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O homem americano
O povoamento do continente americano é um enigma a ser decifrado para a compreensão da evolução de nossa espécie, chamada pelos cientistas de Homo sapiens. Ao deixar a África, onde surgiu aproximadamente entre 200 mil e 100 mil anos, o homem primitivo deu início à sua dispersão territorial e colonizou novos continentes, adaptando-se a novas regiões de clima e recursos naturais variados. Num movimento cuja direção levou ao estreito de Bering, a porta de entrada das Américas, nossos ancestrais deixaram vestígios nos lugares por onde passaram e fixaram residência. Esses locais, conhecidos como sítios arqueológicos foram encontrados em maior número na Europa, Ásia e Oceania do que na América do Norte, Central e do Sul que também são mais recentes. Essa lacuna na história do desenvolvimento humano há muito tempo mobiliza arqueólogos, lingüistas, antropólogos físicos e sociais, biólogos e geólogos, que procuram conhecer a origem, as características e quando e como chegou à América a nossa espécie. "Hoje, as perguntas que estão sendo feitas sobre o povoamento da América são: de onde vieram os primeiros colonizadores? Que rota seguiram? A migração foi contínua ou interrompida por lapsos de tempo? Quando ocorreu essa migração, ou quando ocorreram essas migrações?", explica Francisco Salzano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), empenhado em desvendar as origens do homem americano por meio da análise genética de grupos indígenas. Para ele, existe o consenso entre os cientistas de que não existiram populações originadas no continente, pois aqui ainda não foram encontrados vestígios muito antigos de fósseis humanos. Além disso, a hipótese mais aceita é a de que a rota de entrada no continente passou pelo estreito de Bering. "Mesmo com relação a este último ponto, no entanto, há vozes discordantes. As discussões quanto à região original de migração envolvem ou a Mongólia ou a Sibéria, numa ou mais rotas de migração, que podem ter sido terrestres, interiores, costeiras ou marítimas", diz Salzano. Um dos debates mais intensos sobre o surgimento do homem americano diz respeito ao tempo de sua chegada ao continente. Até meados do século passado, os achados arqueológicos que ofereciam dados mais antigos sobre a presença humana nas Américas derivavam de materiais encontrados no Novo México, EUA. Trata-se da cultura Clóvis, assim batizada com o mesmo nome do sítio arqueológico em que foram encontrados artefatos produzidos por pessoas que habitaram a região entre 10.500 e 11.400 anos atrás. Esse grupo era formado por caçadores de grandes animais, tais como mamutes e mastodontes, que eram abatidos por pontas de pedra lascada bastante afiadas, cuja técnica de produção permitia que fossem colocadas na ponta de um cabo. Esses achados permitiram a construção do modelo teórico chamado "Clóvis-Primeiro", segundo o qual uma única leva de pessoas adentrou a América aproximadamente a 12 mil anos. Esse período correspondia a uma era geológica, o final do período Pleistoceno, em que, entre o Alasca e o estreito de Bering, formou-se um corredor de terra chamado Beríngia, graças ao rebaixamento do nível do mar, numa era glacial em que a água era retida em grande volume na forma de gelo. Além desse fato geológico, a teoria foi corroborada por outras descobertas em sítios arqueológicos nos Estados Unidos, onde os artefatos de pedra lascada encontrados eram bastante semelhantes aos da cultura Clóvis. Desse modo, passou-se a acreditar que dessa cultura descendiam os demais grupos humanos espalhados pelo continente, idéia defendida ferrenhamente pelos pesquisadores norte-americanos, que olham com ceticismo a produção científica sul-americana. Mas a teoria de que a cultura Clóvis era a primeira e mais antiga da América, aos poucos, foi perdendo espaço diante das novas descobertas arqueológicas que atestaram uma presença humana mais remota em algumas regiões fora da América do Norte, tornando mais acirradas as discussões sobre a origem do homem em nosso continente. No final dos anos 90, trabalhos publicados por cientistas norte-americanos sobre escavações realizadas na América do Sul indicavam datas de ocupação de períodos contemporâneos aos de Clóvis. No sítio de Monte Verde explorado pelo arqueólogo Tom Dillehay, ao sul do Chile, foram encontrados vestígios arqueológicos que sugerem uma presença humana há 12.300 anos. Os estudos da pesquisadora Anna Roosevelt sobre Pedra Pintada, sítio localizado na cidade de Monte Alegre, Pará, indicam a ocupação do homem na floresta amazônica por volta de 11.300 anos atrás. Os resultados obtidos nesse local levaram a pesquisadora apresentar um outro modelo teórico de explicação da ocupação da América, o qual foi chamado de "Clóvis em contexto". Segundo esse modelo, a cultura Clóvis não era a mais antiga ocupação no continente da qual derivam todas as demais populações americanas. Achados em outros sítios arqueológicos espalhados pela América do Sul reforçam a teoria de uma ocupação pré-Clóvis do continente, no final do período Pleistoceno, anterior a 10 mil anos, e no início do Holoceno, nossa atual era geológica. Em Taima-Taima, sítio venezuelano, há indícios de presença humana que remontam a 15 mil anos. Na Argentina, nos sítios de Piedra Museo e Los Toldos, existem vestígios humanos de aproximadamente 13 mil anos. Os sítios de Tibitó, Colômbia, e os de Quebrada Jaguay e Pachamachay, no Peru, possuem datações antigas de até 11.800 anos. No Brasil, em Lapa do Boquête, Vale do Peruaçu, e em Lapa Vermelha e Santana do Riacho, Lagoa Santa, todos estes em Minas Gerais, e no Boqueirão da Pedra Furada, São Raimundo Nonato, Piauí, foram encontradas evidências remotas, anteriores a 10 mil anos. Atualmente, reivindica-se ao sítio arqueológico do Boqueirão da Pedra Furada, os vestígios mais antigos deixados pelo homem nas Américas. Datações feitas a partir de carvões originados de fogueiras e pedras lascadas indicam uma ocupação humana que remonta a cerca de 60 mil anos. Porém, entre os arqueólogos, é discutido se realmente tais vestígios foram produzidos por homens ou se são resultado de algum tipo de ação natural. Para a arqueóloga Niéde Guidon, que escava a região desde os anos 80, não há dúvidas de interpretação a respeito da ação humana nesse contexto. "Colegas americanos da Texas A & M University, EUA, analisaram as peças líticas e, como nós, as consideram indubitavelmente feitas pelo homem. Para rebater a idéia de que o carvão podia vir de incêndios naturais, fizemos sondagens em todo o vale da Pedra Furada e o carvão somente existe dentro do sítio. Incêndios naturais deixam carvão para todos os lados", explica a pesquisadora. Para Niéde Guidon, a partir dos vestígios do sítio de Pedra Furada, considerando dados da paleoclimatologia, da paleoparasitologia e da genética, seria possível propor uma teoria sobre a ocupação da América por grupos humanos diferentes, vindo de diferentes regiões, em diferentes épocas, ao longo dos últimos 100 mil anos. Mas, como ressalta a pesquisadora, sua proposta não é a de desvendar as origens do homem americano, mas sim descrever a história do homem na região do sudeste do Piauí. "Todos partem do pressuposto de que estamos estudando a origem do homem americano. Nosso programa de pesquisa é outro. Iniciei as pesquisas partindo da hipótese de que, tratando-se de uma região de fronteira entre duas grandes formações brasileiras, o escudo pré-cambriano da depressão periférica do São Francisco e a bacia sedimentar Maranhão Piauí do período devoniano-permiano, haveria uma profusão de ecossistemas diferentes, o que aumentaria a quantidade e diversidade dos produtos naturais disponíveis. Esse fato poderia ser o gerador de condições favoráveis para o desenvolvimento de culturas diferentes e, principalmente, de grandes culturas nesta região. Estudamos também todo o processo de evolução climática e da paisagem, desde a chegada do homem até hoje. Essa hipótese se mostrou verdadeira e até hoje estamos descobrindo novos sítios, figuras rupestres que foram comparadas pelos técnicos da Unesco às pinturas das grutas francesas, sendo classificadas como obras primas da humanidade. A quantidade de sítios, de pinturas, gravuras, material lítico e cerâmico demonstra uma presença antiga e contínua. Portanto, se enganam aqueles que pensam que estamos pesquisando para descobrir o mais velho ocupante da América. Se os sítios mais antigos tivessem 9.000 anos continuaríamos com o mesmo programa", diz Guidon. Achados arqueológicos pré-Clóvis, ou seja, mais antigos que 11.400 anos, também têm ajudado a embaralhar ainda mais outras duas peças do quebra-cabeça sobre a colonização primitiva da América que são: a origem do homem americano e o número de levas migratórias que o trouxeram para o continente. Na década de 80, a explicação mais aceita era fornecida pelo Modelo das Três Migrações, uma combinação de análises dentária, lingüística e de genética clássica. Segundo esse modelo, três populações originárias da Sibéria e do nordeste-asiático - ameríndios, na-denes e esquimós - adentraram respectivamente o território americano há 11 mil, 9 mil e 4 mil anos. Porém, novos estudos em genética baseados na análise do DNA mitocondrial (mtDNA) e do cromossomo Y de populações indígenas americanas fornecem modelos alternativos sobre os grupos fundadores de novas culturas na América. Os pesquisadores Francisco Salzano (UFRGS) e Sandro Bonatto (PUCRS), baseados em resultados com mtDNA, sugerem uma entrada única no continente, por volta de 16 mil a 20 mil anos atrás. Mas Salzano explica que tais projeções sobre o tempo de presença do homem na América variam conforme a base de referência utilizada para estudos nesse sentido. Citando o exemplo da genética, o pesquisador diz que algumas pesquisas baseadas em análises do cromossomo Y, por exemplo, propõem números diferentes de migrações colonizadoras, uma ou mais, que ocorreram em épocas distintas. Pesquisas em antropologia física, baseadas no estudo da morfologia craniana, também apresentam modelos distintos de ocupação da América, sugerindo a existência de quatro ondas migratórias ocorridas em períodos diferentes. Em artigo publicado na revista brasileira Scientific American, em agosto deste ano, os pesquisadores Walter Neves e Mark Hubbe, ambos da USP, defendem a idéia de que uma população distinta dos atuais índios americanos adentrou o continente através do estreito de Bering aproximadamente a 15 mil anos. Essa hipótese faz parte da teoria denominada "Modelo dos Dois Componentes Biológicos Principais", segundo a qual houve uma migração não mongolóide, que antecedeu a chegada dos ameríndios, na-denes e esquimós ao continente. Essa teoria é sustentada pelo antropólogo físico Walter Neves desde meados dos anos oitenta, época em que ele analisou uma série de crânios encontrados no sítio Lapa Vermelha IV, região de Lagoa Santa, Minas Gerais, escavado por franceses e brasileiros sob a liderança da arqueóloga Annete Laming Emperaire, entre os anos de 1974 e 1976. A morfologia desses crânios apresenta traços característicos aos dos aborígines africanos e australianos, que são distintos dos traços característicos de povos com origem asiática, tais como chineses, japoneses e atuais indígenas americanos. A idéia de que o território americano foi ocupado por populações de componentes biológicos distintos ganhou visibilidade com a publicação, em 1998, de um estudo feito por Neves a partir de um esqueleto encontrado na Lapa Vermelha, considerado um dos mais antigos encontrados na América. Com a idade entre 11 mil e 11.500 anos atrás, esse esqueleto pertencia a uma mulher jovem batizada pelos arqueólogos de Luzia. O estado de conservação de seu crânio permitiu a realização de uma reconstituição facial, cuja aparência revela traços semelhantes aos de africanos e australianos.
