Blog de Rafael Sêga


 
 

Saiba mais sobre Vladimir Putin e Dmitri Medvedev

Saiba mais sobre Vladimir Putin e Dmitri Medvedev

 

Vladimir Vladimirovich Putin nasceu em 7 de outubro de 1952, em Leningrado, atualmente São Petersburgo. Estudou direito na Universidade de São Petersburgo, graduando-se 1975.

Ex-agente da KGB (serviço secreto soviético durante a Guerra Fria), onde serviu durante 15 anos, Putin atuou seis anos em Dresden, na Alemanha Oriental, até a queda do muro de Berlim, em 1989, quando, no posto de coronel, abandonou a organização.

Quando Anatoly Sobchak, um ex-professor da universidade, é eleito prefeito de São Petersburgo, Putin começa a atuar politicamente, tornando-se vice-prefeito em 1994. Até que em 1996 decide mudar-se para Moscou. Em julho de 1998, o presidente Boris Ieltsin nomeia Putin como diretor do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, órgão sucessor da KGB. O ex-agente sobe rapidamente na hierarquia, tornando-se secretário do Conselho de Segurança e primeiro-ministro de Ieltsin. Homem-forte do então presidente, Boris Ieltsin inesperadamente anuncia sua renúncia em 31 de dezembro de 1999, nomeando Putin como presidente interino. Prometendo reconstruir o país, Putin ganha as eleições de março de 2000 com cerca de 53% dos votos, reelegendo-se presidente em março de 2004, quando a economia russa crescia a passos largos após a prolongada recessão dos anos 90. Putin trabalhou para diminuir a autonomia das Províncias russas que lutam por separatismo e esteve em uma situação difícil durante a guerra da Tchetchênia, particularmente durante a luta de rebeldes separatistas contra tropas russas nas montanhas. Em 2002, o presidente declarou que a campanha contra os terroristas havia acabado, mas os conflitos continuaram. No final de 2007, não podendo reeleger-se presidente novamente, Putin indicou como sucessor seu o vice-primeiro-ministro Dmitri Medvedev.

Eleito em meados de 2008, o atual presidente russo nasceu em 14 de setembro de 1965, morando a maior parte da infância e juventude no subúrbio de Leningrado, como a antiga capital São Petersburgo era chamada na época soviética. Advogado e empresário, trabalhou no comitê de relações exteriores do escritório do prefeito de São Petersburgo, onde estabeleceu por longos anos amizade com Putin, que também trabalhava no local. Após ser nomeado primeiro-ministro em agosto de 1999, Putin convida Medvedev para trabalhar em Moscou, nomeando-o chefe da administração do governo em novembro. Quando Boris Ieltsin tornou Putin presidente, no último dia de 1999, Putin nomeia Medvedev como chefe do seu governo. Em junho de 2003, Medvedev é eleito presidente da Gazprom, consolidando o controle Kremlin sobre a gigante do gás russo. Em 2005, Putin consegue promover Medvedev a vice-primeiro-ministro, dando a ele a responsabilidade de realizar quatro projetos nacionais nas áreas de saúde, educação, habitação e agricultura. Não podendo se reeleger novamente, o então presidente arma uma estratégia, anunciando, em 10 de dezembro de 2007, que Medvedev é seu candidato na disputa à sucessão. No dia seguinte, Medvedev divulga à imprensa Putin como seu primeiro-ministro.



Categoria: História 5 & 6
Escrito por Rafael Sêga às 20h40
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A desintegração da União Soviética (Parte 2)

O espaço europeu depois da Guerra Fria

Em novembro de 1989, sob o fogo de imensas manifestações populares nas maiores cidades do país e a pressão das reformas do líder soviético Gorbachev, o regime comunista da Alemanha Oriental anunciou a abertura da fronteira inter-alemã de Berlim. Essa fronteira, brutalmente materializada no Muro de Berlim, erguido em 1961, representava a principal linha demarcatória entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental. Ela simbolizava a divisão da Alemanha e a bipartição geopolítica do continente. A queda do Muro de Berlim assinalou o encerramento da Guerra Fria. Nos meses anteriores, um movimento irresistível varrera os regimes de partido único do bloco soviético na Europa Oriental. Nos dois anos seguintes, dissolveram-se as estruturas estratégicas e econômicas que cimentavam o espaço geopolítico da Europa Oriental. Paralelamente, desenrolou-se a reunificação alemã, sob a forma do englobamento da RDA pela RFA. Em dezembro de 1991, a própria União Soviética completou a sua decomposição.

