que é preciso saber sobre Esparta: localiza-se no Peloponeso, origem dórica, ênfase no treinamento de guerra, governado pelos espartanos (aristocracia) que se usava da Gerúsia, diarquia e dos éforos para dominarem os hilotas, que eram maioria.

 

- Atenas

A pólis grega de Atenas se localizou na Ática, e é de origem jônica. A maior parte das outras pólis gregas seguem o modelo de Atenas. Ao contrário de Esparta, Atenas visava muito a educação cultural de seus habitantes.

A primeira forma de governo de Atenas foi a realeza, quando um rei (basileu) assumiu o governo a pólis. Em seguida, um conselho assumiu o poder nomeando 9 Arcontes, iniciando o período do arcontado. A sociedade ateniense não se sentiu satsfeita com o arcontado, fazendo com que Drácon e Sólon promovessem mudanças, instituindo o fim da escravidão por dívidas e a divisão da sociedade em grupos respecitvamente.

Mas ditadores acabam assumindo o governo durante o período da tirania. Clístenes inicia o movimento que derrubou a tirania, iniciando o último período da história de Atenas que foi a democracia. Procurando evitar que novos ditadores assumissem poder, instituiram o ostracismo, que exilava pessoas que ameassassem a democracia por dez anos.

O que é preciso saber sobre Atenas: localiza-se na Ática, origem jônica, ênfase na educação cultural, períodos: realeza/arcontado/tirania/democracia, legisladores Drácon e Sólon (fim da escravidão por dívidas e divisão da sociedade), Clístenes e o fim da tirania, ostracismo = exílio por dez anos.

 

Período Clássico

Atingindo igualdade de condições no final do período Arcaico, as pólis Atenas e Esparta procuram agora influenciar outras pólis. Neste período, os persas liderados por Dario I chegam até a região da Grécia, naturalmente dispostos a invadi-la. Os atenienses procuram ajudar as pólis nas fronteiras, mas não consegue, ganhando a inimizade dos persas.

Este episódio detona a guerra entre gregos e persas. Atenas e Esparta uniram as pólis sob suas respectivas influências formando a Confederação de Delos, liderada por Atenas e a Confederação do Peloponeso, liderada por Esparta. A Confederação de Delos conseguiu afastar o perigo de uma invasão persa. Durante o período que se segue, Atenas passa pelo Século de Péricles, o período de apogeu da cidade. Vários pensadores passam a se mudar para Atenas.

Mas logo Atenas e Esparta passam a lutar pela supremacia na Grécia, provocando a Guerra do Peloponeso. Isto provoca o desgaste e o enfraquecimento da Grécia diante dos invasores, abrindo caminho para que Felipe II dos macedônios a invadisse e acaba pondo fim à independência grega.

O que é preciso saber sobre o período Clássico: tentativa de invasão persa, formação das confederações, Século de Péricles, Guerra do Peloponeso (enfraquecimento) e invasão de Felipe II.

 

Período Helenístico

O filho de Felipe II, Alexandre, foi educado pelo filósofo grego Aristóteles, o que criou nele uma mentalidade tipicamente grega. Alexandre expandiu ainda mais o império de seu pai chegando até às margens do rio Indo. Fundou diversas cidades, que chamou de Alexandria, inclusive a Alexandria do Egito. Alexandre morreu cedo acometido por uma febre, e pouco restou de seu império, que foi dividido entre seus generais por não possuir herdeiros com idade para assumi-lo.

Mas a cultura helenística, resultado da fusão da cultura grega com a oriental sobreviveu e foi herdada mais tarde pelos romanos, quando conquistaram a Grécia e a Macedônia.

O que é preciso saber sobre o período Helenístico: Alexandre, filho de Felipe II, educado por Aristóteles, expandiu o império, criou a cultura helenística, fundou Alexandria.



Escrito por Rafael Sêga às 13h37
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Neandertais não eram "estúpidos", apenas "diferentes", afirma estudo

Ferramenta de pedra do grupo era tão eficiente quanto a do homem moderno Os neandertais não eram tão estúpidos quanto a imagem que se tem deles pode fazer crer. Segundo um estudo britânico, as ferramentas de pedra feitas por esses hominídeos extintos são tão boas quanto as dos primeiros ancestrais do homem moderno. Cientistas que passaram anos aprendendo como fazer réplicas dos instrumentos de pedra usados pelos neandertais e pelo Homo sapiens descobriram que as ferramentas do primeiro grupo são tão eficientes quanto qualquer um dos instrumentos montados pelo homem da Idade da Pedra. Os cientistas afirmam que o desaparecimento dos neandertais, que normalmente é explicado pela suposta inferioridade tecnológica do grupo, não pode ser mais atribuído somente a esse motivo. "Nossa pesquisa põe em discussão a tese há muito consolidada de que o Homo sapiens era mais avançado do que os neandertais. Chegou a hora de os arqueólogos começarem a procurar outras razões que expliquem o motivo da extinção dos neandertais", disse Metin Eren, doutorando da Universidade Exeter, no Reino Unido. "Do ponto de vista tecnológico, não existe uma vantagem clara de uma ferramenta sobre a outra. Quando pensarmos nos neandertais agora, nós precisaremos pensar menos em termos como "estupidez" ou "menos avançado" e mais na palavra "diferente'", explica o pesquisador do Reino Unido. Os neandertais viveram na Europa por aproximadamente 300 mil anos, sobrevivendo a algumas idades do gelo antes de desaparecerem completamente, há mais ou menos 25 mil anos. Segundo pesquisas, eles viveram por uns 10 mil anos no continente europeu ao lado do homem moderno. O estudo britânico está publicado no periódico "Journal of Human Evolution".