A busca continua. A origem primitiva do homem americano permanece um mistério para a ciência. Os pesquisadores que procuram desvendá-la, dispõem de escassas evidências e utilizam diferentes bases de referência metodológica (lingüística, arqueológica, antropológica, genética etc), que são difíceis de serem encaixadas num mesmo modelo teórico. De certa forma, as discussões giram em torno de quem possui os dados mais precisos e mais antigos sobre a presença humana em nosso continente. Além disso, os embates científicos parecem estar polarizados pelas velhas teorias de colonização e os novos vestígios arqueológicos encontrados na América do Sul. Para Niéde Guidon, as teorias sobre a ocupação da América dos anos 50 eram baseadas na falta de dados. "Os dados foram surgindo, mas muitos ficaram aferrados a uma teoria sem bases. Os conhecimentos sobre a pré-história da Europa, da África, mudaram e muito. A cada ano temos novos recuos para o aparecimento do gênero Homo, para as relações genéticas entre Homo e os outros grandes primatas africanos. Somente a teoria americana sobre o povoamento da América não pode ser tocada. Em alguns artigos recentes, a submissão é tal que somente o que é feito pelos americanos pode ser considerado", comenta a arqueóloga. O arqueólogo André Prous (UFMG), que participou da missão franco-brasileira para a escavação do sítio de Lapa Vermelha IV, onde foi encontrada a Luzia, acrescenta que a determinação de um período para a ocupação do homem na América depende da descoberta de sítios arqueológicos devidamente escavados e interpretados. Diz ele, "o dia em que tivermos sítios, se é que eles irão aparecer, mais antigos e em boas condições, já com vestígios inquestionáveis, com estratigrafias claras e datações precisas, teremos dados mais seguros sobre uma presença bastante primitiva do homem em determinada região. Para isso, é preciso multiplicar os números de pesquisas, procurar supostos sítios pleistocênicos com vestígios preservados etc. Teríamos que ter uma multiplicidade de estudos arqueológicos a esse respeito, pois as pesquisas acadêmicas sobre o tema são raras. Além disso, no final, devemos contar com boa dose de sorte para achar esses locais".
Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 14h52
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Pré-História
O Homo sapiens, surgido entre 400 mil e 100 mil anos atrás é um dos últimos elos da corrente da espécie a qual todos nós pertencemos. Suas origens ainda não estão totalmente explicadas. Uma das teorias afirma que os seres humanos modernos (Homo sapiens sapiens) evoluíram ao mesmo tempo a partir de populações primitivas da África, Ásia e Europa, misturando-se uns aos outros geneticamente.Segundo os defensores dessa corrente, isso se justifica pelo fato de que, em determinadas regiões, populações humanas modernas possuem algumas estruturas anatômicas semelhantes a populações de Homo erectus que ali viveram no passado.Uma outra hipótese sustenta que uma pequena população relativamente isolada de seres humanos primitivos da África evoluiu até o Homo sapiens moderno e de lá se espalhou pela Europa, Ásia e restante do continente africano, desalojando as populações humanas primitivas que encontrava em seu caminho. Os cientistas defendem suas idéias baseando-se na análise do DNA de células de seres humanos de diferentes localidades do planeta.Independentemente de qual teoria esteja correta - se é que alguma delas está -, o fato é que os mais antigos fósseis já encontrados de seres humanos modernos datam de 130 mil anos e foram localizados na África. E de todas as espécies, o Homo sapiens sapiens foi a única que se espalhou e conquistou os cinco continentes do nosso planeta.
Períodos da Pré-história humana
Do mesmo modo como a história foi dividida em períodos ou idades (Antiga, Média, Moderna e Contemporânea), os estudiosos realizaram uma periodização da Pré-história, embora esta seja constantemente questionada. A primeira periodização foi formulada pelo dinamarquês Christian Thomsen, num livro publicado em 1836. Segundo ele, a Pré-história se dividida em:
idade da Pedra Lascada,
idade da Pedra Polida,
idade do Bronze e
idade do Ferro. Essa classificação foi depois substituída pela do inglês John Lubbock, que chamou de Paleolítico e de Neolítico o que, respectivamente, Thomsen denominara idade da Pedra Lascada e idade da Pedra Polida. Lubbock subdividiu, ainda, cada um dos períodos em fases inferior, média e superior. Atualmente, as duas classificações em geral são combinadas. Entretanto, os estudos pré-históricos propriamente ditos tendem a considerar mais os dois primeiros períodos, Paleolítico e Neolítico, do que os períodos subseqüentes.
Técnicas e utensílios
As duas classificações se baseiam nas técnicas ou nos utensílios inventados pelo homem nas épocas focalizadas. Assim, quando se fala em Paleolítico (ou idade da Pedra Lascada), têm-se em vista instrumentos rudimentares de pedra, de madeira ou de osso. E, ao falarmos em Neolítico (ou idade da Pedra Polida), referimo-nos a instrumentos feitos com os mesmos materiais, porém mais sofisticados e mais elaborados. Em 1936, os estudos do cientista Vere Gordon Childe abriram novos caminhos para uma melhor com preensão da Pré-História. Ele propôs que esses períodos fossem considerados etapas da evolução do homem, que não se excluíam entre si, superando-se através de novas formas de produção.
Paleolítico: caçadores nômades
Aceitando a designação de Lubbock e as propostas de Childe, o período Paleolítico compreenderia os anos entre 4 milhões a.C. e 12000 a.C. Suas características são o nomadismo e a subsistência baseada na caça, mas também voltada para a pesca e a coleta de vegetais. Durante a caçada, os animais eram forçados em direção a desfiladeiros sem saída ou rumo a abismos, quando então caíam em armadilhas feitas em covas, onde havia paus pontiagudos. Como camuflagem, o homem dispunha principalmente de disfarces com peles e chifres de animais. Os instrumentos ou ferramentas usados cotidianamente eram de pedra, de madeira ou de osso, moldados a partir de golpes de um material mais resistente contra outro menos resistente. Essa técnica podia chegar a alguma sofisticação, com objetos tendo apenas uma de suas faces lascada ou afiada para tornarem-se mais adequados. São dessa época os "machados de mão", pedras trabalhadas para se tornarem cortantes, sem cabo.
Arte rupestre
Pouco se sabe sobre a quantidade populacional no Paleolítico, principalmente em virtude do nomadismo. Calcula-se, por exemplo, que em toda a área da atual Bélgica viviam apenas 400 pessoas. De acordo com sepulturas e esqueletos fossilizados nelas encontrados, imagina-se que a média de idade dos seres humanos no fim do período era de 26 anos. No plano artístico, é comum associar-se a arte à religião durante o Paleolítico, embora haja teorias atribuindo ao aumento demográfico o surgimento de tempo ocioso, empregado em pintura e em escultura. De qualquer modo, a arte pré-histórica ou rupestre refletia as preocupações de subsistência, através de representações da caça e da fertilidade (da terra e da mulher).
Neolítico: a revolução da agricultura
Supõe-se-se que a humanidade tenha entrado num segundo estágio de sua evolução cultural entre 12000 a.C. e 6000 a.C., com a descoberta da agricultura, que passou a ser a principal fonte de subsistência. A agricultura levou ao sedentarismo e, simultaneamente, às primeiras tentativas de domesticação de animais (supõe-se que com cabras, porcos e carneiros, em regiões da Ásia). Os utensílios multiplicaram-se. Já não se tratava de simples "machados de mão" ou clavas, mas sim de vasos, estatuetas, fusos, contas, pilões. Surgiu também uma das peculiaridades do Neolítico: a cerâmica, possivelmente criada a partir do revestimento de betume que se colocava no interior de cestas de fibra para torná-las impermeáveis e próprias para o transporte de líquido. A resistência do betume, permanecendo após o desgaste das fibras, explicaria a tese.
Advento da escrita
O sedentarismo teria permitido também o aumento populacional e o surgimento de organizações sociais mais complexas, inclusive ocorrendo uma divisão social do trabalho e uma especialização de funções. Estudiosos admitem a existência de um poder organizado, com autoridades temporais e/ou religiosas. A etapa posterior é conhecida como Idade dos Metais, com o domínio de técnicas de manipulação do cobre e do bronze por parte do homem. É quando ocorre o surgimento de cidades, processo que Gordon Childe chama de Revolução Urbana. Por fim, veio o advento da escrita, que encerrou a Pré-história.
Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 14h44
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O Islã ("Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso...")