 

De um lado, o fim da Guerra Fria desencadeou o processo de produção de novos Estados na Europa central e oriental. Mas as mudanças foram além das fronteiras políticas. A transição das economias do antigo bloco socialista processou-se em ritmos diferentes, mas em todos os casos a planificação central foi abandonada. Paralelamente, ocorria a expansão da Otan: a sua primeira fase completou-se em 1999, com a adesão de três países da Europa central (Polônia, República Checa e Hungria), e uma segunda fase prevê, no mínimo, a adesão da Romênia e da Eslovênia. Desse modo, o bloco econômico e estratégico ocidental alarga as suas fronteiras na direção do leste, até os limites da CEI.

Polônia

Em janeiro de 1990, o Partido Comunista Polonês se autodissolveu. Em dezembro de 1990, Lech Walesa torna-se o primeiro presidente eleito da Polônia. As dificuldades na transição ao capitalismo e a fragmentação política favorecem a oposição, que vence as eleições parlamentares de setembro de 1993. Walesa desenvolve uma política de hostilidade ao primeiro-ministro e ao Parlamento, usando seguidamente o direito de veto presidencial para dificultar suas ações. Em setembro de 1994, as últimas tropas russas abandonam o solo polonês e o primeiro-ministro russo Viktor Chernomyirdin visita a Floresta de Katin, reconhecendo a responsabilidade da ex-URSS no massacre de oficiais poloneses durante a 2ª Guerra Mundial.

 

Tchecoslováquia (desde 1993 dividiu-se em dois países: República Tcheca e Eslováquia)

O domínio soviético chegou ao fim por meio da “Revolução de Veludo”, em 1989, assim chamada pela maneira não-violenta com que se efetuam as mudanças. O movimento começa com as pressões populares que acabam por forçar o governo a libertar da prisão o dramaturgo Václav Havel, líder da oposição democrática. Em seguida, uma série de grandes manifestações de massa, culminando em uma greve geral, provoca a legalização dos partidos de oposição, a queda do ministério, a constituição de um gabinete de maioria não-comunista e, finalmente, a renúncia do presidente Gustav Husak, em novembro de 1989. Havel assume a presidência em caráter provisório, enquanto Dubcek, que também retorna à vida política, passa a dirigir a Assembléia Geral. Em julho de 1990, Havel é confirmado na presidência. No mesmo ano, começa a tomar corpo na Eslováquia a campanha pela separação dos dois países. O movimento separatista torna-se irreversível em 1992.

Hungria

Em março de 1988, realiza-se uma grande marcha pela democracia em Budapeste. Em maio, a cúpula do Partido Comunista (PC) coloca no poder Károly Grósz, um simpatizante de Gorbatchov. A democratização se acelera em 1989, impulsionada por gigantescas manifestações. Em janeiro, o Parlamento pronuncia-se a favor da liberdade partidária. O PC negocia com a oposição e, em outubro, dissolve-se formalmente, reconstituindo-se como Partido Socialista (PSH), para simbolizar a ruptura com o passado. O país abandona o comunismo. As eleições de março e abril de 1990 levam a oposição ao poder, com a vitória do Fórum Democrático. O ex-dissidente Jószef Antall assume o governo como primeiro-ministro. Começam as privatizações. Tem início, também, a retirada das tropas soviéticas, que se completa em junho de 1991.