Escrito por Rafael Sêga às 10h41
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Programas: ES01A e ES02A

HISTÓRIA 1

 

1º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

1) Pré-História

2) Homem na América

SEMINÁRIOS:

3) Egito

4) Mesopotâmia

5) Fenícios, hebreus e persas

6) Grécia: Pré-homérico, homérico e arcaico

 

2º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

7) Grécia: Clássico e Helenístico

8) Legado grego

SEMINÁRIOS:

9) Roma: Monarquia e República

10) Império romano

11) Legado romano

12) Feudalismo

________________________________________________

 

HISTÓRIA 2

 

1º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

13) Império bizantino

14) Islã

SEMINÁRIOS:

15) Francos

16) Religião e cultura feudal

17) Crise no mundo feudal

18) Monarquias feudais

 

2º BIMESTRE

PROVA DISCURSIVA:

19) Renascimento

20) Descoberta da América

SEMINÁRIOS:

21) Reforma e contra-reforma

22) Absolutismo

23-24) Otomanos, chineses e maias

24-25) Astecas, incas e tupis

___________________________________________________

 

OBSERVAÇÃO: Os números correspondem aos capítulos dos temas indicados no livro didático adotado:

FIGUEIRA, Divalte G. História, série Novo Ensino Médio. 2ª ed., São Paulo: Ática, 2003



Escrito por Rafael Sêga às 19h55
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Datação por carbono 14

O carbono 14 se forma na atmosfera da Terra através da colisão entre raios cósmicos e átomos de nitrogênio 14. Os átomos de carbono 14 se ligam ao oxigênio, formando o dióxido de carbono (14CO2) que é absorvido pelos seres vivos. Uma vez que a planta ou animal morre, a troca de carbono com a atmosfera é interrompida e, portanto, a quantidade de carbono 14 só diminui com o tempo, já que ele é radiativo. Medindo a razão entre o carbono 14 e o carbono 12 em um objeto, podemos então medir sua idade.

O método de datacão por carbono 14 (C14) foi desenvolvido logo após a segunda guerra mundial. O C14 é radiativo, é produzido pelo bombardeamento de nitrogênio 14 por raios cósmicos na atmosfera e é absorvido do ar pelas plantas. Animais comem as plantas e absorvem o C14. Humanos absorvem o C14 ao comerem plantas e animais. Quando um organismo morre, ele para de absorver C14 e a quantidade já existente no organismo começa a decair em N14, com uma vida média de 5730 anos. Para descobrir há quanto tempo um organismo morreu, determina-se a quantidade de elétrons emitidos por grama do material. Atualmente o C14 emite cerca de 15 elétrons por minuto por grama do material. Antes da explosão da primeira bomba atômica na biosfera da Terra, ocorriam aproximadamente 13,5 emissões de elétrons por minuto por grama do carbono. Se uma material emite 13,5/2 elétrons por minuto por grama, o organismo deve ter 5730 anos.



Escrito por Rafael Sêga às 14h42
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O homem americano