O islamismo, religião que mais cresce no mundo contemporâneo, nasceu na Península Arábica principalmente a partir da reflexão de Maomé em torno da multiplicidade de deuses existentes nas tribos da própria península assim como das religiões petrificadas, anquilosadas e presas no formalismo ritualístico, sem a vivificação espiritual desejada e desejável, como o cristianismo ortodoxo grego, o cristianismo romano e o judaísmo. “Nos 13 séculos que se passaram de sua gênese, a religião congrega hoje mais de 800 milhões de adeptos, "unidos pelo sentimento profundo de pertencerem a uma só comunidade. E essa expansão, que continua, é devida principalmente a um espírito de universalidade que transcende qualquer distinção de raça e permite a cada povo se integrar no Islã mas, ao mesmo tempo, conservar sua cultura própria.”
O Berço
A Península Arábica está localizada no Oriente Médio, limitada entre o Mar Vermelho a oeste, o Oceano Índico ao sul e o Golfo Pérsico a leste, ligada ao continente pelo deserto, que cobre a maior parte da Península. Não existem rios permanentes e o clima é extremamente seco, apresentando oscilações térmicas de áreas e variações de temperatura. Ao centro e a leste encontram-se numerosos oásis, que têm origem na umidade do subsolo, originando poços de água em torno dos quais crescia uma exuberante vegetação tornando possível a vida na região.
Arábia pré-islâmica
Por diversas vezes os romanos estiveram às portas da Península Arábica, porém questionaram as vantagens de conquistar uma região tão inóspita e agreste, passando a figurar nos mapas de Roma apenas como a desconhecida província arábica. As populações que habitavam a região central e setentrional eram de origem semita e encontravam-se divididas em numerosas tribos ou grupos. Os árabes do deserto, conhecidos por beduínos, eram nômades, de características bem diversas dos árabes do sul. Falavam árabe, idioma que acabou se impondo em toda a região. A difícil sobrevivência levou-os ao cultivo de uma escassa agricultura de tâmaras e trigo, praticada nos oásis, à criação de rebanhos, às incursões e ao comércio de caravanas que souberam incrementar por toda a península. Os oásis e as cidades serviam-lhes de escala e de entrepostos de mercadorias, utilizando-se das razias para a conquista das melhores regiões. Segundo alguns geógrafos e historiadores, a Arábia desértica do norte, “machucada por um sol abrasador”, contrastava com o sudoeste, região que se chamou de "Arábia Feliz" (Yemmen), destacando-se a cidade de Aden, entreposto de grande importância comercial nas relações com o Oriente. A costa marítima era ocupada pelas tribos sedentarizadas que habitavam Meca e Yatreb (mais tarde “Medina”), as duas principais cidades, vivendo como comerciantes ou artífices, e exportando para o Ocidente o café, o incenso, as tâmaras e os perfumes. Fora essecomércio internacional, também existiam relações mercantis com os árabes do deserto. Nem os beduínos nem os árabes urbanos possuíam um governo centralizado, prevalecia a organização tribal, não eram raros os conflitos entre as tribos. Apesar das diferenças culturais, contudo, todos os árabes eram da mesma raça e diziam-se descendentes de Abraão; a religião mostrava uma nítida influência do judaísmo, não apenas por sua proximidade com o "patriarca". Durante esse período, acreditavam em um deus supremo, Alá, porém não deixavam de adorar uma infinidade de deuses inferiores, os djins, e, através de imagens ou totens, continuavam a cultivar o politeísmo de seus ancestrais. Cada tribo possuía seus próprios ídolos. Apesar de terem um santuário tribal, existia um comum a todos, que se encontrava em Meca, na Caaba, onde estava depositada a Pedra Negra que, desde tempos imemoriais, se acredita ter sido trazida do céu pelo Arcanjo Gabriel, e todos os ídolos tribais. Desde a época de Maomé os fiéis sempre rezaram ao redor da Caaba, em Meca, capital do islamismo. A importância de Meca não parava de crescer. Para lá fluíam as mais diversas tribos em busca da adoração da Pedra Negra e seus deuses.
Maomé e sua Fé
Meca não dispunha de uma organização ou instituições políticas, nem possuía um forte sentimento nacional. O principal personagem da mudança cultural, política e religiosa foi inquestionavelmente Maomé. Pertencente à família dos haxemitas, ramo pobre da poderosa tribo dos coraixitas; seu nascimento é estimado como ocorrido em torno do ano 570. Muito cedo Maomé ficou órfão, passando a viver no deserto sob os cuidados de seu avô, onde aprendeu a conhecer a difícil vida dos beduínos e suas necessidades materiais e espirituais. Ainda jovem, retornou a Meca, tornando-se um excelente guia de caravanas, mantendo contatos com povos monoteístas, principalmente judeus e cristãos, de quem sofreu profundas influências religiosas. Aos 25 anos, Maomé casou-se com uma viúva rica, proprietária de camelos, chamada Khadidja. O casamento deu-lhe profunda estabilidade material, porém, como todos os profetas. Acredita-se que foi a partir daí que começou a formular os princípios de uma nova doutrina religiosa, iniciando um período de meditações e jejuns. Constantemente isolava-se no deserto buscando seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, a quem considerava um dos últimos profetas. Foi durante suas andanças pelo deserto que afirmou ter tido a visão do Arcanjo Gabriel, que o incumbira de ser o profeta de Alá. Maomé tinha 40 anos de idade e possuía um forte caráter emocional, pois durante suas visões encontrava-se sempre em transe. Dedicou-se à pregação junto aos seus familiares, não se contentando com a vida economicamente tranqüila que ora dispunha. Após três anos, seguido por um pequeno grupo de fiéis convertidos à nova fé, Maomé começou a falar para os coraixitas em frente à Caaba, pregando a destruição dos ídolos e afirmando a existência de um só deus, Alá. As mudanças religiosas propostas pelo profeta acabaram por entrar em choque com os líderes coraixitas, pois a implantação do monoteísmo significaria a diminuição da peregrinação de fiéis a Meca, uma vez que Alá, não tendo forma física, estaria em toda parte. Sentindo o perigo daquela subversão de idéias em torno do monoteísmo, temendo o esvaziamento de Meca como centro comercial de toda a Península Arábica, os coraixitas tentaram matá-lo. Alertado por alguns seguidores, Maomé fugiu de Meca para Yatreb, em 622, ficando este ato conhecido como Hégira, marco inicial do calendário muçulmano. Apesar de ter sido bem recebido por vários de seus seguidores em Yatreb, encontrou forte oposição dos judeus da cidade, que resistiram às tentativas de conversão, e foram assassinados em massa. Nesse momento, Maomé implantou um governo teocrático, transformando a cidade em sua base e mudando seu nome para Medina, a cidade do profeta. Tomando conta da inútil tentativa da conversão pacífica, Maomé optou pela Guerra Santa. Meca foi sitiada e obrigada a aceitar a volta do profeta, que graças ao apoio dos beduínos, já convertidos, destruiu os ídolos da Caaba, mantendo apenas um único elo de ligação entre as tribos: a Pedra Negra. No ano 630, o Estado Árabe estava praticamente formado, unido em torno da bandeira do islamismo e de seu único chefe, Maomé, que assumia não apenas o poder político como também o religioso, iniciando-se, assim, um governo teocrático. Acredita-se que o Profeta tenha subido aos céus numa nuvem a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, no ano 632 d.C.
Os Preceitos da Religião Muçulmana
O Cinco Pilares do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra “Promessas do Islã”, publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988, podem ser assim resumidos:
1. Profissão de Fé: “Existe um único Deus e Maomé é seu profeta”. Nenhuma outra divindade senão Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha assim um sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do Alcorão, eram uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que não cante seus louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII, 44).
2. Oração: a prece é e a participação consciente do homem no canto de louvor que liga todas as criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a existência resumida em você.” A prece integra o homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto voltado para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho do mirhab designa a direção da Caaba são assim integrados, por círculos concêntricos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu centro. A ablução ritual, antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva pela qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus, ele se torna seu perfeito espelho.
3. Jejum durante o mês sagrado do Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo vital, afirmação da liberdade do homem em relação ao seu “eu” e aos seus desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele que tem fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar da miséria e da morte.
4. Zakat. Não é esmola, mas uma espécie de justiça interior institucionalizada, obrigatória, que torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é, daqueles que sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a lembrança permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma comunidade.
5. A peregrinação a Mec, enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da comunidade muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior em direção ao centro de si mesmo.
Doutrina
Todos os preceitos que devem ser seguidos encontram-se reunidos no Alcorão (ou “Corão”), livro sagrado escrito a partir das sínteses dos ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com conotações nitidamente político-religiosas, assumindo o caráter de uma verdadeira constituição para o povo islâmico. Os feitos de Maomé foram reunidos por seus familiares em um livro denominado Suna, no qual se encontram as bases da tradição, formuladas a partir dos exemplos dados por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos básicos da Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode ser traduzida realmente como “Guerra Santa”. A partir da existência de dois livros sagrados, o mundo muçulmano dividiu-se em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores exclusivamente do Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os sunitas, que adotam como fonte de ensinamento, além do Alcorão, a Suna.
Breve cronologia:
570: nascimento de Maomé.
610: Maomé tem a primeira visão do arcanjo Gabriel.
622: Hégira - início do calendário muçulmano.
630: Maomé destrói os ídolos da Caaba; nascimento do Islão.
632: Ascensão de Maomé aos céus a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém.
Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 14h03
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Império bizantino
Também conhecido como império romano do oriente. O império bizantino tem sede em Bizancio (posteriormente chamada de Constantinopla). Após a divisão do império romano, por causa da sua insuficiência de governo na extensão de território. O império do ocidente não conseguiu segurar as invasões Bárbaras. Já o império do oriente perdurou por muitos anos. Lembramos que o responsável pela divisão dos impérios foi Constantino.