 

Bulgária

Em 1988, o regime búlgaro admite, pela primeira vez, a participação de candidatos independentes nas eleições. A oposição se organiza rapidamente. As reformas aceleram-se com o fim do monopólio do poder pelos comunistas. Os comunistas mudam o nome de seu partido para Socialista e vencem as eleições legislativas em junho de 1990, graças aos votos das áreas rurais. A oposicionista União das Forças Democráticas (UDF), vitoriosa nas cidades, recusa-se a participar de uma coligação governamental e deflagra uma onda de greves e manifestações. O impasse só é resolvido em dezembro, quando os antigos comunistas, embora majoritários no Parlamento, aceitam a condição de minoria num governo de coalizão sob um primeiro-ministro independente, Dimitar Popov.

 

Romênia

A onda reformista deflagrada pelo líder soviético Mikhail Gorbatchov leva a Romênia a um crescente isolamento internacional. A desastrosa gestão da economia alimenta forte descontentamento popular. Em dezembro de 1989, a Securitate (polícia secreta) abre fogo contra uma passeata em Timichoara, provocando centenas de mortes. Em 21 de dezembro, acreditando ainda ter o poder nas mãos, Ceausescu comete a imprudência de convocar um comício a favor do governo no centro de Bucareste. A manifestação transforma-se em insurreição popular. Ceausescu e a mulher Elena fogem de helicóptero. Ion Iliescu, comunista rompido há anos com Ceausescu, constitui a Frente de Salvação Nacional e assume o controle da situação. Ceausescu e Elena são capturados e executados no Natal de 1989. Iliescu é nomeado presidente e, em maio de 1990, eleito pelo voto popular. No mês seguinte, o governo baixa um pacote econômico que congela preços e salários por seis meses. Diante da pressão de estudantes e trabalhadores, o primeiro-ministro Petre Roman renuncia em setembro de 1991 e os preços dos principais produtos são congelados. Uma nova Constituição, referendada em dezembro de 1991, institui o pluripartidarismo, garante os direitos humanos e estabelece bases para a economia de mercado. No ano seguinte, 6 mil estatais têm 30% de suas ações distribuídas à população. Os efeitos são danosos para os trabalhadores: em 1993, o salário mínimo apresenta uma diminuição de valor real de 40%.

 

Unificação da Alemanha

O dirigente alemão-oriental Erich Honecker, no poder desde 1971, resiste à onda de liberalização no bloco comunista deflagrada em 1985 pelo dirigente soviético Mikhail Gorbatchov. Em 1989, milhares de alemães-orientais passam para a Alemanha Ocidental através da Hungria e da Áustria. Em outubro, manifestações pró-democracia em Leipzig levam o Partido Comunista alemão-oriental a substituir o linha-dura Honecker por Egon Krenz. Em novembro, a queda do Muro de Berlim abre o processo de reunificação: são marcadas as primeiras eleições livres da RDA. Em 1990, a Aliança pela Alemanha, favorável à unificação, vence as eleições; Lothar de Mazière é o primeiro-ministro da Alemanha Oriental. Impulsionada por Kohl, é realizada a unificação monetária em julho de 1990. Em outubro, ocorre a unificação política. O exército alemão-oriental é extinto e o Parlamento unificado ratifica o tratado da União. Kohl torna-se o chanceler na Alemanha unificada. A Alemanha paga um preço alto pela unificação. A desmontagem do parque industrial da parte oriental provoca desemprego maciço, que repercute em todo o país. As altas taxas de juros fixadas pelo Bundesbank (banco central) provocam recessão. Num clima social tenso, os imigrantes sofrem atentados de grupos neonazistas. Em 1993, o Parlamento restringe o direito de asilo político. As garantias sociais, que eram o orgulho da DGB – mais forte central sindical da Europa –, são questionadas em nome da melhoria da competitividade da indústria alemã no cenário mundial. As dificuldades da Alemanha repercutem nos adiamentos sucessivos de medidas de maior homogeneização econômica entre os membros da União Européia, como é o caso da moeda única.