O povoamento do continente americano é um enigma a ser decifrado para a compreensão da evolução de nossa espécie, chamada pelos cientistas de Homo sapiens. Ao deixar a África, onde surgiu aproximadamente entre 200 mil e 100 mil anos, o homem primitivo deu início à sua dispersão territorial e colonizou novos continentes, adaptando-se a novas regiões de clima e recursos naturais variados. Num movimento cuja direção levou ao estreito de Bering, a porta de entrada das Américas, nossos ancestrais deixaram vestígios nos lugares por onde passaram e fixaram residência. Esses locais, conhecidos como sítios arqueológicos foram encontrados em maior número na Europa, Ásia e Oceania do que na América do Norte, Central e do Sul que também são mais recentes. Essa lacuna na história do desenvolvimento humano há muito tempo mobiliza arqueólogos, lingüistas, antropólogos físicos e sociais, biólogos e geólogos, que procuram conhecer a origem, as características e quando e como chegou à América a nossa espécie.
"Hoje, as perguntas que estão sendo feitas sobre o povoamento da América são: de onde vieram os primeiros colonizadores? Que rota seguiram? A migração foi contínua ou interrompida por lapsos de tempo? Quando ocorreu essa migração, ou quando ocorreram essas migrações?", explica Francisco Salzano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), empenhado em desvendar as origens do homem americano por meio da análise genética de grupos indígenas. Para ele, existe o consenso entre os cientistas de que não existiram populações originadas no continente, pois aqui ainda não foram encontrados vestígios muito antigos de fósseis humanos. Além disso, a hipótese mais aceita é a de que a rota de entrada no continente passou pelo estreito de Bering. "Mesmo com relação a este último ponto, no entanto, há vozes discordantes. As discussões quanto à região original de migração envolvem ou a Mongólia ou a Sibéria, numa ou mais rotas de migração, que podem ter sido terrestres, interiores, costeiras ou marítimas", diz Salzano.
Um dos debates mais intensos sobre o surgimento do homem americano diz respeito ao tempo de sua chegada ao continente. Até meados do século passado, os achados arqueológicos que ofereciam dados mais antigos sobre a presença humana nas Américas derivavam de materiais encontrados no Novo México, EUA. Trata-se da cultura Clóvis, assim batizada com o mesmo nome do sítio arqueológico em que foram encontrados artefatos produzidos por pessoas que habitaram a região entre 10.500 e 11.400 anos atrás. Esse grupo era formado por caçadores de grandes animais, tais como mamutes e mastodontes, que eram abatidos por pontas de pedra lascada bastante afiadas, cuja técnica de produção permitia que fossem colocadas na ponta de um cabo.
Esses achados permitiram a construção do modelo teórico chamado "Clóvis-Primeiro", segundo o qual uma única leva de pessoas adentrou a América aproximadamente a 12 mil anos. Esse período correspondia a uma era geológica, o final do período Pleistoceno, em que, entre o Alasca e o estreito de Bering, formou-se um corredor de terra chamado Beríngia, graças ao rebaixamento do nível do mar, numa era glacial em que a água era retida em grande volume na forma de gelo. Além desse fato geológico, a teoria foi corroborada por outras descobertas em sítios arqueológicos nos Estados Unidos, onde os artefatos de pedra lascada encontrados eram bastante semelhantes aos da cultura Clóvis. Desse modo, passou-se a acreditar que dessa cultura descendiam os demais grupos humanos espalhados pelo continente, idéia defendida ferrenhamente pelos pesquisadores norte-americanos, que olham com ceticismo a produção científica sul-americana.
Mas a teoria de que a cultura Clóvis era a primeira e mais antiga da América, aos poucos, foi perdendo espaço diante das novas descobertas arqueológicas que atestaram uma presença humana mais remota em algumas regiões fora da América do Norte, tornando mais acirradas as discussões sobre a origem do homem em nosso continente. No final dos anos 90, trabalhos publicados por cientistas norte-americanos sobre escavações realizadas na América do Sul indicavam datas de ocupação de períodos contemporâneos aos de Clóvis.
No sítio de Monte Verde explorado pelo arqueólogo Tom Dillehay, ao sul do Chile, foram encontrados vestígios arqueológicos que sugerem uma presença humana há 12.300 anos. Os estudos da pesquisadora Anna Roosevelt sobre Pedra Pintada, sítio localizado na cidade de Monte Alegre, Pará, indicam a ocupação do homem na floresta amazônica por volta de 11.300 anos atrás. Os resultados obtidos nesse local levaram a pesquisadora apresentar um outro modelo teórico de explicação da ocupação da América, o qual foi chamado de "Clóvis em contexto". Segundo esse modelo, a cultura Clóvis não era a mais antiga ocupação no continente da qual derivam todas as demais populações americanas.
Achados em outros sítios arqueológicos espalhados pela América do Sul reforçam a teoria de uma ocupação pré-Clóvis do continente, no final do período Pleistoceno, anterior a 10 mil anos, e no início do Holoceno, nossa atual era geológica. Em Taima-Taima, sítio venezuelano, há indícios de presença humana que remontam a 15 mil anos. Na Argentina, nos sítios de Piedra Museo e Los Toldos, existem vestígios humanos de aproximadamente 13 mil anos. Os sítios de Tibitó, Colômbia, e os de Quebrada Jaguay e Pachamachay, no Peru, possuem datações antigas de até 11.800 anos. No Brasil, em Lapa do Boquête, Vale do Peruaçu, e em Lapa Vermelha e Santana do Riacho, Lagoa Santa, todos estes em Minas Gerais, e no Boqueirão da Pedra Furada, São Raimundo Nonato, Piauí, foram encontradas evidências remotas, anteriores a 10 mil anos.
Atualmente, reivindica-se ao sítio arqueológico do Boqueirão da Pedra Furada, os vestígios mais antigos deixados pelo homem nas Américas. Datações feitas a partir de carvões originados de fogueiras e pedras lascadas indicam uma ocupação humana que remonta a cerca de 60 mil anos. Porém, entre os arqueólogos, é discutido se realmente tais vestígios foram produzidos por homens ou se são resultado de algum tipo de ação natural. Para a arqueóloga Niéde Guidon, que escava a região desde os anos 80, não há dúvidas de interpretação a respeito da ação humana nesse contexto. "Colegas americanos da Texas A & M University, EUA, analisaram as peças líticas e, como nós, as consideram indubitavelmente feitas pelo homem. Para rebater a idéia de que o carvão podia vir de incêndios naturais, fizemos sondagens em todo o vale da Pedra Furada e o carvão somente existe dentro do sítio. Incêndios naturais deixam carvão para todos os lados", explica a pesquisadora.
Para Niéde Guidon, a partir dos vestígios do sítio de Pedra Furada, considerando dados da paleoclimatologia, da paleoparasitologia e da genética, seria possível propor uma teoria sobre a ocupação da América por grupos humanos diferentes, vindo de diferentes regiões, em diferentes épocas, ao longo dos últimos 100 mil anos. Mas, como ressalta a pesquisadora, sua proposta não é a de desvendar as origens do homem americano, mas sim descrever a história do homem na região do sudeste do Piauí.
"Todos partem do pressuposto de que estamos estudando a origem do homem americano. Nosso programa de pesquisa é outro. Iniciei as pesquisas partindo da hipótese de que, tratando-se de uma região de fronteira entre duas grandes formações brasileiras, o escudo pré-cambriano da depressão periférica do São Francisco e a bacia sedimentar Maranhão Piauí do período devoniano-permiano, haveria uma profusão de ecossistemas diferentes, o que aumentaria a quantidade e diversidade dos produtos naturais disponíveis. Esse fato poderia ser o gerador de condições favoráveis para o desenvolvimento de culturas diferentes e, principalmente, de grandes culturas nesta região. Estudamos também todo o processo de evolução climática e da paisagem, desde a chegada do homem até hoje. Essa hipótese se mostrou verdadeira e até hoje estamos descobrindo novos sítios, figuras rupestres que foram comparadas pelos técnicos da Unesco às pinturas das grutas francesas, sendo classificadas como obras primas da humanidade. A quantidade de sítios, de pinturas, gravuras, material lítico e cerâmico demonstra uma presença antiga e contínua. Portanto, se enganam aqueles que pensam que estamos pesquisando para descobrir o mais velho ocupante da América. Se os sítios mais antigos tivessem 9.000 anos continuaríamos com o mesmo programa", diz Guidon.
Achados arqueológicos pré-Clóvis, ou seja, mais antigos que 11.400 anos, também têm ajudado a embaralhar ainda mais outras duas peças do quebra-cabeça sobre a colonização primitiva da América que são: a origem do homem americano e o número de levas migratórias que o trouxeram para o continente. Na década de 80, a explicação mais aceita era fornecida pelo Modelo das Três Migrações, uma combinação de análises dentária, lingüística e de genética clássica. Segundo esse modelo, três populações originárias da Sibéria e do nordeste-asiático - ameríndios, na-denes e esquimós - adentraram respectivamente o território americano há 11 mil, 9 mil e 4 mil anos.
Porém, novos estudos em genética baseados na análise do DNA mitocondrial (mtDNA) e do cromossomo Y de populações indígenas americanas fornecem modelos alternativos sobre os grupos fundadores de novas culturas na América. Os pesquisadores Francisco Salzano (UFRGS) e Sandro Bonatto (PUCRS), baseados em resultados com mtDNA, sugerem uma entrada única no continente, por volta de 16 mil a 20 mil anos atrás. Mas Salzano explica que tais projeções sobre o tempo de presença do homem na América variam conforme a base de referência utilizada para estudos nesse sentido. Citando o exemplo da genética, o pesquisador diz que algumas pesquisas baseadas em análises do cromossomo Y, por exemplo, propõem números diferentes de migrações colonizadoras, uma ou mais, que ocorreram em épocas distintas.
Pesquisas em antropologia física, baseadas no estudo da morfologia craniana, também apresentam modelos distintos de ocupação da América, sugerindo a existência de quatro ondas migratórias ocorridas em períodos diferentes. Em artigo publicado na revista brasileira Scientific American, em agosto deste ano, os pesquisadores Walter Neves e Mark Hubbe, ambos da USP, defendem a idéia de que uma população distinta dos atuais índios americanos adentrou o continente através do estreito de Bering aproximadamente a 15 mil anos. Essa hipótese faz parte da teoria denominada "Modelo dos Dois Componentes Biológicos Principais", segundo a qual houve uma migração não mongolóide, que antecedeu a chegada dos ameríndios, na-denes e esquimós ao continente.
Essa teoria é sustentada pelo antropólogo físico Walter Neves desde meados dos anos oitenta, época em que ele analisou uma série de crânios encontrados no sítio Lapa Vermelha IV, região de Lagoa Santa, Minas Gerais, escavado por franceses e brasileiros sob a liderança da arqueóloga Annete Laming Emperaire, entre os anos de 1974 e 1976. A morfologia desses crânios apresenta traços característicos aos dos aborígines africanos e australianos, que são distintos dos traços característicos de povos com origem asiática, tais como chineses, japoneses e atuais indígenas americanos. A idéia de que o território americano foi ocupado por populações de componentes biológicos distintos ganhou visibilidade com a publicação, em 1998, de um estudo feito por Neves a partir de um esqueleto encontrado na Lapa Vermelha, considerado um dos mais antigos encontrados na América. Com a idade entre 11 mil e 11.500 anos atrás, esse esqueleto pertencia a uma mulher jovem batizada pelos arqueólogos de Luzia. O estado de conservação de seu crânio permitiu a realização de uma reconstituição facial, cuja aparência revela traços semelhantes aos de africanos e australianos.