A fusão de culturas
Com intensa atividade comercial e urbana, o império bizantino alcançou grande desenvolvimento econômico e cultural. Em termos religiosos o Cristianismo era estudado com freqüência. No inicio os costumes culturais da Roma ocidental era sustentado, mas posteriormente a cultura helenística incentivou fortemente à cultura, portanto fazendo com que o império bizantino fosse à mistura do ocidente com o oriente.
Era de Justiniano (527-565)
Desde a divisão do império, os governantes não conseguiam estruturar o estado, isso aconteceu no séc. VI com Justiniano (nascido em 483) que estruturou o estado e conseguiu fazer seu apogeu. Justiniano foi um dos mais brilhantes imperadores bizantinos, ele moveu uma série de guerras contra bárbaros para reconquistar os territórios perdidos, muitos deles foram recuperados.
A revolta de Nika
Essas campanhas para retomar os territórios custaram muito dinheiro, porém Justiniano aumentou o preço dos impostos causando uma grande insatisfação da população. A população insatisfeita com a miséria e o sofrimento fizeram à revolta de Nika, que foi violentamente reprimida pelas forças do governo. A Revolta de Nika (ou Motins de Nika) aconteceu no ano de 532 em Constantinopla durando cerca de uma semana. A revolta recebeu o nome de "Nika" porque a população gritava a palavre vitória (Nike, em grego).
Cesaropapismo e a grande quebra do oriente
Após a revolta de Nika, Justiniano assumiu uma posição de absolutista: Ele assumiu o poder do estado e da igreja. Com isso ele criou certo confronto com o papa que não aprovou o feito de Justiniano. O papa não aceitava dois governantes na igreja católica. Após muitos conflitos e reuniões entre os membros um acordo foi feito: A quebra do oriente, onde aconteceu a divisão da religião católica em:
a)igreja ortodoxa: sede em Bizâncio, comandada por Justiniano.
b)igreja católica apostólica romana: sede em Roma, comandada pelo papa.
Realizações de Justiniano
No campo legislativo: preservou a herança jurídica romana, mandou codificar o direito romano, extensa obra de leis destacando o código de Justiniano.No campo administrativo: Justiniano construiu diversas obras públicas, como hospitais, pontes, escolas.
Decadência do império bizantino
Após a morte de Justiniano, uma série de ataques externos aconteceu no império,enfraquecendo. Assim este império perdurou até o séc. xv, sendo dominado pelos turcos otomanos em 1453, marcando o final da idade média e o início da idade moderna.
Conseqüências da tomada de Constantinopla
Surgimento do grande império turco otomano. A migração de grandes sábios do império do oriente para o ocidente levando consigo grande conhecimento que levou a formação do renascentismo. A quebra do comércio entre a Ásia e Europa levando a procura de outros caminhos para acessar o oriente.
Economia e sociedade
Devido a sua localização entre a Europa e a Ásia o império bizantino desenvolveu como atividade mais importante da economia o comércio. O governo utilizava seus funcionários para monitorar a comercialização de mercadorias, eles olhavam além da quantidade a qualidade. Os principais produtos comercializados foram perfumes finos, tecidos de ceda, porcelanas e peças de vidro. O artesanato também era supervisionado pelo governo, porém o governo possuía diversas empresas. A grande produção agrícola vinha das terras da aristocracia, os donos eram a nobreza e oficiais do exercito. Quem prestava serviço nessas terras era um grande número de servos. Devido a grande importância do comércio a vida urbana era extremamente movimentada e as principais classes se encontravam nas cidades. Para se ter uma idéia a principal cidade do império, que era bem localizada em relação ao império, possuía mais de 1 milhão de habitantes.
Classes sociais:
1. Grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras (trabalho manual) Alto clero e funcionários do alto clero;
2. Artesão, funcionários de médio e baixo escalão e pequenos comerciantes;
3. A maioria da população: empregados das manufaturas, servos.
Cultura e religião
A grande variedade de povos que viveram no império bizantino, influenciou a produção cultural. Houve muitos problemas religiosos no império. Justamente por causa da diversidade de povos e culturas em um mesmo lugar. Havia sempre debates sobre as religiões e geralmente o que mais ouvia-se era dois pontos de vistas diferentes:
1) Monofisismo: Afirmava que cristo tinha apenas a natureza divina, negava-se que cristo existiu humanamente.
2) Inoclastia: pregava-se a destruição de imagens de santos, proibindo sua utilização em templos.
Sempre por trás das opiniões religiosas, havia as disputas políticas que na maioria das vezes eram pela conquista da confiança do povo.
Artes
Nas artes os bizantinos souberam combinar perfeitamente combinar o luxo e o exotismo orientais com o equilíbrio e a leveza da arte clássica greco-romana. A arquitetura foi uma das artes mais praticadas em bizancio. Os bizantinos também se destacaram na arte do mosaico uma composição artística feita de inúmeros pedaços de pedra e vidro coloridos, e recoberta por ouro em folha. A escultura bizantina servia aos ideais religiosos.produziam-se peças de refinado valor, utilizando materiais como vidro, marfim e ouro.
Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 13h53
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Colonização portuguesa e administração colonial
O primeiro passo no sentido de ocupar as terras brasileiras foi o envio da expeidção de Martin Afonso de Souza, que deixou Lisboa em 3 de dezembro de 1831, com a incumbência primordial de varrer os franceses da "costa do pau-brasil" e desenvolver, ao máximo, sua exploração e seu conhecimento, visando empreendimentos futuros que garantissem seu domínio. No litoral de Pernambuco, Martin Afonso combateu e aprisionou três naus francesas. Em seguida, enviou parte de sua expedição para o norte, afim de explorar o litoral até o Maranhão, e rumou para o sul com o restante da armada, aportando na Baía de Todos os Santos, no Rio de Janeiro, em Cananéia, de onde seguiu para o Rio da Prata. Em janeiro de 1532, a esquadra encontrou em São Vicente uma pequena aldeia, formada de índios (guianases e carijós), europeus e mestiços, na qual se destacava o português João Ramalho com uma imensa prole mameluca. Aproveitando as condições propícias, Martin Afonso instalou no lugar o que seria a primeira vila do país. Além dessa foi organizada outra vila, serra acima, na "boca do sertão" (Santo André da Boca do Campo). Esses dois principais núcleos oficiais, contrariando determinações do monarca, não se localizavam na "costa do pau-brasil" mas, sim, no litoral sul, local de fácil acesso ao Prata, o que demonstrava o interesse mercantilista português pelo domínio dessa região. No Rio de Janeiro, onde a expedição permaneceu cerca de três meses, quatro homenes foram enviados mata a dentro, os quais só retornaram após 60 dias, trazendo algumas amostras de cristal e falando da existência de riquíssimas minas de ouro. Contudo, além dos serviços que prestara, explorando o litoral e expulsando da terra embora temporariamente os franceses, pudera Martin Afonso de Souza examinar, diretamente as condições e possibilidades que o oferecia o Brasil para uma tentativa em escala ampla de povoamento. Assim, não resta dúvida de que, as informações que enviava freqüentemente à Metrópole sobre as potencialidades da terra, durante os quase 2 anos de permanência no litoral brasileiro, contribuíram para que o Estado português tomasse a inciativa de inaugurar uma nova estratégia colonial: O desenvolvimento da agricultura, a ocupação, o povoamento e, conseqüentemente, a valorização econômica das terras, até então só exploradas no limite de seus recursos naturais aparentes.