 

Guerra da Iugoslávia

Com o decorrer dos anos seguintes à morte de Tito, o sistema da presidência rotativa mostrou sua inadequação. A isso somou-se o desastre dos comunistas na antiga União Soviética. A soma desses dois fatores (a crise da alternância do poder na Iugoslávia e o esvaziamento do comunismo no Leste europeu) provocou uma série de anúncios unilaterais de independência. Os eslovenos e os croatas não queriam mais ficar subordinados a uma república onde os sérvios, que eles sempre consideram culturalmente inferiores a eles, fossem maioria. O desaparecimento súbito da URSS provocou um vácuo a leste, fazendo com que os estados da Eslovênia e da Croácia desejassem retornar a sua antiga posição pró-ocidental. Significativo disso foi o fato da Alemanha Ocidental ser a primeira a reconhecer a independência da Eslovênia e da Croácia, dando assim o seu aval ao processo de desmontagem da República Socialista Federativa da Iugoslávia. O mesmo pode-se dizer do Vaticano, quando o papa João Paulo II apoiou o separatismo da católica Croácia, dando mais um passo na sua política de desmontagem do comunismo no Leste europeu. Primeiro foi a Eslovênia a declarar-se separada em 1990, em seguida foi a vez da Croácia e, logo depois, pelos muçulmanos, da Bósnia-Herzegovina. Desgostosos com a perda da cidadania iugoslava, os sérvios, liderados pelo presidente Milosevic, entraram em guerra com seus vizinhos, temendo serem desalojados por eles das regiões que ocupavam, algumas delas desde o século XVII, arrastando toda a região para um guerra intermitente. Na Croácia, deu-se o grande êxodo dos sérvios da Krajina e da Eslavônia oriental quando uns 600 mil deles foram expulsos de volta para a República da Sérvia . Mas, na Bósnia, eles conseguiram manter-se no terço restante do território, formando mais tarde a República Sérvio-Bósnio da Srpska. A Europa, horrorizada, viu-se às voltas com as imagens de campos de concentração, de sítios às cidades, de bombardeios de artilharia, de tiros precisos dos franco atiradores, da morte a sangue frio da população civil. Tudo isso a lembrou da Segunda Guerra Mundial. Cresceu então entre os governos que compunham a Otan o desejo de praticar algum tipo de intervenção armada, já que o boicote de venda de armas determinado pela Onu parecia não ter surtido nenhum efeito em diminuir a violência nos Bálcãs. Foi na Bósnia, em 1995, que se deram os primeiros bombardeios da Otan contra os sérvios-bósnios para evitar que eles vencessem a coligação de croatas e muçulmanos apoiados pela Europa Ocidental

 

OTAN no Leste Europeu

O alargamento do bloco ocidental aprofunda a influência estratégica norte-americana no continente europeu. Simultaneamente, cresce a influência da Alemanha, que funciona como principal parceiro econômico dos antigos países socialistas. Os investimentos diretos alemães reconstituem, na periferia imediata formada pela Polônia, República Checa, Eslováquia, Hungria e Eslovênia, um espaço centro-europeu que tinha sido desfeito pela Cortina de Ferro.



Categoria: História 5 & 6
Escrito por Rafael Sêga às 14h06
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A desintegração da União Soviética (Parte 1)

A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão. Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov.

Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.

 

Perestroika

A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.

 

Glasnost

A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.

 A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado. A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.

 

Golpe de Agosto

Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca). Dissolução do império - Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbesquistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.

 

Lutas pela independência

Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte. Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).

 

Comunidade dos Estados Independentes (CEI)

Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Conflitos

Em 1994 persistem conflitos regionalizados na ex-URSS, ex-Iugoslávia, África, Índia e Sri Lanka. Na ex-URSS os conflitos mais graves são a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão, a luta na Moldávia entre as populações de etnia romena e russa, a luta dos rebeldes da Abcásia para separar a região da Geórgia e a guerra civil no Tadjiquistão, que opõe, de um lado, uma aliança entre militantes islâmicos e os partidários de uma democracia em moldes ocidentais e, do outro, os antigos dirigentes comunistas apoiados pelo Exército russo. Na ex-Iugoslávia, sérvios, croatas e muçulmanos travam uma guerra para definir da maneira mais favorável o mapa da inevitável partilha da Bósnia entre os três grupos étnicos. Na vizinha Croácia, persiste a tensão entre o governo nacional e as milícias formadas pela minoria sérvia, que controlam um terço do território do país. Na África continua a guerra fratricida de Angola e os conflitos em Ruanda, na Somália e no Chade. Entre os conflitos étnicos da Índia, sobressai a campanha movida por grupos extremistas hindus contra a numerosa minoria muçulmana. No Sri Lanka, a rebelião tâmil contra a maioria cingalesa continua a manifestar-se em atentados terroristas.



Categoria: História 5 & 6
Escrito por Rafael Sêga às 12h38
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O longo ciclo militar (Parte 1)

Ditadura Militar no Brasil

Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.

 

O golpe de 64

      A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria. Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.

Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava. No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país. Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo. O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 ( AI-1 ). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.

 

 

GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) 

Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária. Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.

Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos : Movimento Democrático Brasileiro ( MDB ) e a Aliança Renovadora Nacional ( ARENA ). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares. O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.

 

 

GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)

Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE ( União Nacional dos Estudantes ) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.

 

 

GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)

Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica). 

Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva". No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.

 

 

GOVERNO MEDICI (1969-1974)

Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como "anos de chumbo". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna) atua como centro de investigação e repressão do governo militar. Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.

 

 

O Milagre Econômico

Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.

 

 



Categoria: História 5 & 6
Escrito por Rafael Sêga às 12h04
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O longo ciclo militar (Parte 2)

GOVERNO GEISEL (1974-1979)

Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem. Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.

Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante. Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.

 

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) 

      A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.

Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como : Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).

A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos. Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal. Era o fim do regime militar.

GOVERNO SARNEY (1985-90)

Tancredo Neves ficou doente antes de assumir e acabou falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. O governo de José Sarney representa um marco histórico do Brasil, porém a maneira como aconteceu foi trágica. Depois de 21 anos de ditadura militar, Tancredo Neves foi eleito presidente a partir do colégio eleitoral, no entanto, não teve tempo para exercer o cargo, faleceu logo após, no dia 21 de abril de 1985, quem tomou posse foi o vice José Sarney.

A instauração da Nova República ocorreu a partir da adoção e implantação de medidas no campo político, emendas na constituição da época estabelecendo entre outras, eleições diretas para a sucessão de José Sarney, acesso dos analfabetos ao voto, autonomia para criação de partidos políticos etc. Por meio de uma Assembléia Constituinte eleita em 1986, ocorreu o principal evento durante o governo de José Sarney, que foi sem dúvida a elaboração da Constituição Federal.

A Constituinte, para a concretização da Constituição, realizou o trabalho entre fevereiro de 1987 e setembro de 1988, e ficou caracterizado por inúmeros conflitos de ordem idealista, no qual de um lado estavam os conservadores e os progressistas, compostos pelos partidos ditos como de esquerda (PT, PCB, PC do B, PDT) e uma pequena parcela do PMDB. Enfim a Constituição foi promulgada, no dia 5 de outubro de 1988, dentre as inúmeras mudanças se destacam as do setor proletário, em que foram estabelecidos vários direitos e benefícios, como abono de férias, 40% de FGTS no ato da demissão em forma de indenização, carga horária que antes eram de 48 horas foi reduzida para 44 e licença maternidade que era de 90 dias e saltou para 120.

Outras questões antes tratadas com displicência como o racismo por parte das autoridades, com a nova Constituição tornou-se crime inafiançável, entre diversas mudanças relacionadas aos direitos humanos. Embora o estabelecimento da Constituição tenha trazido inúmeras mudanças, o setor econômico se encontrava em um momento de intensa instabilidade, a prova disso era a inflação que no ano de 1985 atingia o incrível percentual de 235% ao ano. Para restringir o crescimento da inflação o governo elaborou um projeto em fevereiro de 1986, que tinha como finalidade estabilizar a economia, implantando o plano cruzado, esse plano visava congelar os preços e substituir o cruzeiro pelo cruzado. A população aceitou de forma positiva o plano cruzado, como a base do governo era do PMDB nas eleições que ocorreram em 1986 o partido conseguiu eleger 22 governadores dos 23 estados da época, fortalecendo a base governista.