A busca continua.
A origem primitiva do homem americano permanece um mistério para a ciência. Os pesquisadores que procuram desvendá-la, dispõem de escassas evidências e utilizam diferentes bases de referência metodológica (lingüística, arqueológica, antropológica, genética etc), que são difíceis de serem encaixadas num mesmo modelo teórico. De certa forma, as discussões giram em torno de quem possui os dados mais precisos e mais antigos sobre a presença humana em nosso continente. Além disso, os embates científicos parecem estar polarizados pelas velhas teorias de colonização e os novos vestígios arqueológicos encontrados na América do Sul.
Para Niéde Guidon, as teorias sobre a ocupação da América dos anos 50 eram baseadas na falta de dados. "Os dados foram surgindo, mas muitos ficaram aferrados a uma teoria sem bases. Os conhecimentos sobre a pré-história da Europa, da África, mudaram e muito. A cada ano temos novos recuos para o aparecimento do gênero Homo, para as relações genéticas entre Homo e os outros grandes primatas africanos. Somente a teoria americana sobre o povoamento da América não pode ser tocada. Em alguns artigos recentes, a submissão é tal que somente o que é feito pelos americanos pode ser considerado", comenta a arqueóloga.
O arqueólogo André Prous (UFMG), que participou da missão franco-brasileira para a escavação do sítio de Lapa Vermelha IV, onde foi encontrada a Luzia, acrescenta que a determinação de um período para a ocupação do homem na América depende da descoberta de sítios arqueológicos devidamente escavados e interpretados. Diz ele, "o dia em que tivermos sítios, se é que eles irão aparecer, mais antigos e em boas condições, já com vestígios inquestionáveis, com estratigrafias claras e datações precisas, teremos dados mais seguros sobre uma presença bastante primitiva do homem em determinada região. Para isso, é preciso multiplicar os números de pesquisas, procurar supostos sítios pleistocênicos com vestígios preservados etc. Teríamos que ter uma multiplicidade de estudos arqueológicos a esse respeito, pois as pesquisas acadêmicas sobre o tema são raras. Além disso, no final, devemos contar com boa dose de sorte para achar esses locais".