As Capitanias Hereditárias Quando D. João III resolver encetar a colonização, preocupava-o, antes de tudo, preservar a pose das terras, então disputadas, como já vimos, por estrangeiros, dos quais se destacavam s franceses. A solução encontrada, por esta sugestão de alguns "notáveis" do Reino, foi a aplicação de uma experiência já testada nas ilhas do Atlântico, principalmente na da Madeira: a criação de capitanias. Este sistema lhe acenava com a possibilidade de ocupar simultaneamente vários pontos do litoral, preservando, assim, o seu domínio, sem arcar com o ônus do empreendimento, uma vez que utilizaria recursos particulares, oferecendo em retribuição, uma série de direitos e privilégiois tão à moda, na época. Estruturação Entre 1534 e 1536, as terras basileiras foram divididas em 15 faixas lineares de terra, de extenção variável e desiguais quanto às potencialidades, sendo dadas a 12 capitães-donatários. Juridicamente, a ocupação da terra era assegurada pela Carta de Doação e pelo Foral. A Carta de Doação estabelecia os direitos dos donatários (propriedade de 10 léguas de terra ao longo da costa; privilégio de contruir engenhos d'água e moendas, etc.). O Foral por sua vez, definia as obrigações dos donatários para com a coroa lusitana (pagamento do dízimo; propriedade das riquezas do sub-solo, do mar e do mato pertenciam à coroa). O sistema de capitanias fracassou. Entre outros pelos seguintes motivos: 1- Falta de recursos financeiros dos donatários (o empreendimento representava ônus muito superior à espectativa prévia); 2- Falta de bons administradores, sendo que alguns deles nunca vieram às suas capitanias, como foi o caso de Antônio Cardoso de Barros, da capitania do Ceará; 3- Os atritos constantes com os nativos, estes se aliando freqüentemente a invasores estrangeiros e atacando as capitanias, além do que não aceitando ser escravizados pelos portugueses, defendiam-se; 4- Distância e dificuldade de comunicação entre a Metrópole e a Colônia; 5- Falta de comunicação intercapitanias (a descentralização do sistema foi acompanhada da desorganização política e administrativa; 6- A grande extensão de terras das próprias capitanias. O Governo Geral Para promover promover a centralização administrativa da Colônia, reedificar o sistema de Capitanias Hereditárias e portanto, impor maior ordem à colonização, o Estado português deliberou pela criação do Governo Geral. Assim, pelo regimento de 17 de dezembro de 1548, criava-se, além do cargo de Governador (ou Governador Geral, a partir de 1577), os seguintes cargos de assessoria: Ouvidor-Mor (para exercer as funções jurídicas, noimear juízes e auxiliares); Provedor-Mor (para executar a política fazendária, arrecadando os tributos e fiscalizando sua aplicação); Capitão-Mor (responsável pela defesa e fiscalização da costa litorânea). Outro assessor do Governo Geral era o Alcaide-Mor (que exercitavaa chefia das malícias). Assim, a criação do Governo Geral não distriuiu o sistema de capitanias, mas superpôs-se a ele: Nesse período, o Brasil possuiu vários governadores gerais. Porém, três foram os que mais destacaram-se: * Tomé de Souza - primeiro governador geral, foi o responsável pela fundação de Salvador (primeira capital da Colônia), pela introdução da pecuária na região, do cultivo de cana nas proximidades de Salvador e do plantio de coqueiros. * Duarte da Costa - segundo governador geral, com autorização os jesuítas instalaram-se nos campos de Piratininga, dando origem à cidade de São Paulo. Foi no seu governo que os franceses instalaram-se no Rio de Janeiro. As disputas entre jesuítas e colonos, enfraqueceram enormemente seu governo. * Mem de Sá - terceiro governador geral do Brasil foi o consolidador desse regime. Resolveu o problema de mão-de-obra, implantou sob as ordens da Coroa o monopólio. Seu maior feito foi a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro (as tropas estavam sob o comando de seu sobrinho Estácio de Sá, fundador da cidade maravilhosa). A Divisão do Governo Geral Para melhor fiscalizar o processo de povoamento produtivo que a partir de 1570 já lhe propiciava grandes lucros, derivados do monopólio comercial do açucar na Europa, a Coroa, após o gover de Mem de Sá, dividiu o governo geral em dois: um sediado em Salvador e outro no Rio de Janeiro. Contudo, essa divisão foi nominal até pelo menos a Segunda década do século XVII, quando se instalou o esta do Maranhão (1621). As vilas As câmaras municipais são instituições antigas que herdamos dos colonizadores portugueses e que passam a existir oficialmente em nosso país a partir de 1532, quando São Vicente(SP) foi elevada a categoria de vila. A organização administrativa, jurídica e política das casas legislativas municipais estavam fundamentadas, naquele período, nas Ordenações Manuelinas (1521-1580) e, mais tarde, nas Ordenações Filipinas (1580-1640). No período colonial brasileiro (1530-1822) e somente nas localidades elevadas a categoria de vila, concedida pelo governo português através de ato régio, é que podiam instalar uma Câmara Municipal. E estas eram compostas geralmente de dois juízes ordinários, servindo um de cada vez, ou do juiz de fora (este último imposto pelo rei com o pretexto de "administrar" melhor a justiça aos pobres) e dos três vereadores. Com exceção do representante da Coroa portuguesa (juiz de fora) os demais membros que faziam parte da Câmara eram eleitos a cada triênio pela elite local (latifundiários, nobreza, milícia e clero), os chamados "homens bons". Pertenciam também a Câmara o procurador, o tesoureiro e o escrivão que eram investidos aos cargos, através de eleição, da mesma forma que os juízes ordinários e os vereadores. As Câmaras Municipais do período colonial, tinham atribuições mais amplas do que as atuais. Assim é que, além das funções de interesse específico do município (taxar impostos, administrar os bens e as respectivas receitas da vila, construir e conservar edifícios, estradas, pontes e calçadas, cuidar da limpeza de ruas e conservação de praças, regulamentar as profissões do comércio e ofícios, inspecionar a higiene pública, nomear funcionários da administração geral, dentre eles, escrivão, carcereiro - algumas câmaras, inclusive a de Fortaleza, funcionavam também como prisões -, etc.) exerciam elas funções que na atualidade competem ao Ministério Público como as denúncias de crimes e abusos aos juizes além de desempenhar funções de natureza administrativa, policial ou judiciária. Também lhe era facultado o direito de nomear procuradores às cortes e de representação as autoridades superiores e ao próprio rei. No exercício de suas funções deliberativas a câmara era composta apenas do juiz e seus vereadores. A princípio essa reunião era chamada de vereação ou conselho de vereadores, e só posteriormente o termo câmara foi utilizado para designar a reunião de vereadores sob a presidência do juiz. Quando as reuniões da câmara municipal ocorriam com os "homens bons", ou seja, a elite local, era denominada de juntas gerais.
Categoria: História 3 & 4
Escrito por Rafael Sêga às 21h06
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A colonização espanhola
A viagem de Colombo América em 1492 trouxe à Espanha perspectivas de enriquecimento, pois acreditava o navegador ter encontrado um novo caminho para as Índias. Mesmo nas expedições subsequentes, desde o ano seguinte, Colombo manteve a mesma crença e conforme procurava as riquezas orientais fundou vilas e povoados, iniciando a ocupação da América. Na Espanha suspeitava-se que as terras descobertas por Colombo fossem um obstáculo entre a Europa e as terras do oriente, e essa suspeita confirmou-se com a descoberta de Vasco Nunez Balboa, que chegou ao Pacífico, atravessando por terra a América Central. Até a década de 20 os espanhóis ainda procuravam uma nova rota par as Índias, modificando essa política a partir das descobertas de Cortez no México.
A estrututa política metropolitana
O processo de exploração da América colonial foi marcado pela pequena participação da Coroa, devido a preocupação espanhola com os problemas europeus, fazendo com que a conquista fosse comandada pela iniciativa particular, mediante o sistema de capitulações. As capitulações eram contratos em que a Coroa concedia permissão para explorar, conquistar e povoar terras, fixando direitos e deveres recíprocos. Surgiram assim os adelantados, responsáveis pela colonização e que acabaram representando o poder de fato nas terras colonias, como Cortez e Pizarro que, apesar de incorporarem ao domínio espanhol grandes quantidades de terra, não conseguiram implementar um sistema eficiente de exploração, normalmente pela existência de disputas entre aqueles que participavam do empreendimento. Por isso, à medida que se revelavam as riquezas do Novo Mundo, a Coroa foi centralizando o processo de colonização, anulando as concessões feitas aos particulares. O primeiro orgão estatal foi a Casa de Contratação, criada em 1503 e sediada em Sevilha, era responsável pelo controle de todo o comércio realizado com as colônias da América e foi responsável pelo estabelecimento do regime de Porto Único. Apenas um porto na metrópole, a princípio Sevilha, poderia realizar o comércio com as colônias, enquanto na América destacou-se o porto de Havana, com permissão para o comércio metropolitano e anos depois os portos de Vera Cruz, Porto Belo e Cartagena. Desenvolveu ainda o sistema de frotas anuais (duas); desde 1526 havia a proibição de navegarem os barcos isoladamente. O Conselho das Índias foi criado em 1524, por Carlos V, e a ele cabia as decisões políticas em relação às colônias, nomeando Vice-reis e Capitaes gerais, autoridades militares, e judicias. Foram criados ainda os cargos de Juízes de Residência e de Visitador. O Primeiro, responsável por apurar irregularidades na gestão de algum funcionário da metrópole na colônia; o segundo, responsável por fiscalizar um orgão metropolitano ou mesmo um Vice reino, normalmente para apurar abusos cometidos.
A estrutura
Nas colônias o poder dos adelantados foi eliminado com a formação dos Vice-Reinos e posteriormente dos Capitães gerais.
O território colonial foi dividido em quatro Vice-Reinos - Nova Espanha, Peru, Rio da Prata, e Nova Granada - e posteriormente foi redividido, surgindo as Capitanias Gerais, áreas consideradas estratégicas ou não colonizadas. Os Vice-Reis eram nomeados pelo Conselho das Índias e possuíam amplos poderes, apesar de estarem sujeitos à fiscalização das Audiências .Com o tempo passaram a ter funções administrativas.
Os Cabildos ou ayuntamientos eram equivalentes às câmaras municipais, eram formadas por elementos da elite colonial, subordinados as leis da Espanha, mas com autonomia para promover a adminisrtração local, municipal.
Cortéz no México
Na visão dos astecas, a chegada de Cortéz significava a realização de uma profecia, segundo a qual, Quetzacoatl retornaria e assumiria o trono em Tenochtitlán (ao que tudo indica, essa profecia foi feita após a chegada dos espanhóis, como uma forma de tentar explicar a chegada daqueles homens que eram tão estranhos para os astecas). Por isso, quando chegou à Tenochtitlán em novembro de 1519, Cortéz, que vinha acompanhado dos soldados espanhóis e de milhares de guerreiros indígenas aliados, recebeu as boas vindas de Montezuma 2º, o imperador asteca. O próprio Montezuma 2º teria acreditado que Cortéz fosse mesmo o deus Quetzacoatl. Porém, pouco tempo depois, o imperador asteca percebeu que estava equivocado a respeito de Cortéz. Já era tarde demais. Montezuma foi feito prisioneiro pelos espanhóis, que logo começaram a tomar todos os objetos de ouro dos astecas.
Fim do Império Asteca
Os espanhóis permaneceram durante muitos meses em Tenochtitlán. Quando Cortéz precisou se ausentar da cidade, Pedro de Alvarado, seu substituto no comando das tropas, aproveitou-se da ausência do líder e ordenou o massacre de milhares de astecas que estavam reunidos no interior do Templo Maior, durante a festa de Tóxcatl. Esse episódio ficou conhecido como "Noite Triste" e marcou o início da guerra entre astecas e espanhóis. Quando retornou, Cortéz não conseguiu conter os ânimos dos astecas. Os espanhóis e seus aliados indígenas se viram obrigados a fugir e buscaram refúgio em Tlaxcala, cidade onde viviam os principais inimigos dos astecas. Diferentemente de outras cidades da região, Tlaxcala jamais se submeteu ao controle do Império Asteca. Por causa do seu apoio aos espanhóis, Tlaxcala acabou conquistando uma posição relativamente privilegiada durante o domínio colonial da Espanha no México. Cortéz buscou reforços na Espanha e entre os povos indígenas inimigos dos astecas. Assim, ele conseguiu reunir um exército formado por milhares de guerreiros indígenas e cerca de 900 soldados espanhóis. Acompanhado desse exército e munido de canhões, Cortéz sitiou a capital asteca. Em 13 de agosto de 1521, após os astecas resistirem durante 75 dias, o último imperador asteca, Quatemozin (também chamado de Guatemozin), sucessor de Montezuma 2º foi obrigado a render-se aos espanhóis. .