Mas a tranqüilidade do governo durou pouco, pois logo depois ocorreu uma avalanche de problemas econômicos, mercadorias elevaram os preços, vendas de produtos usados como novos, falta de carne, pois os fazendeiros se negavam a vender os bois com preço de tabela, e então o plano perdeu seu efeito. No término do governo Sarney a inflação alcançou a marca de 84,32% ao mês, devido a isso e outras temáticas a reputação do governo se reduziu a zero.

COLLOR, O CAÇADOR DE MARACUJÁS

 Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente civil brasileiro, eleito por voto direto desde 1960. Foi também o primeiro escolhido dentro das regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois turnos. Collor, ex-governador de Alagoas, político jovem e com amplo apoio das forças conservadoras, derrotou no segundo turno da eleição, Luiz Inácio "Lula" da Silva, migrante nordestino, ex-metalúrgico e destacado líder da esquerda. Entre suas promessas da campanha estão a moralização da política e o fim da inflação. Para as elites, ofereceu a modernização econômica do país consoante a receita do neoliberalismo. Prometeu a redução do papel do Estado, a eliminação dos controles burocráticos da política econômica, a abertura da economia e o apoio às empresas brasileiras para se tornarem mais eficientes e competitivas perante a concorrência externa.



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Escrito por Rafael Sêga às 11h52
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Consolidação e expansão do socialismo burocrático (Parte 2)

A Revolução Chinesa

 

A Revolução Chinesa, ocorrida em 1949, provocou profundas transformações na China que até hoje se faz presente no cotidiano de seu povo. Para entender essa revolução, devemos nos voltar para a situação da China do século XIX. Naquele período, o país sofreu com a dominação imperialista promovida pelas nações capitalistas européias, principalmente, da Inglaterra. Nas primeiras décadas do século XX, a população chinesa passava por intensas dificuldades econômicas que pioraram drasticamente as condições de vida do povo chinês. Mediante um movimento contra a presença estrangeira no país, a dinastia Manchu deu fim ao governo imperial e criou um novo governo: a República da China. Mesmo com tal mudança, ainda em 1915, o país foi politicamente dominado pelo governo japonês.

Insatisfeitos com a dominação nipônica, uma grande mobilização política do povo chinês promoveu, em 1921, a criação do Partido Comunista Chinês. Devido seu forte apelo popular, o novo partido foi visto como uma ameaça à ordem governamental e, por isso, seu líderes e participantes passaram a ser perseguidos pelas autoridades do país. Impedidos de participarem das questões políticas de seu país, os comunistas chineses, sob a liderança de Mao Tse-tung, começaram a mobilizar as populações camponesas atraídas pela promessa do uso coletivo das terras e a criação de um sistema político igualitário. Contando com o apoio dos camponeses, Mao Tse-tung criou o Exército Vermelho, que entre os anos 30 e 40 lutou contra o governo chinês.

Após esse período de batalhas, os comunistas dominaram Pequim, em 1949, e Mao Tse-tung foi aclamado como novo líder da República Popular da China. Inicialmente apoiado pelo governo comunista soviético, o governo comunista chinês criou um grande projeto de transformação político-econômico chamado Grande Salto para Frente. Pouco depois, em 1966, surgiu um programa de controle cultural, político e ideológico chamado de Revolução Cultural. Com a morte de Mao Tse-tung, em 1976, a Revolução Cultural teve seu fim e as políticas econômicas do país se abriram para a economia mundial.