Escrito por Rafael Sêga às 14h52
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Pré-História

O Homo sapiens, surgido entre 400 mil e 100 mil anos atrás é um dos últimos elos da corrente da espécie a qual todos nós pertencemos. Suas origens ainda não estão totalmente explicadas. Uma das teorias afirma que os seres humanos modernos (Homo sapiens sapiens) evoluíram ao mesmo tempo a partir de populações primitivas da África, Ásia e Europa, misturando-se uns aos outros geneticamente.Segundo os defensores dessa corrente, isso se justifica pelo fato de que, em determinadas regiões, populações humanas modernas possuem algumas estruturas anatômicas semelhantes a populações de Homo erectus que ali viveram no passado.Uma outra hipótese sustenta que uma pequena população relativamente isolada de seres humanos primitivos da África evoluiu até o Homo sapiens moderno e de lá se espalhou pela Europa, Ásia e restante do continente africano, desalojando as populações humanas primitivas que encontrava em seu caminho. Os cientistas defendem suas idéias baseando-se na análise do DNA de células de seres humanos de diferentes localidades do planeta.Independentemente de qual teoria esteja correta - se é que alguma delas está -, o fato é que os mais antigos fósseis já encontrados de seres humanos modernos datam de 130 mil anos e foram localizados na África. E de todas as espécies, o Homo sapiens sapiens foi a única que se espalhou e conquistou os cinco continentes do nosso planeta.

 

Períodos da Pré-história humana

Do mesmo modo como a história foi dividida em períodos ou idades (Antiga, Média, Moderna e Contemporânea), os estudiosos realizaram uma periodização da Pré-história, embora esta seja constantemente questionada. A primeira periodização foi formulada pelo dinamarquês Christian Thomsen, num livro publicado em 1836. Segundo ele, a Pré-história se dividida em:

  idade da Pedra Lascada,

  idade da Pedra Polida,

  idade do Bronze e

  idade do Ferro.
Essa classificação foi depois substituída pela do inglês John Lubbock, que chamou de Paleolítico e de Neolítico o que, respectivamente, Thomsen denominara idade da Pedra Lascada e idade da Pedra Polida. Lubbock subdividiu, ainda, cada um dos períodos em fases inferior, média e superior. Atualmente, as duas classificações em geral são combinadas. Entretanto, os estudos pré-históricos propriamente ditos tendem a considerar mais os dois primeiros períodos, Paleolítico e Neolítico, do que os períodos subseqüentes.

 

Técnicas e utensílios

As duas classificações se baseiam nas técnicas ou nos utensílios inventados pelo homem nas épocas focalizadas. Assim, quando se fala em Paleolítico (ou idade da Pedra Lascada), têm-se em vista instrumentos rudimentares de pedra, de madeira ou de osso. E, ao falarmos em Neolítico (ou idade da Pedra Polida), referimo-nos a instrumentos feitos com os mesmos materiais, porém mais sofisticados e mais elaborados. Em 1936, os estudos do cientista Vere Gordon Childe abriram novos caminhos para uma melhor com preensão da Pré-História. Ele propôs que esses períodos fossem considerados etapas da evolução do homem, que não se excluíam entre si, superando-se através de novas formas de produção.

 

Paleolítico: caçadores nômades

Aceitando a designação de Lubbock e as propostas de Childe, o período Paleolítico compreenderia os anos entre 4 milhões a.C. e 12000 a.C. Suas características são o nomadismo e a subsistência baseada na caça, mas também voltada para a pesca e a coleta de vegetais. Durante a caçada, os animais eram forçados em direção a desfiladeiros sem saída ou rumo a abismos, quando então caíam em armadilhas feitas em covas, onde havia paus pontiagudos. Como camuflagem, o homem dispunha principalmente de disfarces com peles e chifres de animais. Os instrumentos ou ferramentas usados cotidianamente eram de pedra, de madeira ou de osso, moldados a partir de golpes de um material mais resistente contra outro menos resistente. Essa técnica podia chegar a alguma sofisticação, com objetos tendo apenas uma de suas faces lascada ou afiada para tornarem-se mais adequados. São dessa época os "machados de mão", pedras trabalhadas para se tornarem cortantes, sem cabo.

 

Arte rupestre

Pouco se sabe sobre a quantidade populacional no Paleolítico, principalmente em virtude do nomadismo. Calcula-se, por exemplo, que em toda a área da atual Bélgica viviam apenas 400 pessoas. De acordo com sepulturas e esqueletos fossilizados nelas encontrados, imagina-se que a média de idade dos seres humanos no fim do período era de 26 anos. No plano artístico, é comum associar-se a arte à religião durante o Paleolítico, embora haja teorias atribuindo ao aumento demográfico o surgimento de tempo ocioso, empregado em pintura e em escultura. De qualquer modo, a arte pré-histórica ou rupestre refletia as preocupações de subsistência, através de representações da caça e da fertilidade (da terra e da mulher).