A derrota dos astecas para os espanhóis não pode ser explicada por um único fator apenas. Na verdade, ela é o resultado da combinação de uma série de fatores. Os dois mais importantes foram o fato de Cortéz ter conseguido aliados entre as populações indígenas e o fato de que ele estava bem informado a respeito do seu inimigo. Curiosamente, enquanto Cortéz sabia muito a respeito dos astecas, Montezuma 2º pouco sabia a respeito dos espanhóis. Isso se devia ao fato de que astecas e espanhóis viviam em "mundos mentais" diferentes, tinham concepções de mundo diferentes. Enquanto, Cortéz valorizava a informação a respeito dos inimigos, recompensando seus informantes, o imperador asteca punia aqueles que lhe traziam notícias desfavoráveis.
Para o imperador asteca, os espanhóis eram imprevisíveis, pois não se encaixavam em nenhum dos modelos que conhecia: os astecas guerreavam seguindo regras de combate pré-estabelecidas, como em um torneio, enquanto os espanhóis usavam de todos os meios para surpreender o inimigo. Além disso, os astecas tinham uma visão cíclica da história, acreditavam que tudo ocorre em ciclos, que se repetem regularmente.
Os astecas acreditavam que antes de este mundo ser criado, outros mundos existiram, tendo sido criados e destruídos. Quando algo novo ocorria, os astecas procuravam de algum modo encaixar isso em profecias. Por isso, ao que tudo indica várias das profecias feitas a respeito da volta de Quetzacoatl foram feitas após a chegada dos espanhóis e não antes.
Criar profecias a respeito daquilo que já aconteceu seria uma maneira de aceitar e superar psicologicamente o passado. Como se vê, os astecas concebiam a realidade como algo rígido e imutável, enquanto os espanhóis tinham mais facilidade de improvisação e de se adaptarem a novas circunstâncias.
Pizarro no Peru
Francisco Pizarro González (Trujillo, Extremadura, 16 de março de 1476 — Lima, 26 de junho de 1541) foi um conquistador e explorador espanhol. Entrou para a história como o "conquistador do Peru", tendo subjugado o Império Inca.
Filho bastardo, foi abandonado nas escadarias da igreja de Trujillo e que depois foi reconhecido por seu pai, nobre capitão dos tercios. Incumbido de tratar de porcos na juventude, como paga, seu pai o teria mandado à Itália aprender ofício militar. O primeiro registro oficial que menciona Pizarro é a documentação da expedição de Vasco Núñez de Balboa no Panamá em 1513, onde era um pequeno e obscuro oficial, quase analfabeto.
Desde aí se desenrolou o engajamento de Pizarro na aventura da conquista da América, nos arredores das primeiras colônias espanholas na América Central, então chamada Castilla de Oro, o que mais lhe rendeu esforços e aflições com os Caraíbas do que honra e glória até quando, em 1517, foi distinguido com a tarefa de aprisionar seu antigo chefe Balboa, por ordem do novo Governador colonial Pedro Arias de Avila.
Em 1524, já com cinqüenta anos de idade, Pizarro se uniu a um oficial menor chamado Diego de Almagro que com ele compartilhava a condição de bastardo. Ambos acalantavam planos depois de ouvirem a narrativa de Pascual Andagoya que, embora retornasse ferido e sem riquezas de uma expedição mais ao sul, teria obtido a informação de um nativo que, apontando para o sul, disse-lhe que conhecia o Pirú, reino onde "se come e se bebe em vasilhas de ouro".
Pizarro se aproximou do padre chamado Hernando Luque, homem de confiança de um rico comerciante da Colômbia, o juiz Gaspar de Espinosa, e por seu intermédio obteve o patrocínio para a planejada conquista do Peru, e no mês de novembro de 1524, Pizarro se fez ao mar com oitenta homens e quatro cavalos.
Essa primeira expedição nada surtiu senão denominar de Baia da Fome pelos motivos óbvios, o lugar onde desembarcaram e de onde partiram pela costa, sem nada obter senão combates com os nativos, num dos quais Almagro perdeu um olho.
Regressando sem riquezas ou glórias, foram necessárias muitas negociações para o financiamento de uma nova expedição que, entretanto, foi minuciosamente contratada por escrito no qual já se previa a conquista do Peru ainda desconhecido, e já se tratava da partilha de suas riquezas.
Em novembro de 1526 Pizarro voltava ao mar, em dois pequenos barcos com cento e sessenta homens e alguns cavalos e, desta vez, desembarcou na foz do Rio San Juan na costa da atual Colômbia onde ficou com maior parte de seus homens enquanto Almagro retornou ao Panamá com uma das embarcações para buscar mais reforços e a outra embarcação, sob o comando do piloto Bartolomeu Ruiz, prosseguiu, atravessando o equador por cerca de 700 km para o sul, ocasião em que teve o primeiro contacto com a civilização Inca: tratava-se de uma grande jangada impulsionada por uma vela quadrada na qual havia homens e mulheres bem vestidos com túnicas de lã, usando ornatos feitos do tão ambicionado ouro .
Três Índios foram aprisionados para posteriormente servirem de intérpretes, Bartolomeu Ruiz voltou e se reuniu com Pizarro e pouco depois retornou Almagro com um reforço de 90 homens. Entretanto Pizarro já havia perdido muitos homens para a fome e a doença e um estado de desânimo e revolta se instalava entre eles. Traçando com sua espada uma linha na areia, desafiou todos a passarem para o lado dele, onde estariam a luta e a morte mas também a fama e a fortuna. Apenas onze espanhóis e um grego se juntaram e ele e os demais retornaram ao Panamá.
Pizarro e seus fiéis esperaram numa ilhota ao largo da costa por sete meses, até quando o governador do Panamá lhe enviou numa única nave com novos recrutas. Embarcando, esta força expedicionária navegou mais para o sul por mais de 25 dias até o golfo de Guaiaquil onde um daqueles índios, já intérprete, explicou que se tratava do porto inca mais setentrional, então já a cidade de Tumbes atual.
Aí não houve lutas, e afora uns poucos espanhóis deixados em Tumbes para conhecer melhor a região, Pizarro prosseguiu mais para o sul até o atual golfo de Guayaquil onde sua embarcação foi confrontada por grande número de jangadas repletas de guerreiros incas. Trocando informações com os nativos, Pizarro mostrava suas armaduras, arcabuzes e vinho e os nativos falavam abertamente de sua civilização admitindo a existência de ouro, prata e pedras preciosas. Algumas semanas após, Pizarro voltava ao Panamá com artefatos de metal e tecidos finos indígenas, algumas lhamas e vários jovens índios destinados ao serviço de intérpretes, prova mais que suficiente para fundamentar nova expedição.
Perseguindo seus objetivos, Pizarro voltou à Espanha e diante da corte de Carlos V fez a apologia dos esplendores do Peru, fazendo coro com os relatos mais auspiciosos ainda de Hernán Cortés, que retornava da conquista do México. Em 26 de julho de 1529 a rainha assinou a capitulación que autorizava Pizarro conquistar e explorar as riquezas do Peru nomeando-o governador e capitão geral.
Em 1530, levando consigo três de seus meios-irmãos, Pizarro se reuniu com Almagro e Luque no Panamá e rumou para o sul fundando, em setembro de 1532 o primeiro estabelecimento hispânico na costa do Peru denominado San Miguel de Pirua, lá formando uma força de conquista com sessenta e dois cavaleiros e cento e seis infantes com a qual ingressou continente adentro na "Conquista do Império Inca".
No dia 16 de novembro de 1532, Pizarro, com sua pequena força expedicionária, chegou a Cajamarca onde, deixando seu exército fora da cidade, aceitou o convide do imperador Atahualpa para um jantar no qual assassinou sua pequena guarda de honra e fez o próprio imperador seu prisioneiro. No ano seguinte Pizarro invadiu Cuzco com tropas indígenas e derrubou o Tahuantinsuyu (império inca).
Julgando que a capital Cuzco estava muito distante e muito acima no altiplano, Pizarro fundou a cidade de Lima no dia 18 de janeiro de 1535, prosseguindo em árdua campanha pois as forças Incas tentaram retomar Cuzco sendo derrotadas por Almagro que, por isto, julgo-se em condições de tomá-la para si, gerando uma disputa com Pizarro que o derrotou e executou em 1538 na cidade de Ute.
Entretanto, partidários de Almagro assassinaram Pizarro em 26 de junho de 1541.
Categoria: História 3 & 4
Escrito por Rafael Sêga às 19h57
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Resumo: Revolução Francesa
A Revolução Francesa é um dos grandes acontecimentos históricos que marcaram a superação do Feudalismo pelo Capitalismo. É tradicionalmente utilizada para assinalar o inicio da Idade Contemporânea.
Os revolucionários franceses, sob o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, levaram os ideais iluministas às ultimas conseqüências. Procuraram instituir um estado caracterizado por maior participação política da população e pela diminuição das desigualdades sociais. Inauguraram assim um estado que tinha em sua base o "povo" e o direito da "cidadania".
A França em crise No século XVIII, a França viveu um período de grande prosperidade, embora sua economia encontrasse predominantemente agrícola. De sua população estima-se que 80% vivia no campo. A prosperidade chegou ao fim por volta de 1778, quando uma crise começou a tornar evidente a precariedade da organização administrativa, política financeira, econômica e social do país. Desde 1774 o país era governado por Luís XVI, distante dos interesses da população ele governava o país bem distante, no palácio de Versalhes. Para manter o luxo do palácio e de seus membros eram cobrados vultosos impostos da população mais pobre e assim a insatisfação era crescente. As desigualdades sociais e políticas tinham como causa um conjunto de fatores. Primeiramente, a sociedade estava dividida em três estados: o clero, a nobreza e o povo. Os dois primeiros mantinham privilégios da época feudal como o direito de cobrar imposto. Além disso, eram isentos do pagamento de diversos tributos, ao contrario do povo que não tinha direito algum. Outro fator muito importante era a dificuldade de romper com o a economia agrária e programar a economia industrial, por causa dos grandes déficits provocados pelos gastos excessivos.