 

A Revolução Cubana

 

Sendo uma das últimas nações a se tornarem independentes no continente americano, Cuba proclamou a formação de seu Estado independente sob o comando do intelectual José Marti e auxílio direto das tropas norte-americanas. A inserção dos norte-americanos neste processo marcou a criação de um laço político que pretendia garantir os interesses dos EUA na ilha centro-americana. Uma prova dessa intervenção foi a criação da Emenda Platt, que assegurava o direito de intervenção dos Estados Unidos no país.Dessa maneira, Cuba pouco a pouco se transformou no famoso “quintal” de grandes empresas estadunidenses. Essa situação contribuiu para a instalação de um Estado fragilizado e subserviente. De fato, ao longo de sua história depois da independência, Cuba sofreu várias ocupações militares norte-americanas, até que, na década de 1950, o general Fulgêncio Batista empreendeu um regime ditatorial explicitamente apoiado pelos EUA.

Nesse tempo, a população sofria com graves problemas sociais que se contratavam com o luxo e a riqueza existente nos night clubs e cassinos destinados a uma minoria privilegiada. Ao mesmo tempo, o governo de Fulgêncio ficava cada vez mais conhecido por sua negligência com as necessidades básicas da população e a brutalidade com a qual reprimia seus inimigos políticos. Foi nesse tenso cenário que um grupo de guerrilheiros se formou com o propósito de tomar o governo pela força das armas. Sob a liderança de Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Ernesto “Che” Guevara, um pequeno grupo de aproximadamente 80 homens se espalhou em diversos focos de luta contra as forças do governo. Entre 1956 e 1959, o grupo conseguiu vencer e conquistar várias cidades do território cubano. No último ano de luta, conseguiram finalmente acabar com o governo de Fulgêncio Batista e estabelecer um novo regime pautado na melhoria das condições de vida dos menos favorecidos.

Entre outras propostas, o novo governo defendia a realização de uma ampla reforma agrária e o controle governamental sob as indústrias do país. Obviamente, tais proposições contrariavam diretamente os interesses dos EUA, que respondeu aos projetos cubanos com a suspensão das importações do açúcar cubano. Dessa forma, o governo de Fidel acabou se aproximando do bloco soviético para que pudesse dar sustentação ao novo poder instalado. A aproximação com o bloco socialista rendeu novas retaliações dos EUA que, sob o governo de John Kennedy, rompeu as ligações diplomáticas com o país. A ação tomada no início de 1961 foi logo seguida por uma tentativa de contra-golpe, onde um grupo reacionário treinado pelos EUA tentou instalar - sem sucesso - uma guerra civil que marcou a chamada invasão da Baía dos Porcos. Após o incidente, o governo Fidel Castro reafirmou os laços com a URSS ao definir Cuba como uma nação socialista.

            Para que a nova configuração política cubana não servisse de exemplo para outras nações latino-americanas, os EUA criaram um pacote de ajuda econômica conhecido como “Aliança para o Progresso”. Em 1962, a União Soviética tentou transformar a ilha em um importante ponto estratégico com uma suposta instalação de mísseis apontados para o território estadunidense. A chamada “crise dos mísseis” marcou mais um ponto da Guerra Fria e, ao mesmo tempo, provocou o isolamento do bloco capitalista contra a ilha socialista. Com isso, o governo cubano acabou aprofundando sua dependência com as nações socialistas e, durante muito tempo, sustentou sua economia por meio dos auxílios e vantajosos acordos firmados com a União Soviética. Nesse período, bem sucedidos projetos na educação e na saúde estabeleceram uma sensível melhoria na qualidade de vida da população. Entretanto, a partir da década de 1990, a queda do bloco socialista exigiu a reformulação da política econômica do país.



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Escrito por Rafael Sêga às 10h47
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Consolidação e expansão do socialismo burocrático (Parte 1)

Recuperação Soviética

 

"Cortina de Ferro" foi a expressão criada, em 1946, pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill, para designar a política de isolamento adotada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e seus estados-satélites após a II Guerra Mundial. Durante um discurso nos EUA, Churchill declara: "De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente". Inicialmente, a Cortina de Ferro é formada pelas repúblicas da Rússia, Armênia, Azerbaidjão, Belarus, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Letônia, Moldávia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão e os estados-satélites Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária e Romênia. Todos ficam sob o estrito controle político e econômico da URSS. Em 1955 unem-se militarmente por meio do Pacto de Varsóvia. O bloco se desfaz definitivamente em 1991, com a dissolução da URSS.