 

Neolítico: a revolução da agricultura

Supõe-se-se que a humanidade tenha entrado num segundo estágio de sua evolução cultural entre 12000 a.C. e 6000 a.C., com a descoberta da agricultura, que passou a ser a principal fonte de subsistência. A agricultura levou ao sedentarismo e, simultaneamente, às primeiras tentativas de domesticação de animais (supõe-se que com cabras, porcos e carneiros, em regiões da Ásia). Os utensílios multiplicaram-se. Já não se tratava de simples "machados de mão" ou clavas, mas sim de vasos, estatuetas, fusos, contas, pilões. Surgiu também uma das peculiaridades do Neolítico: a cerâmica, possivelmente criada a partir do revestimento de betume que se colocava no interior de cestas de fibra para torná-las impermeáveis e próprias para o transporte de líquido. A resistência do betume, permanecendo após o desgaste das fibras, explicaria a tese.

 

Advento da escrita

O sedentarismo teria permitido também o aumento populacional e o surgimento de organizações sociais mais complexas, inclusive ocorrendo uma divisão social do trabalho e uma especialização de funções. Estudiosos admitem a existência de um poder organizado, com autoridades temporais e/ou religiosas. A etapa posterior é conhecida como Idade dos Metais, com o domínio de técnicas de manipulação do cobre e do bronze por parte do homem. É quando ocorre o surgimento de cidades, processo que Gordon Childe chama de Revolução Urbana. Por fim, veio o advento da escrita, que encerrou a Pré-história.



Escrito por Rafael Sêga às 14h44
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O Islã ("Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso...")

O islamismo, religião que mais cresce no mundo contemporâneo, nasceu na Península Arábica principalmente a partir da reflexão de Maomé em torno da multiplicidade de deuses existentes nas tribos da própria península assim como das religiões petrificadas, anquilosadas e presas no formalismo ritualístico, sem a vivificação espiritual desejada e desejável, como o cristianismo ortodoxo grego, o cristianismo romano e o judaísmo. “Nos 13 séculos que se passaram de sua gênese, a religião congrega hoje mais de 800 milhões de adeptos, "unidos pelo sentimento profundo de pertencerem a uma só comunidade. E essa expansão, que continua, é devida principalmente a um espírito de universalidade que transcende qualquer distinção de raça e permite a cada povo se integrar no Islã mas, ao mesmo tempo, conservar sua cultura própria.”

 

O Berço

A Península Arábica está localizada no Oriente Médio, limitada entre o Mar Vermelho a oeste, o Oceano Índico ao sul e o Golfo Pérsico a leste, ligada ao continente pelo deserto, que cobre a maior parte da Península. Não existem rios permanentes e o clima é extremamente seco, apresentando oscilações térmicas de áreas e variações de temperatura. Ao centro e a leste encontram-se numerosos oásis, que têm origem na umidade do subsolo, originando poços de água em torno dos quais crescia uma exuberante vegetação tornando possível a vida na região.

 

Arábia pré-islâmica  

Por diversas vezes os romanos estiveram às portas da Península Arábica, porém questionaram as vantagens de conquistar uma região tão inóspita e agreste, passando a figurar nos mapas de Roma apenas como a desconhecida província arábica. As populações que habitavam a região central e setentrional eram de origem semita e encontravam-se divididas em numerosas tribos ou grupos. Os árabes do deserto, conhecidos por beduínos, eram nômades, de características bem diversas dos árabes do sul. Falavam árabe, idioma que acabou se impondo em toda a região. A difícil sobrevivência levou-os ao cultivo de uma escassa agricultura de tâ­maras e trigo, praticada nos oásis, à criação de rebanhos, às incursões e ao comércio de caravanas que souberam incrementar por toda a península. Os oásis e as cidades serviam-lhes de escala e de entrepostos de mercadorias, utilizando-se das razias para a conquista das melhores regiões. Segundo alguns geógrafos e historiadores, a Arábia desértica do norte, “machucada por um sol abrasador”, contrastava com o sudoeste, região que se chamou de "Arábia Feliz" (Yemmen), destacando-se a cidade de Aden, entreposto de grande importância comercial nas relações com o Oriente. A costa marítima era ocupada pelas tribos sedentarizadas que habitavam Meca e Yatreb (mais tarde “Medina”), as duas principais cidades, vivendo como comerciantes ou artífices, e exportando para o Ocidente o café, o incenso, as tâmaras e os perfumes. Fora essecomércio internacional, também existiam relações mercantis com os árabes do deserto. Nem os beduínos nem os árabes urbanos possuíam um governo centralizado, prevalecia a organização tribal, não eram raros os conflitos entre as tribos. Apesar das diferenças culturais, contudo, todos os árabes eram da mesma raça e diziam-­se descendentes de Abraão; a religião mostrava uma nítida influência do judaísmo, não apenas por sua proximidade com o "patriarca". Durante esse período, acreditavam em um deus supremo, Alá, porém não deixavam de adorar uma infinidade de deuses inferiores, os djins, e, através de imagens ou totens, continuavam a cultivar o politeísmo de seus ancestrais.  Cada tribo possuía seus próprios ídolos. Apesar de terem um santuário tribal, existia um comum a todos, que se encontrava em Meca, na Caaba, onde estava depositada a Pedra Negra que, desde tempos imemoriais, se acredita ter sido trazida do céu pelo Arcanjo Gabriel, e todos os ídolos tribais. Desde a época de Maomé os fiéis sempre rezaram ao redor da Caaba, em Meca, capital  do islamismo. A importância de Meca não parava de crescer. Para lá fluíam as mais diversas tribos em busca da adoração da Pedra Negra e seus deuses. 