O terceiro estado (povo) era formado pela a maioria da população Francesa que reunia diferentes grupos sociais:§ Grande Burguesia: Formada por banqueiros, empresários e poderososcomerciantes; § Pequena Burguesia: Formada por profissionais liberais e médios comerciantes; § Sans-culotte: Camada social urbana composta por artesãos,aprendizes de oficio,assalariados e desempregados marginalizados; § Camponeses: Eram os trabalhadores livres e semi-livres e os servos presos às obrigações feudais. O que é o terceiro estado?Tudo.O que ele tem sido em nosso sistema político?Nada.O que ele pretende?Ser alguma coisa. A partir de 1785 os problemas aumentaram, o governo faliu financeiramente, grande onda de desemprego, além disso, um rigoroso inverno destruiu a safra deixando toda a França faminta e revoltada.
Processo revolucionário O longo processo revolucionário francês foi complexo e contraditório. Para melhor entende-lo foi dividido em diferentes fases: § Revolta aristocrática § Assembléia nacional constituinte § Monarquia constitucional § Republica e convenção nacional § Governo do Diretório.
1.Revolta aristocrática: O tiro saiu pela culatra Para solucionar a grave crise econômica, o rei Luís XVI viu-se obrigado a criar novos tributos para o terceiro estado, ou acabar com a isenção tributária do primeiro e segundo estado. Sentindo seus privilégios tradicionais ameaçados, a nobreza e o clero se revoltaram em 1787, e pressionaram o rei para que convocasse a assembléia dos Estados Gerais. O objetivo era obrigar o terceiro estado a assumir os tributos. O sistema de votação era feito da seguinte forma: Cada ordem social tem direito a apenas um voto. Dessa maneira o clero e a nobreza somaram dois votos e o terceiro estado continuava sem voz ativa dentro do estado. O terceiro estado não concordou com a maneira de votação e logo começou o conflito direto com o clero e a nobreza. Assim paralisou os trabalhos.
2.Assembléia Nacional Constituinte: A revolução nas ruas . Em 17 de junho de 1789 os representantes do terceiro estado se reuniram e se revoltaram proclamando a Assembléia Nacional Constituinte com o objetivo de elaborar uma constituição para a França. Tomada da Bastilha: O rei ordenou o fechamento da Assembléia Nacional Constituinte, mas o terceiro estado, com o apoio da burguesia, não desistiu e permaneceram reunidos até a elaboração de uma nova constituição para o país. Luís XVI tentou reagir organizando tropas de combate, mas os revoltosos continuaram através do slogan: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. No dia 14 de julho de 1789, os revoltosos tomaram a Bastilha, uma prisão que concentrava os prisioneiros que desrespeitavam a monarquia e era o símbolo do poder absoluto do rei. Além de libertar os prisioneiros, a multidão pegou as armas estocadas ali e saiu pela rua defendendo os ideais do terceiro estado. Fim do regime feudal e dos privilégios: Reconhecendo que era praticamente impossível deter a revolução, o rei Luís XVI foi obrigado a reconhecer a legitimidade da Assembléia Nacional Constituinte. Em quatro de agosto de 1789, a Assembléia Aboliu o regime Feudal eliminando os direitos senhoriais sobre os camponeses, e acabou com os privilégios tributários do clero e da nobreza. No dia 26 foi proclamada a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que influenciou Grande parte da Europa e da América, onde começou a prevalecer os princípios do liberalismo democrático. Redução do Poder do clero: em 1790 a Assembléia Constituinte confiscou inúmeras terras da Igreja e subordinou o clero à autoridade do Estado. O Papa não aceitou as determinações da Assembléia, e os sacerdotes fiéis a ele viram-se entre duas opções: sair da França ou ficar e para lutar contra a revolução. Muitos, porém, acataram as novas leis francesas. 3.Monarquia Constitucional: O domínio da Burguesia Quando foi concluída a Constituição em 1791, a França tornou-se uma monarquia constitucional, em que o rei perdia os poderes absolutos do antigo regime, não estando mais acima das leis. Ele deveria respeitar as ordens da constituição.
Vejamos alguns dos principais pontos da constituição francesa de 1791, que exprimiam os ideais da burguesia. § Sociedade - igualdade jurídica entre todos os indivíduos. Extinguiam-se os privilégios hereditários da nobreza e do clero. § Economia - completa liberdade de produção e de mercado. Garantia-se a não-interferência do estado na vida econômica. Proibiam-se as greves dos trabalhadores. § Religião - garantia-se a liberdade de crença religiosa § Política - os poderes do estado foram divididos em: Legislativo, Executivo e Judiciário. Assegurava-se a representatividade popular por meio de eleições para a escolha dos parlamentares. Os cidadãos eram subdivididos em ativos que tinham renda necessária para votar e passivos que não votavam. Não aceitando a revolução, o rei Luís XVI conspirou, seu objetivo era organizar um exercito para invadir a França e restabelecer a velha monarquia absolutista. Ele tentou fugir da França para se aliar á forças exteriores, porém foi reconhecido na fronteira e foi levado para a capital francesa. Assim o exercito Austro-prussiano invadiu a França e com muita luta dos revolucionários o exercito exterior foi derrotado.
4. Republica e Convenção Nacional: Girondinos, Jacobinos e planície. A vitória da França deu nova força aos revolucionários. Em 22 de setembro os principais lideres políticos decidiram proclamar a republica. Proclamada a republica, a antiga assembléia foi substituída pela Convenção Nacional, que tinha como principal missão elaborar uma nova constituição para a França. Nesse período, as principais forças do país eram as seguintes: § Os Girondinos - representava a alta burguesia defendia posições políticas moderadas, temendo que as camadas populares assumissem o controle da revolução. Eram favoráveis, por exemplo, à igualdade jurídica dos cidadãos, mas não uma igualdade econômica. § Os Jacobinos - representava à pequena e media burguesia e o proletariado de Paris. Defendia posições radicais. Queriam por exemplo, reduzir a imensa desigualdade econômica entre os franceses. § A Planície -representava a burguesia financeira. Conforme suas conveniências, mudava de posição constantemente. Era oportunista, apoiando quem estava no poder. Luís XVI foi levado a julgamento por traição a pátria. Foi condenado por conspirar contra a liberdade da nação e a segurança geral do estado em 21 de janeiro de 1793 o rei foi guilhotinado. A execução do rei provocou emoção nos contra-revolucionários, reorganização das forças estrangeiras e revoltas internas. Para enfrentar ameaças os jacobinos criaram uma serie de órgãos encarregados da defesa da revolução. Entre esse órgãos destacam-se: § Comitê de salvação publica: responsável pelo controle do exercito e da administração do país § Tribunal revolucionário: encaregado de vigiar e punir os traidores de causa revolucionaria. Esse tribunal foi responsável pela morte de, aproximadamente 40 mil pessoa na guilhotina.
Nesse período conhecido como fase do terror, o medo da guilhotina pairava entre os não jacobinos. Toda e qualquer pessoa suspeita podia ser presa e condenada como inimiga da revolução. Instalou-se uma verdadeira ditadura dos jacobinos, sob a liderança de Robespierre. Esse para governar, procurava equilibrar-se entre as diversas tendências políticas, uma mais identificada com a burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares. Durante seu governo, Robespierre conseguiu conter o ataque das forças estrangeiras. Aliviadas as tenções decorrentes da ameaça externa os girondinos e o grupo da planície uniram-se contra o governo de Robespierre. Se o necessário apoio popular, Robespierre foi preso em 27 de julho de 1794, sendo logo depois, guilhotinado. Chega o final o regime do terror.
5. O governo do diretório: A ascensão de Napoleão Com o fim do governo de Robespierre a convenção nacional passou a ser controlada por representantes da alta burguesia. A convenção decidiu, então, elaborar uma nova constituição para a França. Concluída em 1795, essa constituição estabeleceu a continuidade do regime republicano,que seria, então, controlado pelo Diretório, órgão composto por cinco membros eleitos pelo legislativo. O Diretório teve um período de governo conturbado pelas oposições políticas tanto dos grupos monarquistas - que planejavam retornar ao poder - quanto dos grupos populares jacobinos - que também conspiravam contra o Diretório, nesse período um jovem general, Napoleão Bonaparte, adquiria prestigio político e militar reprimindo as rebeliões contra o governo e obtendo campanhas externas. O golpe de 18 Brumário: No dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário pelo novo calendário instituído pela revolução, Napoleão, contando com o apoio de influentes políticos e certo prestigio popular, dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo, o Consulado. O papel de Napoleão foi de evitar uma possível ascensão ao poder de setores mais identificados, com o interesse das camadas populares ou dos antigos monarquistas. Com isso, Napoleão consolidou as conquistas da burguesia e abria caminho para o desenvolvimento capitalista francês, encerrando o ciclo revolucionário.
Categoria: História 3 & 4
Escrito por Rafael Sêga às 10h33
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RESUMO: INDEPENDÊNCIA DOS EUA
Introdução Antes da Independência, os EUA era formado por treze colônias controladas pela metrópole : a Inglaterra. Dentro do contexto histórico do século XVIII, os ingleses usavam estas colônias para obter lucros e recursos minerais e vegetais não disponíveis na Europa. Era também muito grande a exploração metropolitana, com relação aos impostos e taxas cobrados dos colonos norte-americanos.
Colonização dos Estados Unidos Para entendermos melhor o processo de independência norte-americano é importante conhecermos um pouco sobre a colonização deste território. Os ingleses começaram a colonizar a região no século XVII. A colônia recebeu dois tipos de colonização com diferenças acentuadas: Colônias do Norte : região colonizada por protestantes europeus, principalmente ingleses, que fugiam das perseguições religiosas. Chegaram na América do Norte com o objetivo de transformar a região num próspero lugar para a habitação de suas famílias. Também chamada de Nova Inglaterra, a região sofreu uma colonização de povoamento com as seguintes características : mão-de-obra livre, economia baseada no comércio, pequenas propriedades e produção para o consumo do mercado interno. Colônias do Sul : colônias como a Virginia, Carolina do Norte e do Sul e Geórgia sofreram uma colonização de exploração. Eram exploradas pela Inglaterra e tinham que seguir o Pacto Colonial. Eram baseadas no latifúndio, mão-de-obra escrava, produção para a exportação para a metrópole e monocultura.
