Darwinismo social e imperialismo
O “Darwinismo social” é a tentativa de se aplicar o darwinismo nas sociedades humanas. O termo geralmente tem sido usado mais por críticos do que por defensores do que o termo supostamente representa como uma corrente de pensamento baseada no conceito de classes sociais superiores. Popular no fim do século XIX e início do XX, defendia uma política seletiva e eugênica, que logo se revelou racistas e sectárias. A teoria da seleção natural de Charles Darwin foi uma tentativa de explicar a diversidade de espécies de seres vivos através da evolução. Com a teoria da evolução em mente, diversos cientistas criaram correntes na ciência que defendiam a tese das diferenças raciais entre os seres humanos, da importância de um controle sobre a demografia humana, da possível inferioridade dos povos negros, principalmente no que se refere à inteligência, a alta taxa de criminalidade e o combate contra a miscigenação. De acordo com esse pensamento, existiriam características biológicas e sociais que determinariam que uma pessoa é superior à outra e que as pessoas que se enquadrassem nesses critérios seriam as mais aptas. Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade em um ser humano seriam o maior poder aquisitivo e a habilidade nas ciências humanas e exatas em detrimento das outras ciências, como a arte, por exemplo, e a raça da qual ela faz parte. Um conjunto de pensadores atribuem a fonte do darwinismo social ao próprio Darwin, que na sua obra: A Origem do Homem, havia aplicado o sua teoria ao mundo social. Nesta obra, Darwin ocupa-se da evolução humana e ao fazê-lo aplica os mesmos critérios que utiliza em A Origem das Espécies. Entretanto, foi Herbert Spencer o autor que popularizou a idéia de que grupos e sociedades evoluem através do conflito e da competição. O Darwinismo Social foi empregado para tentar explicar a pobreza pós-revolução industrial, sugerindo que os que estavam pobres eram os menos aptos (segundo a teoria de Darwin) e os mais ricos que evoluíram economicamente seriam os mais aptos a sobreviver por isso os mais evoluídos.
Durante o século XIX as potências européias também usaram o Darwinismo Social como justificativa para o Imperialismo europeu. Entretanto, outros autores também influenciados pelas idéias de Darwin se opuseram ao Darwinismo Social, dentre os quais Piotr Kropotkin. Na sua obra Ajuda Mútua: Um Fator de Evolução Kropotkin defende que a solidariedade entre indivíduos de um mesmo grupo ou espécie é tão importante para a sobrevivência quanto a competição entre grupos e espécies. Em 1944 o historiador americano Richard Hofstadter aplicou o termo "Darwinismo Social" para descrever o pensamento desenvolvido durante os séculos XIX e XX a partir das idéias de Thomas Malthus e Herbert Spencer, que aplicaram as noções de evolução e sobrevivência do mais apto às sociedades e nações. Estas idéias caíram em descrédito após serem associadas ao racismo e ao imperialismo. Note que na época de Darwin a diferença entre o que mais tarde seria chamado de "darwinismo social" e simplesmente "darwinismo" não era clara. Contudo, Darwin não acreditava que sua teoria científica implicasse em qualquer teoria particular de governo ou ordem social. O uso do termo "Darwinismo Social" para descrever as idéias de Malthus não é muito adequado uma vez que Malthus morreu em 1834, portanto antes que a teoria de Darwin tivesse sido concebida. Além disso, de fato, a teoria de Darwin é que foi inspirada em um ensaio de Malthus de 1838, Princípio da População. O "progressivismo" evolutivo de Spencer e suas idéias políticas e sociais também foram muito influenciadas pelas idéias de Malthus e seus livros sobre economia (de 1851) e evolução (de 1855) são ambos anteriores à publicação da "Origem das Espécies" (de 1859).
O “imperialismo” é uma forma de política de dominação econômica de uma nação sobre outras, acompanhada ou não de ocupação territorial, com maior ou menor ingerência nos assuntos de estado das nações dominadas. O termo popularizou-se como sinônimo de política externa americana, pelo uso que dele fizeram os partidos nacionalistas e os teóricos de esquerda do mundo inteiro. Especialmente depois da segunda guerra mundial, o antiimperialismo foi reivindicado como ponto programático de todas as organizações políticas progressistas dos países dependentes. Imperialismo é a política de dominação econômica de uma nação sobre outras, acompanhada ou não de ocupação territorial, com maior ou menor ingerência nos assuntos de estado das nações dominadas e com uso eventual de força militar para garantir a hegemonia. Usado a partir do final do século XIX, o termo imperialismo define, na atualidade, as relações econômicas dos países desenvolvidos com os países pobres e se confunde com "dependência" e "neocolonialismo". As duas grandes correntes do pensamento econômico contemporâneo, o liberalismo e o marxismo, abordam o fenômeno do imperialismo. Para a primeira, ele é uma opção das grandes potências industriais, que poderiam seguir outro caminho de desenvolvimento econômico. Para o pensamento marxista, o imperialismo é a etapa superior e inevitável do capitalismo, condição de sobrevivência do sistema.
O Neocolonialismo é o processo de econômica e dominação política estabelecido pelas potências capitalistas emergentes ao longo do século XIX e início do século XX, que culmina com a partilha da África e da Ásia, (colonização da África e da Ásia). A disputa por novos mercados envolve Reino Unido, França e Bélgica, primeiras potências industrializadas; Alemanha e Estados Unidos, que conhecem o apogeu industrial e econômico a partir de 1870; e Itália, Rússia e Japão, que ingressavam na via da industrialização. O Neocolonialismo foi iniciado por essas potências a fim de encontrar novas possibilidades de obtenção de matérias-primas (como o carvão e o petróleo) e produtos alimentícios que faltavam em seus territórios. Havia ainda outros interesses, como a expansão do mercado consumidor, devido ao aumento da produção gerado pela Revolução Industrial. Estes países necessitavam ainda escoar seus capitais disponíveis. O crescimento desordenado da população européia também pedia disponibilidade de novas terras a serem ocupadas. Um dos grandes problemas do neocolonialismo é a forma como se deu a "partilha" dos territórios africanos, por exemplo. Ao dividir os territórios, os países invasores não levaram em consideração as diferenças culturais do continente, o que fez com que tribos rivais ficassem numa mesma região, agravando ainda mais as guerras civis africanas.Um outro ponto importante a se estudar sobre o neocolonialismo, é a entrada dos ingleses na China, ocorrida após a derrota dos chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). O estopim para essa guerra foi a queima de um navio carregado de ópio depois que o governo chinês ter finalmente se dado conta que a substância - que era permitida de circular livremente - estava viciando grande parte da população. Depois de ser derrotada pelas tropas britânicas, a China foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, que favorecia os ingleses em todas as cláusulas. A dominação britânica foi marcante por sua crueldade e só teve fim no ano de 1949, ano da revolução comunista na China. Sendo assim Japão e Estados Unidos entraram em guerra, para a disputa da divisão da Africa e Ásia. Comparando ao colonialismo do século XVI, o neocolonialismo ou imperialismo do século XIX consistia numa forma diferente de dominação. A finalidade, contudo, era a mesma: explorar o país dominado. O objetivo da política neocolonialista era repartir o mundo entre as grandes potências capitalistas, ampliando e integrando os mercados mundiais. Por meio de uma estrutura que envolvia militares, funcionários e seus auxiliares, a metrópole impôs o controle político e econômico nas regiões colonizadas.
Escrito por Rafael Sêga às 14h59
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