 

Maomé e sua Fé

Meca não dispunha de uma organização ou instituições políticas, nem possuía um forte sentimento nacional. O principal personagem da mudança cultural, política e religiosa foi inquestionavelmente Maomé. Pertencente à família dos haxemitas, ramo pobre da poderosa tribo dos coraixitas; seu nascimento é estimado como ocorrido em torno do ano 570. Muito cedo Maomé ficou órfão, passando a viver no deserto sob os cuidados de seu avô, onde aprendeu a conhecer a difícil vida dos beduínos e suas necessidades materiais e espirituais. Ainda jovem, retornou a Meca, tornando-se um excelente guia de caravanas, mantendo contatos com povos monoteístas, principalmente judeus e cristãos, de quem sofreu profundas influências religiosas. Aos 25 anos, Maomé casou-se com uma viúva rica, proprietária de camelos, chamada Khadidja. O casamento deu-lhe profunda estabilidade material, porém, como todos os profetas. Acredita-se que foi a partir daí que começou a formular os princípios de uma nova doutrina religiosa, iniciando um período de meditações e jejuns. Constantemente isolava-se no deserto buscando seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, a quem considerava um dos últimos profetas. Foi durante suas andanças pelo deserto que afirmou ter tido a visão do Arcanjo Gabriel, que o incumbira de ser o profeta de Alá. Maomé tinha 40 anos de idade e possuía um forte caráter emocional, pois durante suas visões encontrava-se sempre em transe. Dedicou-se à pregação junto aos seus familiares, não se contentando com a vida economicamente tranqüila que ora dispunha. Após três anos, seguido por um pequeno grupo de fiéis convertidos à nova fé, Maomé começou a falar para os coraixitas em frente à Caaba, pregando a destruição dos ídolos e afirmando a existência de um só deus, Alá. As mudanças religiosas propostas pelo profeta acabaram por entrar em choque com os líderes coraixitas, pois a implantação do monoteísmo significaria a diminuição da peregrinação de fiéis a Meca, uma vez que Alá, não tendo forma física, estaria em toda parte. Sentindo o perigo daquela subversão de idéias em torno do monoteísmo, temendo o esvaziamento de Meca como centro comercial de toda a Península Arábica, os coraixitas tentaram matá-lo. Alertado por alguns seguidores, Maomé fugiu de Meca para Yatreb, em 622, ficando este ato conhecido como Hégira, marco inicial do calendário muçulmano. Apesar de ter sido bem recebido por vários de seus seguidores em Yatreb, encontrou forte oposição dos judeus da cidade, que resistiram às tentativas de conversão, e foram assassinados em massa. Nesse momento, Maomé implantou um governo teocrático, transformando a cidade em sua base e mudando seu nome para Medina, a cidade do profeta. Tomando conta da inútil tentativa da conversão pacífica, Maomé optou pela Guerra Santa. Meca foi sitiada e obrigada a aceitar a volta do profeta, que graças ao apoio dos beduínos, já convertidos, destruiu os ídolos da Caaba, mantendo apenas um único elo de ligação entre as tribos: a Pedra Negra. No ano 630, o Estado Árabe estava praticamente formado, unido em torno da bandeira do islamismo e de seu único chefe, Maomé, que assumia não apenas o poder político como também o religioso, iniciando-se, assim, um governo teocrático. Acredita-se que o Profeta tenha subido aos céus numa nuvem a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, no ano 632 d.C.

 

Os Preceitos da Religião Muçulmana

O Cinco Pilares do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra “Promessas do Islã”, publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988, podem ser assim resumidos:

1. Profissão de Fé: “Existe um único Deus e Maomé é seu profeta”. Nenhuma outra divindade se­não Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha as­sim um sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do Alcorão, eram uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que não cante seus louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII, 44).

2. Oração: a prece é e a participação consciente do homem no canto de louvor que liga todas as criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a existência resumida em você.” A prece integra o homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto voltado para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho do mirhab designa a direção da Caaba são assim integrados, por círculos concêntri­cos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu centro. A ablução ritual, antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva pela qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus, ele se torna seu perfeito espelho.

3.  Jejum durante o mês sagrado do Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo vital, afirmação da liberdade do homem em relação ao seu “eu” e aos seus desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele que tem fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar da miséria e da morte.

4. Zakat.  Não é esmola, mas uma espécie de justiça interior institucionalizada, obrigatória, que torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é, daqueles que sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a lembrança permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma comunidade.

5. A peregrinação a Mec, enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da comunidade muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior em direção ao centro de si mesmo.

 

Doutrina

Todos os preceitos que devem ser seguidos encontram-se reunidos no Alcorão (ou “Corão”), livro sagrado escrito a partir das sínteses dos ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com conotações nitidamente político-­religiosas, assumindo o caráter de uma verdadeira constituição para o povo islâmico. Os feitos de Maomé foram reunidos por seus familiares em um livro denominado Suna, no qual se encontram as bases da tradição, formuladas a partir dos exemplos dados por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos básicos da Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode ser traduzida realmente como “Guerra Santa”. A partir da existência de dois livros sagrados, o mundo muçulmano dividiu-se em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores exclusivamente do Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os sunitas, que adotam como fonte de ensinamento, além do Alcorão,  a Suna.

 

Breve cronologia:

570: nascimento de Maomé.

610: Maomé tem a primeira visão do arcanjo Gabriel.

622: Hégira - início do calendário muçulmano.

630: Maomé destrói os ídolos da Caaba; nascimento do Islão.

632: Ascensão de Maomé aos céus a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém.



Escrito por Rafael Sêga às 14h03
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Império bizantino

Também conhecido como império romano do oriente. O império bizantino tem sede em Bizancio (posteriormente chamada de Constantinopla). Após a divisão do império romano, por causa da sua insuficiência de governo na extensão de território. O império do ocidente não conseguiu segurar as invasões Bárbaras. Já o império do oriente perdurou por muitos anos. Lembramos que o responsável pela divisão dos impérios foi Constantino.