Guerra dos Sete Anos Esta guerra ocorreu entre a Inglaterra e a França entre os anos de 1756 e 1763. Foi uma guerra pela posse de territórios na América do Norte e a Inglaterra saiu vencedora. Mesmo assim, a metrópole resolveu cobrar os prejuízos das batalhas dos colonos que habitavam, principalmente, as colônias do norte. Com o aumento das taxas e impostos metropolitanos, os colonos fizeram protestos e manifestações contra a Inglaterra.
Metrópole aumenta taxas e impostos A Inglaterra resolveu aumentar vários impostos e taxas, além de criar novas leis que tiravam a liberdade dos norte-americanos. Dentre estas leis podemos citar : Lei do Chá (deu o monopólio do comércio de chá para uma companhia comercial inglesa), Lei do Selo ( todo produto que circulava na colônia deveria ter um selo vendido pelos ingleses), Lei do Açúcar ( os colonos só podiam comprar açúcar vindo das Antilhas Inglesas). Estas taxas e impostos geraram muita revolta nas colônias. Um dos acontecimentos de protesto mais conhecidos foi a Festa do Chá de Boston ( The Boston Tea Party ). Vários colonos invadiram, a noite, um navio inglês carregado de chá e, vestidos de índios, jogaram todo carregamento no mar. Este protesto gerou uma forte reação da metrópole, que exigiu dos habitantes os prejuízos, além de colocar soldados ingleses cercando a cidade.
Primeiro Congresso da Filadélfia Os colonos do norte resolveram promover, no ano de 1774, um congresso para tomarem medidas diante de tudo que estava acontecendo. Este congresso não tinha caráter separatista, pois pretendia apenas retomar a situação anterior. Queriam o fim das medidas restritivas impostas pela metrópole e maior participação na vida política da colônia. Porém, o rei inglês George III não aceitou as propostas do congresso, muito pelo contrário, adotou mais medidas controladoras e restritivas como, por exemplo, as Leis Intoleráveis. Uma destas leis, conhecida como Lei do Aquartelamento, dizia que todo colono norte-americano era obrigado a fornecer moradia, alimento e transporte para os soldados ingleses. As Leis Intoleráveis geraram muita revolta na colônia, influenciando diretamente no processo de independência.
Segundo Congresso da Filadélfia Em 1776, os colonos se reuniram no segundo congresso com o objetivo maior de conquistar a independência. Durante o congresso, Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Porém, a Inglaterra não aceitou a independência de suas colônias e declarou guerra. A Guerra de Independência, que ocorreu entre 1776 e 1783, foi vencida pelos Estados Unidos com o apoio da França e da Espanha.
Constituição dos Estados Unidos Em 1787, ficou pronta a Constituição dos Estados Unidos com fortes características iluministas. Garantia a propriedade privada ( interesse da burguesia ), manteve a escravidão, optou pelo sistema de república federativa e defendia os direitos e garantias individuais do cidadão.
Categoria: História 3 & 4
Escrito por Rafael Sêga às 10h30
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Sêga e Kátia (sua mulher) em Balneário Camboriú-SC, julho de 2008.

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Escrito por Rafael Sêga às 22h08
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1) Matéria sobre arqueologia, Istoé, nº 2022, pág. 110

Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 22h07
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2) Matéria sobre arqueologia, Istoé, nº 2022, pág. 111

Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 22h06
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Sêga e Kátia (sua mulher) no teleférico em Nova Friburgo-RJ, janeiro de 2008.

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Escrito por Rafael Sêga às 22h04
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Esse é o Jonas, filho do Sêga.

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Escrito por Rafael Sêga às 22h04
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Guerra do Paraguai
O Paraguai no século XIX era um país que destoava do conjunto latino-americano por ter alcançado um certo progresso econômico autônomo, a partir da independência em 1811. Durante os longos governos de José Francía (1811-1840) e Carlos López (1840-1862), erradicara-se o analfabetismo no país e haviam surgido fábricas -- inclusive de armas e pólvora --, indústrias siderúrgicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de telégrafo. As "estâncias da pátria" (unidades econômicas formadas por terras e instrumentos de trabalho destribuídos pelo Estado aos camponeses, desde o governo Francía) abasteciam o consumo nacional de produtos agrícolas e garantiam à população emprego e invejável padrão alimentar. Nesse quadro de relativo sucesso socioeconômico e de autonomia internacional, Solano López, cujo governo iniciou-se em 1862, enfatizou a política militar-expansionista, a fim de ampliar o território paraguaio. Pretendia criar o "Paraguai Maior", anexando, para isso, regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como Rio Grande do Sul e Mato Grosso). Obteria, dessa forma, acesso ao Atlântico, tido como imprescindível para a continuação do progresso econômico do país.
A expansão econômica paraguaia, contudo, prejudicava os interesses ingleses na região, na medida em que reduzia o mercado consumidor paraguaio para seus produtos. Havia, ainda, a ameaça de que o país eventualmente se transformasse em exportador de manufaturados ou que seu modelo de desenvolvimento autônomo e independente pudesse servir de exemplo para outros países da região. Dessa forma, a Inglaterra tinha sólidos interesses que justificavam estimular e financiar uma guerra contra o Paraguai. Usando como pretexto a intervenção brasileira no Uruguai e contando com um exército bem mais numeroso que o do oponente brasileiro, Solano López tomou a ofensiva ao romper relações diplomáticas com o Brasil, em 1864. Logo depois, como medida complementar, ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai, retendo, entre seus passageiros e tripulantes, o presidente da província do Mato Grosso, Carneiro de Campos. A resposta brasileira foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai.
Em 1865, mantendo-se na ofensiva, o Paraguai havia invadido o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança contra Solano López. Apesar de as primeiras vitórias da guerra terem sido paraguaias, o país não pôde resistir a uma guerra prolongada. A população paraguaia era muito menor que a dos países da Tríplice Aliança e, por maior que fosse a competência do exército paraguaio, a ocupação militar dos territórios desses países era fisicamente impossível, enquanto o pequeno Paraguai podia ser facilmente ocupado pelas tropas da Aliança. Finalmente, Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio inglês, recebendo empréstimos para equipar e manter poderosos exércitos.
A vitória brasileira do almirante Barroso na batalha de Riachuelo, já em 1865, levou à destruição da frota paraguaia. A partir daí, as forças da Tríplice Aliança passaram a ter a iniciativa na guerra, controlando rios, principais meios de comunicação da bacia platina. Apesar de todas essas limitações, o Paraguai resistiu a quase cinco anos de guerra, mostrando o grau relativamente alto de desenvolvimento e auto-suficiência que havia obtido, além do engajamento da sua população em defesa do país.
O maior contigente das tropas da Aliança foi fornecido pelo exército brasileiro, que até então praticamente inexistia. Como sabemos, a Guarda Nacional cumpria, ainda que mal, as funções normalmente destinadas ao exército. Diante de uma tropa bem-organizada e treinada como a paraguaia, era necessária uma nova força armada para o Brasil. O reduzido corpo de oficiais profissionais do exército brasileiro encarregou-se dessa função com bastante sucesso, ainda que isso demandasse tempo. Para ampliar o contigente de soldados, em novembro de 1866 foi decretado que os escravos voluntariamente se apresentassem para lutar na guerra obteriam a liberdade. Muitos se alistaram dessa maneira, mas alguns foram obrigados a fazê-lo no lugar dos filhos de seus senhores que haviam sido recrutados. No mesmo ano, o Brasil alcançou expressiva vitória na batalha de Tuiuti. Luís Alves de Lima e Silva, barão de Caxias, assumiu o comando das forças militares imperiais, vencendo rapidamente importante batalhas como as de Itororó, Avaí, Angosturas e Lomas Valentinas, chamadas "dezembradas" por terem acontecidos no mês de dezembro de 1868. Essas batalhas abriram caminho para a invasão de Assunção, capital paraguaia, tomada em janeiro de 1869. O conde D''Eu, genro do imperador, liderou a última fase da guerra, conhecida como campanha da Cordilheira, completada com a morte de Solano López em 1870. A guerra devastou o território paraguaio, desestruturando sua economia e causando a morte de cerca de 75% da população (aproximadamente 600 mil mortos). Acredita-se que a guerra foi responsável pela morte de mais de 99% da população masculina com mais de 20 anos, sobrevivendo a população formada, predominantemente, por velhos, crianças e mulheres.
Além das mortes em combate, foram devastadoras as epidemais, principalmente a de cólera, que atingiram os homens de ambos os lados da guerra. Acrescente-se, ainda, que os governos da Tríplice Aliança adotaram uma política genocida contra a população paraguaia. Para o Brasil, além da morte de aproximadamente 40 mil homens (sobretudo negros), a guerra trouxe forte endividamento em relação à Inglaterra. Apontada como a principal beneficiária do conflito, forneceu armas e empréstimos, ampliando seus negócios na região e acabando com a experiência econômica paraguaia. O Brasil conseguiu a manutenção da situação na bacia Platina, embora a um preço exorbitantemente alto. Mas a principal conseqüência da Guerra do Paraguai foi o fortalecimento e a institucionalização do exército, com o surgimento de um grande e disciplinado corpo de oficiais experientes, pronto a defender os interesses da instituição. Além disso, seu poder bélico tornava-o uma organização capaz de impor suas idéias a força, caso necessário, acrescentando uma dose de instabilidade ao regime imperial.
Categoria: História 5 & 6
Escrito por Rafael Sêga às 19h09
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DVD Pré-História

Categoria: História 1 & 2
Escrito por Rafael Sêga às 19h04
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