Entre 1928 e 1932, foi posto em execução o primeiro plano qüinqüenal. Stalin acelerou o processo de coletivização da agricultura, forçou a concentração das pequenas propriedades em grandes fazendas coletivas. O resultado não foi o esperado. Um dos maiores problemas desse plano foi à ênfase exagerada na expansão da indústria pesada. Ao se iniciar o plano qüinqüenal, em 1933, a situação no campo era bem difícil, isto porque os camponeses  estavam desestimulados, já que recebiam baixos salários. Com isso eles migravam em massa para os grandes centros, principalmente Moscou e Leningrado. O esforço exagerado da transformação econômica realizou-se a custa de intenso sofrimento social. A partir de 1936 milhões de pessoas foram transferidas para campos de trabalhos forçados. Após o XXI Congresso do Partido Comunista, realizado em 1959, o governo finalmente decidiu a dar mais atenção a produção de bens de consumo. Por esta razão, os objetivos do plano de sete anos, de 1959 e 1965 centrados na indústria pesada foram modificados, a atenção foi voltada para  construção de habitação e a indústria têxtil e alimentícia.

A criação da Otan, pacto de assistência militar mútua liderado pelos Estados Unidos, levou o governo soviético, em 1955, a criar o pacto de Varsóvia. O acordo agrupava as forças militares dos países socialistas sob o comando único dos soviéticos. No auge da economia, em oposição ao Plano Marshall, em 1949 foi organizado o Comecon (Conselho para Assistência Econômica Mútua), liderado pela União Soviética e composto por oito países do chamado bloco socialista. O organismo assegurava a distribuição de matéria-prima e favorecia a especialização econômica das nações participantes.

 

 

Segunda morte de Stálin

 

O XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) teve lugar entre 14 e 26 de fevereiro de 1956. Na ocasião, o secretário do Partido, Nikita Khrushchov, com seu célebre discurso secreto, denunciou as violências, os expurgos e as limitações à liberdade impostas pelo regime de Stalin, seu predecessor. Durante a sessão a portas fechadas, no último dia do congresso, Kruschev criticou asperamente a política stalinista, denunciando o culto de personalidade e uma série de crimes cometidos por ele e seus colaboradores. O discurso chocou os delegados presentes, que depois de anos de propaganda estavam convencidos da grandeza de Stalin. Após um longo debate, o discurso veio a se tornar público no mês seguinte mas o relatório completo, no qual se baseou, só foi publicado em 1989.

 

O caso da Iugoslávia

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi ocupada por forças nazistas. Surgiu então um movimento guerrilheiro de resistência, comandado por Josef Broz Tito. Terminada a guerra e expulsos os nazistas, Tito conseguiu reunir sob sua liderança as diversas nacionalidades que compunham o país e formar uma federação com seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia. O titoísmo, conhecido internamente como socialismo autogestionário, é a tendência do comunismo aplicada por Josip Broz Tito na Iugoslávia durante seu regime, entre 1945 e 1980. O titoísmo ficou conhecido por ser uma forma muito mais "branda" de regime socialista, combinando a economia estatizada com diversas liberdades civis. Embora originalmente o termo tenha sido inventado pelos stalinistas no final dos anos 1940 como sinônimo de socialismo pervertido e deturpação ideológica, os próprios titoístas acabaram por adotá-lo, com certo orgulho, para designar o tipo de socialismo "leve" implantado na Iugoslávia. Os titoístas iugoslavos se abrigavam na Liga dos Comunistas da Iugoslávia, nome do partido comunista federal daquele país após 1952. A mudança de nome se deu para refletir a intenção de desaparelhar o Estado, no sentido contrário dos demais regimes socialistas do mundo.

 



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Escrito por Rafael Sêga às 10h41
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