 

A fusão de culturas

Com intensa atividade comercial e urbana, o império bizantino alcançou grande desenvolvimento econômico e cultural. Em termos religiosos o Cristianismo era estudado com freqüência.  No inicio os costumes culturais da Roma ocidental era sustentado, mas posteriormente a cultura helenística incentivou fortemente à cultura, portanto fazendo com que o império bizantino fosse à mistura do ocidente com o oriente.

 

Era de Justiniano (527-565)

Desde a divisão do império, os governantes não conseguiam estruturar o estado, isso aconteceu no séc. VI com Justiniano (nascido em 483) que estruturou o estado e conseguiu fazer seu apogeu. Justiniano foi um dos mais brilhantes imperadores bizantinos, ele moveu uma série de guerras contra bárbaros para reconquistar os territórios perdidos, muitos deles foram recuperados.

 

A revolta de Nika

Essas campanhas para retomar os territórios custaram muito dinheiro, porém Justiniano aumentou o preço dos impostos causando uma grande insatisfação da população. A população insatisfeita com a miséria e o sofrimento fizeram à revolta de Nika, que foi violentamente reprimida pelas forças do governo.  A Revolta de Nika (ou Motins de Nika) aconteceu no ano de 532 em Constantinopla durando cerca de uma semana. A revolta recebeu o nome de "Nika" porque a população gritava a palavre vitória (Nike, em grego).

 

Cesaropapismo e a grande quebra do oriente

Após a revolta de Nika, Justiniano assumiu uma posição de absolutista: Ele assumiu o poder do estado e da igreja. Com isso ele criou certo confronto com o papa que não aprovou o feito de Justiniano. O papa não aceitava dois governantes na igreja católica. Após muitos conflitos e reuniões entre os membros um acordo foi feito: A quebra do oriente, onde aconteceu a divisão da religião católica em:

a)igreja ortodoxa: sede em Bizâncio, comandada por Justiniano.

b)igreja católica apostólica romana: sede em Roma, comandada pelo papa.

 

Realizações de Justiniano

No campo legislativo: preservou a herança jurídica romana, mandou codificar o direito romano, extensa obra de leis destacando o código de Justiniano.No campo administrativo: Justiniano construiu diversas obras públicas, como hospitais, pontes, escolas.

 

Decadência do império bizantino

Após a morte de Justiniano, uma série de ataques externos aconteceu no império,enfraquecendo. Assim este império perdurou até o séc. xv, sendo dominado pelos turcos otomanos em 1453, marcando o final da idade média e o início da idade moderna.

 

Conseqüências da tomada de Constantinopla

Surgimento do grande império turco otomano. A migração de grandes sábios do império do oriente para o ocidente levando consigo grande conhecimento que levou a formação do renascentismo. A quebra do comércio entre a Ásia e Europa levando a procura de outros caminhos para acessar o oriente.

 

Economia e sociedade

Devido a sua localização entre a Europa e a Ásia o império bizantino desenvolveu como atividade mais importante da economia o comércio. O governo utilizava seus funcionários para monitorar a comercialização de mercadorias, eles olhavam além da quantidade a qualidade. Os principais produtos comercializados foram perfumes finos, tecidos de ceda, porcelanas e peças de vidro. O artesanato também era supervisionado pelo governo, porém o governo possuía diversas empresas. A grande produção agrícola vinha das terras da aristocracia, os donos eram a nobreza e oficiais do exercito. Quem prestava serviço nessas terras era um grande número de servos. Devido a grande importância do comércio a vida urbana era extremamente movimentada e as principais classes se encontravam nas cidades. Para se ter uma idéia a principal cidade do império, que era bem localizada em relação ao império, possuía mais de 1 milhão de habitantes.

Classes sociais:

1. Grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras (trabalho manual) Alto clero e funcionários do alto clero;

2. Artesão, funcionários de médio e baixo escalão e pequenos comerciantes;

3. A maioria da população: empregados das manufaturas, servos.

 

Cultura e religião

A grande variedade de povos que viveram no império bizantino, influenciou a produção cultural. Houve muitos problemas religiosos no império. Justamente por causa da diversidade de povos e culturas em um mesmo lugar. Havia sempre debates sobre as religiões e geralmente o que mais ouvia-se era dois pontos de vistas diferentes:

1) Monofisismo: Afirmava que cristo tinha apenas a natureza divina, negava-se que cristo existiu humanamente.

2) Inoclastia: pregava-se a destruição de imagens de santos, proibindo sua utilização em templos.

Sempre por trás das opiniões religiosas, havia as disputas políticas que na maioria das vezes eram pela conquista da confiança do povo.

 

Artes

Nas artes os bizantinos souberam combinar perfeitamente combinar o luxo e o exotismo orientais com o equilíbrio e a leveza da arte clássica greco-romana. A arquitetura foi uma das artes mais praticadas em bizancio. Os bizantinos também se destacaram na arte do mosaico uma composição artística feita de inúmeros pedaços de pedra e vidro coloridos, e recoberta por ouro em folha. A escultura bizantina servia aos ideais religiosos.produziam-se peças de refinado valor, utilizando materiais como vidro, marfim e ouro.



Escrito por Rafael Sêga às 13h53
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1) Matéria sobre arqueologia, Istoé, nº 2022, pág. 110



Escrito por Rafael Sêga às 22h07
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2) Matéria sobre arqueologia, Istoé, nº 2022, pág. 111



Escrito por Rafael Sêga às 22h06
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